Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Estrela de Neutrões

Quando uma estrela com uma massa cerca de oito vezes maior que a do Sol atinge o fim da sua vida, esgotando o combustível usado na reacção termonuclear de fusão, a transformação de matéria em energia cessa abruptamente. O astro deixa de poder manter o precário equilíbrio entre a força expansiva dos fotões e a acção gravidade. A estrela entra subitamente em colapso e, durante esse processo, a energia cinética de biliões de átomos é transformada em energia térmica, provocando uma imensa explosão. Durante algumas semanas, o brilho ofuscante de uma supernova pode ser tão intenso quanto o de mil milhões de estrelas. Neste estertor de morte, grande parte da massa original é expulsa para o espaço, originando uma nebulosa; a matéria remanescente aglomera-se num núcleo com uma massa equivalente a uma vez e meia a do nosso Sol, e que se contrai pela força gravítica, suficientemente forte para que o colapso não seja detido pela pressão de degenerescência dos electrões. Os átomos deixam de ter nuvens electrónicas; os electrões são empurrados para o núcleo e obrigados a interagir com os protões, formando neutrões. Só nesta situação se atinge um novo equilíbrio, pois dois neutrões não podem ocupar o mesmo espaço. A estrela tem agora cerca de duas dezenas de quilómetros de diâmetro e é tão densa que uma colher de chá desta matéria, tão estranha ao senso comum, pesaria na Terra 100 milhões de toneladas. Quando o conceito de estrela de neutrões foi proposto por Subramanyan Chandrasekhar na década de 1930, a maioria dos astrónomos ridicularizou a ideia. Mas, com o advento de telescópios que podem detectar ondas de rádio, raios-X e infravermelhos, os nossos olhos abriram-se para o Universo invisível.

Imagem: Explosão (www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/explosao.jpg)

música: Time Is Running Out (Muse)

publicado por V.A.D. às 03:04
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Privilégio - parte 2

Embora o hidrogénio seja o elemento mais comum no Universo, bem como no Sol e na nuvem que deu origem ao sistema solar, ele foi, em grande parte, varrido das cercanias da nossa estrela; consequentemente, os planetas terrestres são formados quase inteiramente pelos elementos restantes. Até mesmo a Terra é composta de elementos que perfazem menos de 1% da composição da nuvem primordial, retendo apenas uma fracção ínfima do seu hidrogénio original. A maior parte deste elemento encontra-se combinado com o oxigénio, formando a camada de água que domina o nosso planeta. Além de possuir água, a nossa pequena “casa” rochosa possui uma atmosfera rica em oxigénio. Estas características estão inter-relacionadas e dependem da nossa posição no Sistema Solar: a relativa proximidade em relação à nossa estrela fez da Terra um planeta rochoso; o exacto diâmetro da órbita terrestre determina a natureza da nossa atmosfera e dos oceanos. Para a origem da vida, a abundância de água em estado líquido e o equilíbrio da atmosfera foram de fundamental importância. A manutenção à superfície de temperaturas entre os pontos de ebulição e congelamento da água, graças à localização privilegiada do nosso planeta, é condição essencial para a existência da vida tal como a conhecemos.

Imagem: Terrania (www.xr.pro.br/SOLARNIATERRANIA/TERRANIATHUMB.JPG)

música: I'm Only Happy When It Rains (Garbage)

publicado por V.A.D. às 01:42
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Privilégio - parte 1

