“Fez-se silêncio, novamente, o que correspondia à presença de muitos pequenos ruídos sem significado particular, um mutismo envergonhado, pejado de delicadas e esbatidas sonâncias, cuja origem se situava em todo o meu redor. Escondendo-me no isolamento ciosamente guardado daquele quarto, aproximara-me da janela e olhava, através da tosca vidraça, para aquela noite de uma outra era, bebendo a mansidão tranquilizante de uma cidade às escuras, os telhados desalinhados cobertos por uma fina geada, as ruas serpenteando como rios de leite negro derramado. Para além das muralhas, a silhueta das montanhas destacava-se contra um céu inundado pela fantasmagórica radiação da lua cheia, invulgarmente agigantada, presa à abobada celeste pelos invisíveis fios da gravidade. Um pouco mais à direita, transformado pelo luar num grande cadinho de metal em fusão, o oceano estendia-se até onde o horizonte era a fronteira. Respirei fundo e revi mentalmente aquele dia excepcional. A máquina funcionava: podia recuperar para mim todos os passados perdidos…”
V.A.D. em Viagem.
Imagem: Viagem no Tempo (www.geocities.com/stargateprojectcd/mindtrek.jpg)
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