Segunda-feira, 28 de Maio de 2007

Futuro Infinito

A ficção científica, mais do que qualquer outro género literário, reflecte o facto incontornável de vivermos num universo em constante mudança. Embora estabeleça estereótipos, são daquilo que um dia poderá acontecer ou aconteceu, ou ainda daquilo que podia ter acontecido, mas constituem sempre apresentações de uma forma modificada do mundo. As atitudes que viermos a tomar nos próximos anos virão a ser cruciais para o destino do nosso planeta e da própria humanidade. Começámo-nos a aperceber disso há já algumas décadas, primeiro pela tomada de consciência do perigo nuclear, e ultimamente pela percepção de que as alterações climáticas, em grande parte provocadas pela acção humana, podem ser fatais. Se quisermos, enquanto espécie, sobreviver para o Futuro Infinito que alguns autores conseguiram insuflar nos nossos sonhos, teremos de prestar uma profunda atenção política ao que fazemos com os produtos da ciência e com os seus indesejáveis derivados. Sendo inegável que a ficção científica tem tido um papel importante na divulgação de possíveis cenários catastróficos, não pode desempenhar apenas a função de uma Cassandra, nem pintar sempre um quadro distópico do que há-de vir, pois uma dieta constante de pessimismo e horror seria digerível apenas para um misantropo. A divulgação de histórias de homens dominando a natureza por meio dos seus recursos, e a fé de que a humanidade saberá transpor os obstáculos que se lhe possam deparar, são dois dos motivos que me levam a apreciar tanto este género tão mal-amado.

Imagem: Cassandra (www.kzu.ch/fach/as/aktuell/1999/risk/images_risk/cassandra.jpg)

música: Imitation Of Life (R.E.M.)

publicado por V.A.D. às 00:38
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007

Contos do Insólito

“Amo a noite com paixão, com um amor instintivo, profundo, invencível. Amo-a com todos os meus sentidos, com os olhos que a vêem, com o olfacto que a respira, com os ouvidos que a escutam em silêncio, com toda a minha carne que as trevas acariciam. As calhandras cantam ao sol, ao ar azul e quente, ao ar ligeiro das manhãs claras. O mocho foge na noite, mancha negra que passa através do espaço escuro e, alegre, embriagado pela negra imensidade, solta o seu grito vibrante e sinistro. O dia cansa-me e entedia-me. È brutal e ruidoso. Levanto-me a custo, visto-me com lassidão, saio com mágoa, e cada passo, cada movimento, cada gesto, cada palavra, cada pensamento cansa-me como se levantasse um fardo esmagador. Mas quando o sol desce, uma alegria confusa, uma alegria de todo o meu corpo invade-me. Desperto, animo-me. À medida que a sombra aumenta, sinto-me outro diferente, mais jovem, mais forte, mais vivo, mais feliz. Vejo a grande sombra suave caída do seu a espessar-se: afoga a cidade, como uma onda imperceptível e impenetrável; oculta, apaga, destrói as cores e as formas. (…) Um impetuoso, um invencível desejo de amar acende-se-me nas veias.”

Excerto de A Noite, de Guy de Maupassant, um dos melhores contistas franceses de sempre. Nascido em 1850, viria a falecer aos 42 anos, após tentativa de suicídio, resultante de perturbações causadas pela sífilis. Em parte da sua vasta obra, Maupassant envereda pela exploração do terror e do macabro, em óbvio paralelismo com a sua própria descida ao inferno da loucura.

Imagem: Noite (www.konect.org/blog/images/nuit.jpg)

música: Numb (Linkin Park)

publicado por V.A.D. às 02:28
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

O livro Das Maravilhas

“Ia só, subindo lentamente a muralha da Serra D’Aire que defendia os terrenos de Fátima, a quem os árabes deram o nome da filha do profeta e de Khadidja, e onde os Templários esconderam o seu tesouro. O tempo de Verão estava carregado de nuvens e de electricidade, prenúncio de trovoadas que podiam surgir do céu de chumbo. Não se via vivalma. À volta das habitações restavam os inúteis quebra-lobos para proteger o gado doméstico desaparecido destas paragens. Os deuses originários do Médio Oriente elegeram esta imensa ilha de pedra encalhada na península Ibérica para as aparições dos seus enviados, certamente pelas semelhanças que nela encontraram com o seu berço, porque não descortino outra razão para fazer dela uma terra quase eleita, quando é acima de tudo inóspita e, de entre os homens, apenas seduz os desesperados peregrinos. Seriam deles as sombras que pressentia moverem-se atrás das rochas, quando me julgavam a olhar para outro lado? Era uma experiência desagradável sentirmo-nos debaixo da observação de sentinelas, mesmo num local que se presumia de paz e de bênçãos.”