Uma das grandes maravilhas do Universo é a existência de vida no planeta Terra. Deve-se esse facto apenas a um feliz acaso, constituindo um evento singular em todo o Cosmos, ou será a vida o produto de uma correcta combinação de factores – temperatura certa, quantidade adequada de radiação e presença de determinadas substâncias químicas? Podemos encontrar uma pista para a solução desse enigma ao tentar reconstituir as prováveis condições do nosso planeta, quando surgiram as primeiras formas de vida. A formação dos planetas deu-se a partir da nuvem de gás e poeira em contracção, que também deu origem ao Sol e aos demais astros do sistema. Na génese planetária concorriam duas forças opostas: de um lado, a atracção gravítica tendia a juntar aglomerados de matéria; de outro, a radiação cada vez mais intensa emanada da jovem estrela, situada no centro da nuvem, agia no sentido de quebrar esses aglomerados, fazendo com que os elementos mais leves mais leves e mais voláteis fossem vaporizados e lançados no espaço. O parâmetro crítico era a distância de cada protoplaneta em relação ao Sol. Quanto mais perto estivesse, mais sujeito estaria ao intenso calor solar, e mais facilmente ocorreria a volatilização e perda dos elementos mais leves. Os quatro planetas mais próximos da nossa estrela, Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, são chamados de planetas terrestres por serem todos esferas sólidas e rochosas, envoltas em ténues camadas gasosas. A distâncias maiores, a radiação recebida era menor e os elementos mais leves tinham condições de se juntar e formar compostos gasosos que se manteriam agregados pela acção da gravidade. Desta forma, foi possível a formação dos quatro planetas gigantes – Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno – constituídos quase inteiramente de gases envolvendo um pequeno núcleo rochoso.

Imagem: Disco Protoplanetário (www.genciencia.com/images/20060406_protoplanetas_pulsar.jpeg)

música: Once Upon A Time (Air)

publicado por V.A.D. às 01:55
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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Discos

Olhe para o céu numa noite clara e tente divisar alguns dos planetas visíveis a olho nu. Se localizar três ou mais, perceberá que eles se alinham numa estreita faixa circular que se estende pelo céu. Essa faixa inclui a eclíptica, o percurso aparente do Sol através das constelações do zodíaco. A Via Láctea também traça um grande círculo no céu, mas numa posição diferente. Tais traçados não são casuais. Os planetas do Sistema Solar giram em torno do Sol na mesma direcção e praticamente no mesmo plano. Esta configuração é uma forte evidência de que os planetas se formaram a partir de um disco de matéria em forma de panqueca. Da mesma forma, a maneira como vemos no céu a nossa galáxia indica que também ela tem a forma de disco. Estruturas discóides são comuns no Universo nas mais variadas escalas. Os anéis de Saturno são um exemplo elegante disso mesmo, mas não o único na nossa vizinhança; todos os planetas gigantes do nosso sistema os possuem. Também foram observados discos em torno de muitas estrelas jovens, denominados discos protoplanetários. No caso de algumas estrelas binárias, o gás que escapa de uma delas é capturado pela acção da gravidade da outra e forma um disco, e vai abrindo caminho para a superfície estelar numa espiral estreita que lembra um redemoinho. Acredita-se que estruturas como estas, chamadas de discos de acreção, também existam em torno de buracos negros supermaciços no centro das galáxias. A presença constante dos discos pelo Cosmos faz do seu funcionamento uma questão de grande interesse para a astrofísica. 

Imagem: Saturno (www.ast.cam.ac.uk/public/planets/jpeg/sat/saturn.jpg)

Fonte: Sci-Am

música: Electronic Performers (Air)

publicado por V.A.D. às 01:57
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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Buracos Negros - parte 1

"E aqui, um homem tem poder para dizer: Eis-me...! As mandíbulas da escuridão devoram-no."

William Shakespeare, em Sonho de Uma Noite de Verão

Quando Wheeler forjou o nome "buraco negro" em 1967, não havia nenhuma evidência da astronomia observacional que levasse alguém a acreditar na existência desse fenómeno. De facto, antes de 1964, ainda não tinha havido uma sugestão séria acerca de que evidência procurar. Ocasionalmente em ciência, surge uma teoria que somos levados a considerar como correcta porque tem elegância e um elevado sentido matemático, mesmo que aindam não existam bases experimentais que a comprovem. No caso dos buracos negros, quanto mais os físicos e os matemáticos brincavam com a ideia, tanto mais bela e lógica ela parecia. Quanto mais a combatiam, mais inevitável ela se tornava. É certo que ninguém podia provar que não era verdadeira, mas ainda não passava de uma teoria. Em meados da década de 1960, as soluções que os físicos descobriram para as equações de Einstein tornaram difícil não admitir a existência de buracos negros, mas não deixava de ser intrigante especular sobre o que poderia acontecer a uma estrela demasiado maciça para se transformar numa anã branca ou numa estrela de neutrões...

