Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Dor

Embora os placebos sejam apenas falsos remédios, os benefícios que o paciente acredita receber parecem ser mais do que ilusões. Os placebos têm também um efeito fisiológico, além do efeito psicológico que lhes era reconhecido. Neurologistas das universidades do Michigan e de Maryland injectaram água salina nos músculos do maxilar de voluntários jovens e saudáveis do sexo masculino, a fim de causar dor. Em seguida, disseram-lhes que gotas intravenosas de sal eram anestésicas e pediram-lhes que relatassem as eventuais alterações na intensidade da dor. Tomografias do cérebro revelaram que as áreas neurais associadas às reacções de dor, stress, recompensa e emoção libertaram endorfina, um analgésico natural que se comporta como opiáceo. Esta reacção do organismo ocorreu ao mesmo tempo que os voluntários relataram a diminuição da intensidade da dor e do desconforto. Estão planeados novos testes envolvendo voluntários do sexo feminino e pacientes que sofrem de dores crónicas.

Imagem: Dor (www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/dor.gif)

Fontes: Sci-Am, Journal of Neuroscience

música: Sometimes Always (Mazzy Star & Jesus and Mary Chain)

publicado por V.A.D. às 02:06
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007

Linguagem - parte 3

Admitimos que os nossos  antepassados hominídeos comunicavam principalmente através de grunhidos, urros e guinchos, sabiamente produzidos pelo hemisfério direito do cérebro e por uma área dos lobos frontais, designada giro angular, ligada às emoções. É também aceite que mais tarde desenvolveram um sistema gestual rudimentar que se tornou gradualmente mais elaborado e complexo. É fácil imaginar como o movimento da mão para puxar alguém para perto pode ter progredido para um aceno do género "venha cá". Se esses gestos fossem traduzidos, através da sincinesia, em movimentos da boca e dos músculos da face, e se as expressões guturais fossem canalizadas em simultâneo, o resultado pode ter sido o surgimento das primeiras palavras articuladas. Contudo, palavras articuladas não são frases. A linguagem é, para além de palavras, sintaxe. É preciso que um conjunto de regras para o uso dos termos seja respeitado, para que se possa construir um discurso coerente. É possível que a evolução do uso das ferramentas tenha desempenhado um papel importante nesta questão. Imaginemos a construção de um machado: primeiro é necessário encontrar uma pedra adequada, depois há que afiar a mesma, e em seguida há que anexar um cabo... Isto assemelha-se ao encaixe de cláusulas gramaticais dentro de sentenças grandes. As zonas frontais do cérebro, que se desenvolveram em função do uso cada vez mais intensivo de artefactos, podem ter sido mais tarde assimiladas para um função completamente nova: unir palavras em frases. Nem todas as subtilezas da linguagem moderna podem ser explicadas por estes elementos, mas é possível que estes esquemas tenham tido um papel fundamental na colocação em movimento da habilidade da comunicação verbal.

Imagem: Grito (www.ucm.es/info/especulo/numero31/memopal1.jpg)

Fonte: Sci-Am

música: My Love (Zucchero)

publicado por V.A.D. às 01:27
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Segunda-feira, 12 de Março de 2007

Linguagem - parte 2

A linguagem humana envolve uma série de partes distintas do encéfalo. As  zonas sensoriais especializadas na visão e na audição, situadas na parte posterior do cérebro, estão interligadas com áreas motoras específicas na parte frontal do cérebro  que participam no acto da fala. Uma forte inflexão visual ou um som áspero induzem a área do controle motor da fala a produzir uma inflexão igualmente intensa da língua no palato. O cérebro tem regras pré-existentes para a tradução do que vemos e ouvimos em movimentos da boca. Além disto, uma forma semelhante de activação cruzada ocorre também entre duas zonas motoras próximas: a que controla a sequência dos movimentos musculares para a movimentação das mãos e a que gere a musculatura facial, e em particular os músculos da boca. O efeito que daí resulta é chamado de sincenesia; como Charles Darwin salientou, quando cortamos papel com uma tesoura, os nossos maxilares podem-se cerrar e descerrar, imitando o movimento das mãos, sem que tenhamos disso consciência. A gesticulação pode ter preparado o terreno para a comunicação verbal...

