Sábado, 10 de Novembro de 2007

Viagem (III)

“E depois, um som horrível, sibilante e intenso, seguido de um baque surdo. Silêncio. Um silêncio desprezado e doentio. E o recobramento da estrutura dos sentidos, feito de rompante, assustador por me perceber caído no chão, atordoante pelo imediato reconhecimento de uma realidade extravagante mas inequívoca. Não sei se o mesmo acontece com os outros, mas não nego que, desde criança, sempre me senti assombrado pelo excêntrico sonho de conhecer o passado, vendo-o com os meus próprios olhos. Muitos cenários foram debuxados, mas nunca previra o tremendo choque de me ver, de ver um outro eu, um imago feito não de lembranças mas de carne e osso, ocupando o espaço onde antes me encontrava, fazendo o que eu havia estado a fazer… E pensar que os psicólogos se atrevem a falar frivolamente de dissociação de personalidade! A dois ou três metros de mim, quase de perfil, estava o meu verdadeiro alter-ego. Senti-me devorado por profundos temores e recordo-me de ter começado a tremer descontroladamente: haveria lugar num só universo para uma cópia de mim mesmo? E qual de nós seria a cópia…?”

V.A.D. em Viagem.

Imagem: Alter-Ego (original em www.sakisrouvas.gr/_alterEgo/images/poster1.jpg)

música: Out Of Time (Blur)

publicado por V.A.D. às 03:16
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8 comentários:
De A Túlipa a 11 de Novembro de 2007 às 00:15
Se são as viagens que te fazem ter todas estas ideias e pensamentos, não falharei uma viagem.

... Mas poe-se dar o caso de nenhum ser uma cópia, nem nenhum verdadeiro, ou não pode?


De V.A.D. a 11 de Novembro de 2007 às 01:49
Muitas das minhas mais extraordinárias viagens foram feitas através da simples leitura. Como deve ser notório, a ficção científica é um dos meus géneros favoritos, talvez por permitir a criação de mundos fantásticos e de situações pouco ortodoxas.
Comecei a escrever assiduamente há pouquíssimo tempo e não tenho pretensões de me poder comparar sequer ao pior autor do género. Contudo, não nego que me tem dado um prazer enorme colocar por escrito alguns dos meus pensamentos e deixar que a imaginação vá fluindo...

Em relação ao Ego e ao Alter-Ego, a construção da história faz pressupor que ambos existem e são verdadeiros, embora "residindo" em linhas temporais diferentes, linhas essas que, por mero acaso, se cruzam. Isto constitui, obviamente um paradoxo, e é um dos motivos pelos quais se crê que as viagens no tempo (viagens ao passado) nunca passarão de simples especulação.
Na verdade, as viagens ao futuro são reais e estão provadas através de medições com o auxílio de relógios atómicos. Quanto maior for a velocidade a que nos deslocamos, mais o tempo estica... Mas a descrição mais pormenorizada deste facto fica para um qualquer post , a ser escrito num futuro não especificado, eheheheh ... :-)
Espero que o teu domingo seja feito de "viagens" muito agradáveis!

Um beijo... :-)


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