Imagem: Buraco Negro e Ondas Gravitacionais (http://www.physorg.com/newman/gfx/news/spacetime.jpg

música: The Blinding Sun (Gustavo Santaolalla)

publicado por V.A.D. às 01:43
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Tempo - parte 2

A visão científica do universo é radicalmente diferente daquilo em que acreditavam os cristãos da Idade Média. Contudo, é aceite pela moderna cosmologia a existência de um início do tempo, aquando do Big Bang. O fim é algo muito mais nebuloso; está por determinar se o universo é aberto ou fechado, embora pesquisas datadas dos finais da década de 90 do século XX, baseadas na observação de supernovas extremamente distantes, sugiram que a aceleração da expansão do universo é positiva. Num cosmos em expansão cada vez mais rápida é pouco provável que alguma força possa reverter o processo, sendo assim quase certo que vivemos num universo aberto. No entanto, a hipótese de um universo fechado não pode ser completamente arredada. Se a densidade média for superior à densidade crítica, a gravidade acabará por fazer parar a expansão e forçar a reversão do processo. O cosmos contrair-se-á, e acabará por colapsar sobre si próprio, até que toda amatéria fique concentrada numa singularidade. Dar-se-á aquilo a que se convencionou chamar de Big Crunch. E depois? Não poderá recomeçar tudo? Não poderá ocorrer um outro Big Bang? Não poderão o tempo e o universo ser cíclicos? Não poderia Platão ter tido um vislumbre da verdade?

Imagem: Tiempo (www.bluethinking.com/evam/cpg132/albums/userpics/10001/tiempo.jpg)

música: Moments in Love (Art of Noise)

publicado por V.A.D. às 01:30
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Tempo - parte 1

"Era uma vez, há muito, muito tempo..." Desde a alvorada da humanidade que a história do mundo foi abordada sob a forma de conto: através da mitologia e das histórias passadas de geração em geração, os homens sempre tentaram explicar como tudo começou. A questão do "quando" surgiu muito mais tarde. Nas mentes dos nossos ancestrais, o tempo não havia tido um início; supunham-no eterno, ainda que com ciclos perpétuos de recomeço. Não é a natureza governada por ciclos ininterruptos? A alternância da noite e do dia, a contínua sequência das fases da lua, a dança das estações... Nas mais antigas tradições hindus, que remontam a 4 milénios, o mundo era recreado incessantemente pela meditação do deus Brahma; os astecas supunham regenerar o cosmos através dos sacrifícios humanos. A astronomia antiga, ao colocar a Terra no centro de um universo onde os astros aparentam ser animados de movimentos circulares perfeitos, reforçou essa concepção cíclica. Para os filósofos gregos, como Platão, " o tempo imita a eternidade, desenrolando-se em círculos." Foi o cristianismo que perturbou essa relação antiga entre Homem e tempo: com a Génese, que descreve a criação do mundo em seis dias, e com o Apocalipse, construiu-se uma história linear, feita de eventos únicos e fundadores. O universo passou a evoluir de uma maneira irreversível, desde o seu início até ao seu fim. Passou a haver um tempo inicial e um tempo final. A necessidade de conhecer o "quando" tornou-se inevitável.

Imagem: Brahma (http://mythologiesetlegendes.ifrance.com/brahma.jpg)

música: Unfinished Simpathy (Massive Attack)

publicado por V.A.D. às 00:35
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