Imagem: Grito (Guayasamin) (www.ecodeal.com/images/12556_Guayasamin-Grito-30x40_thumb.jpg)

Fonte: Sci-Am 

música: Ain't Talking (Bob Dylan)

publicado por V.A.D. às 00:32
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Sábado, 10 de Março de 2007

Linguagem - parte 1

De que forma teria a linguagem surgido? Imaginem um líder de um grupo de hominídeos numa reunião tribal a dizer: "Olhem todos; isto é uma banana. Agora repitam comigo: ba-na-na." É claro que esta hipótese é ridícula, mas pelo menos espero que tenha tido o mérito de vos fazer sorrir. Sem Dúvida, os nossos ancestrais apresentavam um conjunto de capacidades que preparou o terreno para a comunicação verbal sistemática. A facilidade de construir metáforas, pela percepção de ligações profundas entre coisas dissimilares e aparentemente não relacionadas deve ter contribuido de forma preponderante para a emergência da linguagem. Os humanos têm também uma propensão inata para associar certos sons a formas visuais específicas, importante factor para a criação de um vocabulário. Além disso, áreas específicas do cérebro, que processam as formas visuais dos objectos, letras, números e sons de palavras podem ser activadas entre si, levando as pessoas a achar, por exemplo, que formas pontiagudas pussuam nomes com rispidez sonora, da mesma forma que os sons produzidos por uma inflexão gradual dos lábios sugerem imagens com feitios arredondados.

Imagem: Quando questionados sobre qual das duas figuras é uma bouba e qual é uma kiki, 98% dos entrevistados escolhem o borrão como sendo a bouba e a outra como sendo a kiki.

Fonte: Sci-Am

música: Whenever I Say Your Name (Mary J. Blige ft Sting)

publicado por V.A.D. às 02:25
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Domingo, 4 de Março de 2007

Cognição

Sem passado não se antecipa o futuro. Não há futuro sem memória. A actividade cerebral que decorre quando especulamos sobre o futuro é muito similar àquela que decorre quando recordamos eventos passados. Para que possamos imaginar aquilo que irá acontecer, necessitamos de um contexto por nós conhecido. Tomemos como exemplo o nosso próximo aniversário. Só conseguimos ter uma ideia de como vai ser porque recordamos o evento do ano anterior. Assim, o cortex frontal, centro da antecipação, associa-se ao hipocampo, centro da memória, para conjecturar os acontecimentos que hão-de vir. Isto explica o motivo pelo qual as crianças com menos de 5 anos e as pessoas que sofrem de amnésia revelam tantas dificuldades nesta matéria. Os ontens ajudam a construir os nossos amanhãs...

"Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana"

Marguerite Yourcenar

Imagem: Mente (www.mirpod.com/IMG/arton2039.jpg)

Fonte: Science & Vie


publicado por V.A.D. às 03:22
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

O Cérebro

A memória e a sua sede, o cérebro, sempre foram uma fonte de enigmas e perplexidades e desde a mais remota antiguidade, sempre fascinaram os filósofos, poetas e cientistas. Há 2400 anos, o grego Hipócrates, pai da medicina, identificou o encéfalo como centro dos pensamentos. Na mesma época, Platão comparou a memória a um bloco de cera em que ficavam gravadas as lembranças. Shakespeare (1564-1616) chamou o cérebro de "frágil morada da alma". No século XVIII, o orgão era comparado às rodas e engrenagens de uma máquina; mais tarde, a um emaranhado circuito eléctrico. Hoje, e mantendo a anologia com as novidades tecnológicas do momento, tende-se a ver o cérebro como um computador electroquímico. A parte mais substancial do conhecimento que hoje se tem sobre este assunto tem vindo a ser adquirida nas últimas três décadas, com a aplicação da tecnologia que permite analisar e medir o funcionamento da mente em pleno funcionamento. de todos os orgãos do corpo, o cérebro é, de longe, o mais complexo. Contém milhares de milhões de células nervosas, os neurónios, e cada um deles é capaz de comunicar-se com milhares de outros, formando uma rede frente à qual o mais sofisticado microprocessador não passa de um engenho rudimentar. Os neurónios são células dotadas basicamente de um corpo e diversos prolongamentos: um longo, chamado axónio, e várias ramificações curtas, as dendrites. O axónio, também ramificado na extremidade, termina em pequenos bulbos denominados terminais nervosos. A comunicação entre os neurónios faz-se através das sinapses, minúsculos espaços entre os terminais nervosos do do neurónio que emite a mensagem, e dendrites do neurónio que a recebe. Impulsos eléctricos no primeiro levam-no a libertar na fenda sináptica moléculas de neurotransmissores, substâncias químicas que carregam a mensagem para o segundo neurónio. Este, ao receber tais moléculas, sofre um desiquilíbrio eléctrico e também dispara moléculas de neurotransmissores para o neurónio seguinte. Deste modo, a mensagem viaja de célula para célula até ao seu destino: da periferia do corpo para o cérebro, ou vice-versa. Mas o trabalho dos neurónios não pode ser entendido como se eles fossem meras estações retransmissoras de sinais químicos. O cérebro também contém substâncias capazes de alterar, ou modular, os efeitos dos neurotransmissores. Essas substâncias, os neuromoduladores, interferem na libertação de neurotransmissores, por parte da célula emissora, ou na resposta da célula receptora. Este é o processo electroquímico básico que faz o cérebro funcionar. A mente é uma rede de neurónios, na qual são criados e viajam conceitos, ideias, imagens, sons, memórias, e onde chegam as informações vindas do mundo exterior, para serem processadas e analisadas, apreciadas ou repudiadas.