Excerto de O Livro Das Maravilhas, de Carlos Vale Ferraz, natural de Vila Nova da Barquinha, Santarém. Nesta obra, Gerberto, o protagonista, viaja O longo de um caminho que atravessa alguns dos locais mais marcantes do Ocidente, perseguindo aquilo que move o homem europeu ao longo do último milénio: a procura da glória e da riqueza, tantas vezes marcada pela solidão e pela vilania. Ferraz é autor de romances como Nó Cego e Os Lobos Não Usam Coleira, tendo este último sido adaptado para o cinema sob o título de Os Imortais.

Imagem: Medina Azahara (www.espacionatural.com/4images/data/media/134/Medina_Azahara.jpg)

música: I Am MIne (Pearl Jam)

publicado por V.A.D. às 02:17
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Sábado, 12 de Maio de 2007

A Prisão de Areia

“Ao pôr-do-sol, no momento em que o brilho avermelhado, reflectido pelas dunas na linha do horizonte, iluminava as fachadas brancas dos edifícios abandonados, Bridgman observou da varanda as longas extensões de areia fria, cobertas pelas sombras púrpuras. Estendiam lentamente os dedos esguios pelos montes e vales e uniam-se, quais massas prodigiosas salpicadas de raios fosforescentes, para acabarem por invadir os hotéis meio submersos como uma onda gigante. Por detrás das fachadas silenciosas, nas ruas empedradas cobertas de areia, onde outrora resplandeciam bares e restaurantes, já era noite. O luar era de prata sobre os candeeiros e incidia nas persianas corridas e cornijas como uma camada de névoa gelada. Os últimos laivos de luz violeta afundavam-se para lá do horizonte e os primeiros ventos começavam a soprar.”

Excerto de A Prisão de Areia, de James Graham Ballard, proeminente escritor inglês da Nova Vaga da ficção científica. As histórias de Ballard incidem muitas vezes sobre a distopia da modernidade: a desolação de uma Natureza minada pela acção impensada do homem e as implicações psicológicas de desenvolvimentos sociais, ambientais e tecnológicos pouco sustentados. É interessante verificar que quase meio século depois da sua publicação, Passaporte para o Eterno, a colectânea onde se insere este conto, continua plena de actualidade.

Imagem: Dunas ao Crepúsculo (www.terragalleria.com/images/np-rockies/grsa0303.jpeg)

música: Blue Monday (Nouvelle Vague)

publicado por V.A.D. às 02:41
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Sábado, 5 de Maio de 2007

Histórias Sobrenaturais

“De cada vez que a colher tornava a cair no cálice repleto de licor incendiado, os objectos desenhavam-se nas paredes com formas desconhecidas, com tonalidades inauditas, desde os velhos profetas de barba branca, até às caricaturas que povoam as paredes das oficinas, e que pareciam um exército de demónios como se vêem nos sonhos, ou como os agrupava Goya. Enfim, a calma brumosa e fresca do exterior contemplava o fantástico do interior. Acrescentai a isto que de cada vez que nos fitávamos, aparecíamos uns aos outros com rostos de um verde acinzentado, olhos fixos e brilhantes como carbúnculos, lábios pálidos e faces encovadas. (…) Toda a gente sofreu como nós a influência das salas vastas e tenebrosas, como as descreve Hoffman, como as pinta Rembrandt, toda a gente sentiu, pelo menos uma vez, estes temores sem causa, estas febres espontâneas ao avistar objectos a que o raio pálido da Lua ou a luz incerta de um candeeiro emprestam uma forma misteriosa; toda a gente se encontrou num quarto grande e sombrio, ao lado de um amigo, a escutar um conto inverosímil, sentindo aquele terror secreto que podemos fazer cessar num ápice acendendo um candeeiro ou conversando sobre outra coisa: o que fugimos de fazer, tanto o nosso pobre coração precisa de emoções, sejam elas verdadeiras ou falsas.”

