Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Artefacto (IX)

“Dei um passo atrás, tranquei-me no laboratório e olhei à minha volta, procurando algo que pudesse servir para contrariar o assalto, óbvio e eminente, daquela criatura inequivocamente alienígena, indubitavelmente em busca do artefacto. Da porta vinha um som rotativo, entremeado de silvos estridentes e agressivos, que se metiam ouvidos adentro como uma broca de dentista, o córtex auditivo protestando veementemente, o corpo reagindo num eriçar de pelos, o medo actuando como gelo sobre a pele. O vermelho do extintor angariou a minha atenção e, num rompante, retirei-o do suporte preso na parede, a tempo de arremessar violentamente à cabeça do intruso que, havendo destruído a fechadura, cruzava a ombreira. Inanimado, o corpo pesado desabou a meus pés, a euforia absurda levando-me à incúria…

O Alto Comando não ignora que até as raças mais fracas podem surpreender, pela obstinada mania de prorrogar o inevitável e pelo empenho que revelam nessa tarefa. Por isso, na retaguarda de um guerreiro, existe sempre outro, decidido a fazer cumprir o plano. E ali estava, à entrada, o executor do serviço inacabado. Não usou a maça nem os punhos: um feixe de luz, de um azul intenso, foi dirigido à nuca do humano…”

V.A.D. em Artefacto

Imagem: Raio de Luz Azul (http://img.teoriza.com/blogs/laser-azul-calentar-cafe-blu-ray.jpg)


publicado por V.A.D. às 03:41
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6 comentários:
De **** a 23 de Dezembro de 2007 às 02:55
"Alto Comando não ignora que até as raças mais fracas podem surpreender" - Algo que devemos aprender destas criaturas. Os alienigenas não cairam nesse erro, não menosprezaram o inimigo. Quanto ao humano pensou rápido, mas falhou ao tomar uma pequena vitória como a definitiva. Pagou um preço, resta saber quão alto foi e acho que, para tal, vou ter de esperar pelo próximo post.
Espero que então descubra o que é esse artefacto...

Beijos e muito boa noite,

Sophia


De V.A.D. a 23 de Dezembro de 2007 às 03:39
Tantas vezes nos convencemos da nossa superioridade, desvalorizando culturas e povos que mal conhecemos... Tantas vezes somos traídos por um ilusório excesso de confiança...
Tinha prometido a mim mesmo dar este conto por concluído, à décima parte, mas deixei-me levar pela escrita e vou ter de deixar o desfecho da história para o décimo primeiro capítulo...
Obrigado, amiga, pela paciência que demonstras e pelas palavras amáveis que sempre me tens dirigido.
Também eu te desejo uma óptima noite e um excelente domingo!

Um beijo... :-)


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