“Não consegui sequer completar o pensamento. Pois que o tempo efectivamente ludibriou-me, esquivando-se desabridamente, deixando-me inane de raciocínios e saciado de sensações. Tudo o que havia já experimentado, dor e êxtase, alegria e pesar, ódio e amor, raiva e tranquilidade, tudo se afunilou numa imensa torrente, barulhenta e embriagante. Toda a luz, toda a cegueira, todas as loucas delícias e todas as infaustas desilusões estavam condensadas naquele infernal instante sintético. A totalidade do que já havia conhecido parecia esfaquear a minha sanidade, a seiva da lucidez esvaindo-se a cada golpe… Parecia-me que balançava entre a vida e a morte, sem perceber a eternidade. Séculos de séculos, vidas depois, tive de novo consciência da minha natureza humana. Reconheci instantaneamente a semi-obscuridade tranquila do meu quarto e aquietei-me com um compassado e ténue som de respiração. Ainda com o coração a bater aceleradamente, virei-me para procurar o aconchego do corpo dela encostado ao meu. Abracei-a e adormeci, enquanto me tentava persuadir de que tudo aquilo não passara de um mero pesadelo. Teria sido apenas isso…?”
V.A.D. em Os Outros.
Imagem: Vórtice (www.robotpegasys.com/alienswfs/abcfiles/vortex.jpg)
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