“Constatação. Olho à minha volta, e vejo o infinito em todas as direcções. Ou talvez a infinitude seja uma mera ilusão. Não tenho a certeza, ninguém a tem. Poderá algo finito ser ilimitado? Naufraguei a meio das planuras cósmicas, e nem a clareza das ideias sobreviveu ao violento abalo. Não há botes salva-vidas, nem foguetes tonitruantes. Vejo-me só, destituído de confiança, infecto de negros temores, a racionalidade cedendo lentamente, vergando-se ao imensurável peso dos inóspitos parsecs, inanes e gélidos como só o vácuo dos abismos pode ser. Perturbação. Maldita coisa, esta que me aconteceu! Apetece-me chorar de raiva, mas não sei contra quem me rebelar. Palavras espumadas e vociferadas escorrem da minha boca como fel sulfuroso e corrosivo, enquanto a fúria que me queima por dentro é descarregada nas paredes daquela ilha minúscula e derivante. Resignação. Devagarinho, as energias esvaem-se e uma letargia pardacenta e fosca apossa-se das fibras vacilantes de mim. Nada vale a pena; nem a violenta vontade de destruir o último refúgio. Não há ânimo nem forças. Imobilizo-me e fecho os olhos, incapaz de suportar a visão do nada, penetrando a janela de plexiglass. Solução. Dormi um sono isento de imagens e de sons. Vivo aquela calma agoirenta e silenciosa dos condenados. Nada me resta, a não ser esperar calmamente o fim, preenchendo o vazio conforme puder…”
V.A.D. em Naufrágio.
Imagem: Preenchendo o Vazio (www.authorsden.com/adstorage/13724/void.jpg)
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