Impávido, assistia a certa distância àquele desfile serpenteante e rocambolesco, tempestuoso e caótico, cheio de sons, cores e cheiros, feito de personagens envergando lustrosos trajes ou despidas de tudo. Peles de todas as cores, ou não estivessem as emoções à flor da pele. Rostos de todos os feitios, manifestando alegria ou tristeza, ódio ou amor, uns alheados, como que indiferentes a tudo, outros ostentando a falsa firmeza de quem pretende conhecer uma estranha coreografia em constante alteração. Corpos frágeis e engelhados, vergados sob o peso de indizíveis adversidades, arrastavam-se num esforço sobre-humano, fazendo por manter a compostura, enquanto bobos espalhafatosos cabriolavam como loucos, sacudidos por risos espasmódicos e delirantes. Havia quem dançasse, havia quem mantivesse um passo firme. Via-me em muitos dos trejeitos daquelas figuras tão familiares. Também eu vinha da noite dos tempos, também os alicerces do meu ser assentavam sobre mil milhões de anos, minúsculo pedaço de uma eternidade que nem todas as mentes juntas conseguem abarcar. Embora tivesse parado para o observar, também eu era parte do cortejo da vida…
Imagem: Desfile
(original:http://www1.istockphoto.com/file_thumbview_approve/3016604/2/istockphoto_3016604_crowded_street.jpg)
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