Imagem: Cérebro (http://community.corest.com/images/cerebro.gif)

música: Nights in White Satin (The Moody Blues)

publicado por V.A.D. às 01:03
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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

Deuses, Profetas e Neurologia

Haverá alguma explicação satisfatória que possa ser entendida, pelo menos parcialmente, para a origem das religiões? Conheceremos, por acaso, um mecanismo que consiga converter diferentes géneros de percepções ou de memórias em deuses? Se considerarmos o conhecimento adquirido nas últimas décadas sobre a estrutura cerebral, verificamos que diferentes partes do cérebro controlam aspectos diferentes do comportamento humano. Nos esquizofrénicos e em alguns epilépticos existe uma distinta falta de coordenação entre os dois hemisférios cerebrais, podendo o lado esquerdo ser uma fonte de mensagens que, depois de processadas de forma inadvertidamente  pelo lado direito, são interpretadas como vozes de outras pessoas, ou tomam a forma de alucinações visuais. Examinando a literatura religiosa e épica dos Antigos, verifica-se uma semelhança notável entre o processo de criação mitológica e religiosa dos nossos antepassados, e o processo de alucinação auditiva e visual que caracteriza a esquizofrenia. Em A Ilíada, por exemplo, o famoso poema épico de Homero sobre a guerra de Troia, os heróis nunca tomam uma decisão por si próprios, nem nunca ponderam um problema. A resposta é sempre considerada como vinda directamente de um deus. No auge da batalha, Aquiles é interrompido pela deusa da guerra Atena, que lhe diz para atacar um determinado inimigo. As vozes ouvidas pelos profetas, os escritos ditados por deus, as musas que inspiram os poetas, as ordens emitidas por falecidos... Devemos considerar a hipótese de tudo isto ser um produto de mentes alteradas por distúrbios neurológicos...

Imagem: Atena (www.nicoli-sculptures.com/im/atena.jpg)

Fonte: Enigmas Eternos

música: Where is my mind (Pixies)

publicado por V.A.D. às 02:02
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

Fantasmas e Neurologia

Ver fantasmas por encomenda é possível! Uma jovem mulher de 22 anos, sem antecedentes psiquiátricos, fez a experiência. No quadro de um tratamento de epilépsia, pesquisadores da Escola Politécnica de Lausanne implantaram eléctrodos no seu cérebro, de forma a estimular a junção temporo-parietal. A paciente "sentiu" então a presença de uma pessoa atrás dela, que a atacava.  Esta zona cerebral está implicada na percepção da individualidade e na distinção entre o "si mesmo" e os outros. Uma vez hiperactivada, as suas "engrenagens" perturbam-se. Torna-se sem dúvida mais fácil compreender os esquizofrénicos, que têm frequentemente a sensação de ver fantasmas."

Tradução de artigo da Science & Vie Nº 1072, página 21

Imagem: Saberme Fantasma ( www.educared.org.ar/tamtam/jmages/saberme-fantasma.jpg )

Quantos fenómenos percepcionados, e tidos como sobrenaturais, não se poderão dever a distúrbios neurológicos pontuais?

música: Tubular Bells - Mike Oldfield

publicado por V.A.D. às 01:15
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