Excerto de História de um Morto, Contada por Ele Próprio, inserida na colectânea Histórias Sobrenaturais, de Alexandre Dumas (pai). Nome importante da literatura de todos os tempos, foi autor de obras sobejamente conhecidas, como Os Três Mosqueteiros, ou O Conde de Monte Cristo. Após ter escrito os seus mais célebres dramas e romances históricos, inicia-se na literatura do fantástico e do sobrenatural, aí reflectindo sobre o bem e o mal, e interrogando-se sobre as forças obscuras que podem actuar e residir no ser humano.

música: Fade To Grey (Nouvelle Vague)

publicado por V.A.D. às 03:22
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Domingo, 29 de Abril de 2007

Os Possessores

“A memória dos Possessores era vasta, mas não o suficiente para abranger as suas origens. Em determinada altura teriam tido vida própria; havia, porém, uma eternidade, séculos agora incontáveis, que a sua vida estava ligada às vidas, para eles evanescentes, dos Possessos. Sem estes não poderiam agir nem pensar; através deles, eram os senhores deste mundo frio. Ergueram cidades sobre o gelo, manobraram estranhas embarcações através dos vastos desertos de neve, conquistaram, por fim, os gélidos céus nublados. Tudo isto fizeram, vivendo nos corpos dos Possessos a quem, num momento, se uniram, libertando-os do seu primarismo. Não que desprezassem os anfitriões, seus escravos; de certo modo, e tanto quanto o termo pudesse ter algum significado na sua experiência, gostavam deles.”

Excerto de Os Possessores, de John Christopher, um dos sete heterónimos de Samuel Youd, escritor inglês de ficção científica, nascido em 1922. Muitos dos seus romances abordam o tema dos eventos catastróficos, na linha de autores como H.G. Wells ou john Wyndham. Colocando o homem comum face a desastres de grande magnitude, geradores de severos problemas para a sociedade e para o mundo, explora a forma como ele e o grupo em que se insere lidam com mudanças radicais. Em Os Possessores, Christopher toca num dos medos mais antigos do Homem: a possessão. Fá-lo, contudo, sob uma perspectiva totalmente diferente da habitual. Não são demónios ou espíritos os responsáveis pela intrusão no corpo e na mente do hospedeiro, mas sim seres materiais, de origem extra-terrestre, que evoluíram no sentido da aquisição dessa capacidade e que, ao fim de incontáveis gerações, dependem em exclusivo dela para a sobrevivência da espécie.

Imagem: Possessão (www.vademecum.com.br/er/PosessaoThumb.jpg)

música: Heard Somebody Say (Devendra Banhart)

publicado por V.A.D. às 02:12
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

A Teia do Tempo

“Foi então que vi a jovem. Estava junto à porta, a não mais de três metros de distância, a falar com o gerente. Eu nunca a tinha visto. Tinha a certeza disso, mas o meu subconsciente disse-me que a conhecia. Ela tinha olhos grandes, escuros, bem colocados no tipo de rosto oval que os mestres flamengos punham somente nos anjos mais belos. Os cabelos dela eram escuros, de cor indeterminada sob a luz mortiça do café, dobravam-se suavemente sobre o pescoço e os ombros e desciam até rodear-lhe o fundo das costas. Estava vestida com uma espécie de túnica que tornava terrivelmente feminina a sua figura arrapazada. Ao fim de alguns minutos soube de onde a conhecia. Na minha juventude, durante um extenso período de leitura de literatura romântica, eu salvara aquela garota de tudo, desde cavaleiros maldosos até dragões terríveis em muitos sonhos meio recordados. Aquela era a rapariga que falava aos unicórnios; o símbolo da pureza e graça que eu jurara servir quando fizera os meus votos de lealdade e ficara de vigília com a minha espada durante uma longa noite. (…) Aquela era a rapariga dos meus sonhos.”

Excerto de A Teia do Tempo (The Unicorn Girl, no original), de Michael Kurland, escritor norte-americano nascido em 1938. Esta é uma obra invulgar no domínio da ficção científica, pelo seu humor e fina crítica social. Mas é também um dos trabalhos mais profundos que têm sido escritos sobre a possibilidade da existência de trilhos temporais alternativos.

