Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Doze Horas

“É um fascinante Universo alternativo, aquele onde agora me encontro, a monotonia redutora dos dias iguais parecendo já distante no Tempo, ele próprio assumindo uma significância desabitual, cada instante avocando um relevo feito de vontades sincronizadas, de determinações audazes, de gestos tão silenciosos quanto expressivos… Qual viajante do Tempo, retorno a uma época de possibilidades infinitas, a negação de todos os limites realizando-se na simplicidade de um olhar, tomando a forma de um sorriso cúmplice, as brincadeiras traduzindo uma insubmissa e renovada sede de viver… Rejuvenesço, a energia dos níveis mais profundos do tecido espacial declarando-se tangível, contrariando princípios, operando prodígios, a descoberta de emoções latentes agindo como catalizadora de reacções electroquímicas desconhecidas, vibrantes como as cordas de um violino numa super simetria melodiosa, brilhantes como um enxame de cinquenta mil sóis acotovelados num campo deslumbrante... E neste lugar de novidade, o próprio fluir dos eventos não obedece às aceites e comuns relações de causalidade, tão espontânea é sequência das coisas. Talvez doze horas bastem, até, para representar a eternidade…”

V.A.D. em Doze Horas
Vídeo: Unforgettable (Nat & Natalie Cole) (http://www.youtube.com/watch?v=53ith7bNN8w)

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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Agora

“Agora, nestes dias perfeitos de claridade, desce dos empíreos a realidade que me é designada, o sentido das coisas convergindo num sensorial lugar de infindas emoções, a inenarrável plenitude assumindo contornos que me eram estranhos, uma leveza etérea insinuando-se-me em volutas fragrantes, afirmando aquilo que sempre soube mas que ainda não havia experimentado. Agora, nestes momentos de introspecção, projecto na limpidez de uma tela as cores vibrantes da vontade, as intensas cambiantes de uma luz capturada num abraço libertador, a profundura de uma inexplicável mas maravilhosa sincronia, nascida, talvez, nas brumas de um impenetrável passado alquímico, os mistérios encontrando explicação, quem sabe, em entrelaçamentos neurologicamente quânticos ou em claros entendimentos silenciosamente cómodos… Ou na simples vivacidade das palavras conversadas, ou na subjectividade de um tempo que ora passa depressa ora se arrasta, as circunstâncias ditando a diferente percepção. Agora, nestes minutos que antecedem a cálida escuridão de um sono seguramente ameno, os pensamentos afluem-me, sedosos e acetinados, uma sensação de plenitude envolvendo-me só para me fazer querer mais…”

V.A.D. em Agora
Vídeo: Nights In White Satin (The Moody Blues) (http://www.youtube.com/watch?v=9muzyOd4Lh8)

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Sábado, 30 de Agosto de 2008

Horizonte

 
São horizontes plenos de promessas, são rios de deleitosos sonhos, deslumbrantes visões experimentadas de sensualidades inconcebíveis, são telas pintadas de sentimentos indescritíveis. Horas silenciosamente pejadas de dois rostos em êxtase, risonhos, exprimindo a voracidade incontida de quem ama sem pressas… E uma só entidade emerge no cadinho da paixão: corpos e mentes perpetuamente ligados, num simples e maravilhoso momento. Inunda-me o deslumbramento, os dias afiguram-se-me ilimitados, os anos cabem na palma da mão…E nesses breves instantes, conquisto a eternidade…!
V.A.D. em Horizonte

Vídeo: Love Theme From Blade Runner (http://www.youtube.com/watch?v=C9KAqhbIZ7o)


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Sábado, 23 de Agosto de 2008

Segundos

“Duas e vinte e nove. Todas as apreensões se esmaecem num ápice, a limpidez dos sentidos irrompendo da própria alvorada da vida, a profusão das emoções elevando-o além dos limites plausíveis. A existência não é mais que um fugaz clarão por entre as trevas da inacabável perpetuidade e, todavia, os factos inequívocos podem ser contraditos pela subjectividade agarrada num emaranhado caoticamente sublime e estranhamente melífero, os desalinhos agindo como uma catártica negação de rotinas bafientas, a florescência de algo improvável manifestando-se avassaladoramente num esplendor épico, o engrandecimento constante e contínuo atordoando-o, a infinitude apresentando-se-lhe como o exclusivo e inexistente término. Deixa-se absorver pelo fascínio, quer imortalizá-lo em grandíloquas demonstrações de profundos desejos, quer efectivá-lo em feitos repletos de transbordantes sentimentos… E sente-se insuflado pela alegria de voltar a ser inteiro, os desertos pedregosos e gelados parecendo-lhe agora tão remotos, como que dissolvidos na eternidade de alguns breves mas perfeitos segundos…”
V.A.D. em Segundos
Imagem: Segundos (original em http://www.coolest-gadgets.com/wp-content/uploads/bulbdial.jpg)

