"Sabeis porque vo-lo digo? Porque vos vi louvar a Deus despois de fartos, com as mãos alevantadas e com os beiços untados, como homens que lhes parece que basta arreganhar os dentes ao céu sem satisfazer o que têm roubado; pois entendei que o Senhor da mão poderosa não nos obriga tanto a bulir com os beiços, quanto nos defende de tomar o alheio, quanto mais roubar e matar, são dous pecados tão gravesquanto despois de mortos conhecereis no rigoroso castigo de sua divina justiça."
Estas eram palavras de um menino raptado a seus pais, e que os portugueses captores tentavam doutrinar.
A Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, é ao mesmo tempo um romance alicerçado em muitos factos vividos pelo autor e uma dura crítica à sociedade da época - com as suas atrocidades, hipocrisias e falsas religiosidades - feita quase sempre de forma indirecta, por razões que não são difíceis de entender, se nos lembrarmos da Inquisição e da Censura. Continuam actuais muitas das realidades daquele tempo, e de todos os tempos; a humanidade continua a ser feita de actos heróicos mas também de banalidades, e muitos homens vivem a fingir que são o que não são e a dizer que se deve fazer aquilo que não fazem...
Imagem: Fernão Mendes Pinto (http://content.answers.com/main/content/wp/en/thumb/5/55/180px-Fernao_Mendes_Pinto.jpg)
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