Imagem: Ampulheta (www.oraculartree.com/spagnollo_Ampulheta.jpg)

música: Time (Allan Parson's Project)

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Domingo, 22 de Abril de 2007

Viagem Espacial - parte 1

Gosto de pensar que, tão logo evoluiu a ponto de sentir-se aquecido, alimentado, abrigado e em segurança, o Homem passou a acalentar a ideia de voar. Erguer-se nos ares como um pássaro parecia fantástico, mas visitar a Lua e aqueles pontos de luz no céu, este era, na realidade, o verdadeiro sonho. Talvez o primeiro relato de uma aventura assim tenha sido escrito por Luciano de Samósata, satirista grego do segundo século da era cristã que, na sua obra Uma História Verdadeira, descreve uma viagem ao nosso satélite natural. Por centenas de anos, no entanto, ninguém chegou a compreender as imensas distâncias envolvidas nas viagens espaciais, nem o facto de que o espaço é essencialmente vazio. O entendimento do céu começou com Copérnico, que no século XVI mapeou o movimento dos planetas em torno do Sol. Um século mais tarde, Galileu salientou a importância das distâncias no espaço. Kepler calculou as órbitas elípticas dos corpos do Sistema Solar, e Isaac Newton formulou as suas leis do movimento, fornecendo a base teórica necessária para a criação de sistemas de propulsão no espaço sideral. Três pioneiros resolveram pragmaticamente os problemas básicos do voo espacial: o russo Konstantin Tsiolkovsky, o americano Robert Goddard e o alemão Hermann Oberth. Na literatura, Júlio Verne, no seu romance de 1865 Da Terra à Lua, e H.G. Wells em Os primeiros Homens na Lua, publicado em 1901, anteciparam algumas das aventuras por vir.

Imagem: Da Terra à Lua (http://orbita.starmedia.com/~conde_vargas/verne2.jpg)

 

música: Eye In The Sky (Allan Parson's Project)

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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Mundos Sem Fim

"Não nos compreendemos, nem sequer sabemos qual é o nosso propósito. Experimentámos dispositivos para nos explicarmos, dispositivos materialistas, dispositivos espirituais e aplicações de lógica pura, que de resto estava muito longe da pureza, e mesmo assim só nos conseguimos enganar. Foi isso essencialmente o que conseguimos. Rimo-nos de coisas que não compreendemos, substituindo o conhecimento pelo riso, usando o riso como uma máscara que esconde a nossa ignorância, como uma droga aplacadora da nossa eterna sensação de pânico. Chegámos até a procurar conforto no misticismo, resistindo com unhas e dentes à explicação do misticismo, pois só enquanto permanecesse como tal, inexplicado e enigmático, é que nos poderia confortar. Recorremos à fé e lutámos para evitar que a fé se transformasse em factos, pois de acordo com o nosso pensamento retorcido a fé era mais poderosa que a realidade."

Adaptação de trecho de Mundos Sem Fim, de Clifford D. Simak. Escritor norte-americano de ficção científica, ganhou diversos prémios atribuidos regularmente a obras do género. Iniciou a sua carreira em 1931, escrevendo para as Pulp Magazines. Posteriormente, foi colaborador regular das Astounding Stories, revista onde publicou em 1935 o conto The Creator, que viria a dar origem ao livro homónimo publicado em 1946. A escrita de Simak vai do estilo contemplativo ao terror puro, e aborda muitas vezes questões religiosas em simultâneo com as viagens no tempo e para um tempo paralelo.

música: Numb (Linkin Park)

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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

Multidão

"Permanecendo sereno e  completamente quieto, tentou descortinar os rostos na multidão. Aos seus olhos, como pareciam inertes e inúteis! Acotovelavam-se, sem dúvida, passando por ele e uns pelos outros, sem pressas, porque havia muito pouco espaço. (...) As suas roupas eram descoloridas e iguais. Era difícil distinguir os homens das mulheres. Os seus contornos, os seus rostos e a sua linguagem corporal estavam de algum modo indistintos. Descobriu que mantendo a sua cabeça rígida e permitindo que os seus olhos se desfocassem podia de facto observar as faces individuais: homem, mulher, jovem, velho, escuro, claro, ocidental, oriental. (...) E no entanto todos avançavam sem expressão; não apenas sem expressão, mas aparentemente sem a facilidade de poder ter expressões. Rostos abstratos. Cercando-o por todos os lados encontrava-se uma imensa sociedade obscura (...) completamente sem ambição ou objectivo. Eram como fantasmas (...) a marchar pelas ruas enevoadas, tentando ainda articular a infelicidade..."

Excerto de A Sociedade das Trevas de Brian Aldiss, nome incontornável no universo da ficção científica. Grandemente influenciado por H.G. Wells, é autor de Inteligência Artificial, conto que viria a ser adaptado para o cinema sob a direcção de Steven Spielberg.

Imagem: Multidão

música: Confusion (Nouvelle Vague)

publicado por V.A.D. às 02:02
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