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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

Minutos

“Duas e doze. Os minutos arrastam-se, monótonos, tão desconformes dos arco-íris dançantes pintados em palavras infindáveis, os tons monocromáticos divergindo da coloração esfusiante dos momentos deslumbrantes daquelas horas esquivas, passadas entre um café e o fascínio sincronizado de pensamentos convergentes. Parece até que a própria música perdeu o seu encantamento num ruidoso monólogo, o sonho exasperado enchendo-se dos odores escuros da saudade, num murmúrio de queixoso desalento. Força-se a pensar no céu, deixa-se perder por entre as estrelas, identifica nelas o prometimento de dias vindouros, pejados de vibrantes possibilidades, os anseios afluindo num único e perfeito ponto espaço-temporal, imortalizado em sucessivas recorrências… E emerge-lhe um sorriso no rosto, aclarando-se-lhe o semblante no brilho do olhar, o infinito assomando-se-lhe tão exequível quanto a concepção lhe permite. Cerra as pálpebras e inala profundamente o ar perfumado pelo incenso que arde em tonalidades quentes, um arrepio agradável percorrendo-lhe o corpo, a mente inventando de novo a conciliação…”
V.A.D. em Minutos
Imagem:Tempo Recorrente (original em http://sprott.physics.wisc.edu/fractals/collect/2000/time%2520out.jpg)

publicado por V.A.D. às 02:56
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Horas

“Uma e quarenta e seis. Senta-se em frente ao monitor, a música previamente seleccionada tocando baixinho, os sons calmantes circundando-o em ondas tão envolventes quanto o rumor das águas do mar oceano contemplado ainda há poucas horas num letargo próprio de uma tarde de estio. Sofria ainda, fustigado pelos anos-luz de espaço, flagelado pelas memórias, perseguido por uma existência pretérita que jamais poderia revelar, mas deixara os grandes tragos da satisfação amarga facultada pelas bebidas ardentes e devastadoras de garganta e estômago, a fisiologia aparentemente idêntica divergindo da dos nativos na tolerância à química da embriaguês, para passar a buscar refúgio nos subtis agrados proporcionados por uma natureza tão igual e dissemelhante, os pormenores dissentindo sem que contudo desobedecessem à lei universal expressa numa linguagem comum. E descobrira a melíflua aquietação trazida pela maresia num bafejo ancestral de vida, entendera por fim a razão de ser, aceitara perseverar numa perscrutação inacabável, a noite do desprazer iluminando-se gradativamente num engrandecimento da velha anima…

V.A.D. em Horas
Imagem: Grãos de Tempo (original em http://zenhabits.net/fotos/20071205time.jpg)

 


publicado por V.A.D. às 02:40
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Ponto Zero

“Acordou a meio da noite, incapaz de conciliar o sono que o corpo pedia com a apreensão que teimava em insinuar-se a cada raciocínio, os pensamentos virando-se para estranhas especulações, uma aflitiva perturbação roubando-lhe a serenidade desejada, o esgotamento adensando-se, lodoso e negro. Abriu os olhos apenas para nada ver, a escuridão informe envolvendo-o num frio imaginário, o calor da noite estival negando-se a invadir-lhe o âmago gélido de espanto. Basto não lhe era o tempo, nenhum lugar se lhe afigurava adequado naquele limbo absurdo e caótico entre universos. Sentira-se capaz de atingir a mais absoluta das verdades, a solução última para as carências afigurara-se-lhe tão tangível quanto os pares de partículas em perpétua génese a partir do nada. E tudo se dissolvera num afastamento irremediável, como se um simulacro do efeito Casimir se tivesse insurgido contra esse contacto com a mais profunda e inextinguível das energias, o desencanto do descaminho abalando-o, a noção de insuprível falha fazendo-o sentir-se culposo. Cerrou as pálpebras, num deliberado esforço. A seu lado ela dormia, a cadência suave da sua respiração actuando como um soporífero, a placidez regressando paulatinamente até ao esquecimento das horas ausentes…”
V.A.D. em Ponto Zero
Imagem: Efeito Casimir (http://apod.nasa.gov/apod/image/0612/casimirsphere_mohideen.jpg)

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Sábado, 7 de Junho de 2008

Alter-ego

“Havia ali qualquer coisa, uma vaga sensação de presença insinuando-se-lhe nas profundezas do subconsciente, um contorno desafiador materializando-se num quê tão indistinto quanto indizível, uma abstracta noção de perigo correndo-lhe espinha acima num involuntário eriçar de cabelos, a pele arrepiando-se num ligeiro tremor, os temores ancestrais vertendo-se em gotas de suor frio. Imobilizou-se. Um silêncio sepulcral, acentuado pelo fôlego contido, envolvia-o como um manto tão negro como a escuridão da cave bafienta onde ousara penetrar, e era quebrado apenas pelo pungente martelar descompassado do coração, o sangue carregado de adrenalina latejando nas artérias, a atenção a tudo o que se passava em seu redor redobrando-se numa desproporcionada tensão. Um vulto moveu-se, o raspar de garras no chão de pedra nua chegando-lhe ténue aos ouvidos, os seus olhos divisando o brilho amarelado e doentio de outros olhos, a entidade que invadira aquele lugar supostamente inexpugnável mirando-o num misto de escárnio e desafio. Num salto impossivelmente brusco, atirou-se à figura medonha que reconhecera de imediato, um grito animalesco rasgando-lhe a garganta pelo gume afiado do ódio transbordante. Detestava mortalmente aquele alter-ego…”

V.A.D. em Alter-ego
Imagem: Alter-ego (original em http://imagecache2.allposters.com/images/CORPOD/CB008385.jpg)

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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Eternidade

“E ali estava ele, sozinho e incapaz de se maravilhar com a beleza assustadoramente poderosa daquele simples crepúsculo, a vermelhidão do céu tornando-se violeta à medida que o sol se refugiava para lá do horizonte longínquo, as sombras tingindo o solo verde de relva em tons de negro, a suave brisa afagando-lhe o rosto agora sem rugas. Olhava em frente mas deixara de contemplar, perdera a habilidade de vislumbrar um futuro que se lhe oferecia insípido, as razões da sua existência confundindo-se com a desilusão da monotonia. Os pensamentos velhos e longos de séculos atropelavam-se na sua mente, definhando na exuberância da carne, a contínua e perfeita renovação dos músculos e das glândulas afundando-o numa atmosfera de futilidade, os dias infinitos impacientando-o, a eternidade há muito conquistada afigurando-se-lhe demasiadamente inane para merecer ser vivida. A sabedoria adquirida com o embranquecimento dos cabelos havia sido lentamente dissipada pelo desengano de um milhão de manhãs sempre iguais, o desapontamento levando-o a uma apatia cada vez maior, o cansaço das tarefas repetidas tornando-o pouco mais que um mero autómato, o algoritmo de si próprio revelando-se desatinadamente fastidioso…”
V.A.D. em Eternidade
Imagem: Eternidade (http://kabbalah4women.typepad.com/photos/uncategorized/2007/03/19/eternity.jpg)

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Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Tortura

“Permaneci algum tempo em total imobilidade, demasiado fatigado e entontecido, os meus olhos fixando-se nos olhos do interlocutor sem que os estivesse a ver, a minha mente mostrando-se incapaz de entender ou elaborar um raciocínio coerente, a privação do sono gerando um total alheamento em relação a tudo o que me rodeava. A espaços, sentia-me invadido por uma espécie de leveza delirante semelhante àquela que os estados febris costumam provocar, o som das palavras ouvidas parecendo esbarrar no meu corpo em vergastadas bruscas ou sedosas consoante o timbre das sílabas, uma absurda sinestesia submergindo-me ainda mais na estranheza de não saber o que fazia ali, um mal-estar latente apoderando-se de mim como um organismo gelatinoso e tentacular, tão repulsivo quanto um verme parasitário, verde e fedorento. E de súbito a emese, libertadora e dolorosa, arrancando-me o vazio às entranhas, as contracções involuntárias do corpo exaurindo as réstias de energia, o pânico mal dissimulado levando a um esgar de aflição… E o desfalecimento, inevitável e reparador, sobrevindo sem aviso, transformando-se num longo sono sem sonhos, numa completa ausência em parte alguma…”
V.A.D. em Tortura
Imagem: Tortura (original em www.abusedmedia.it/soxno/sxn_img/soxno.gif)

publicado por V.A.D. às 03:00
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