“Precisa de lá voltar, quer beber daquela água, nenhuma outra lhe mitiga a sede, um fascínio inigualável atraindo-o como se um extraordinário magnetismo exercesse um absoluto poder sobre a sua vontade. Necessita de regressar àquele lugar maravilhoso, onde o Tempo se escoa estranhamente depressa, mas onde cada instante assume contornos de eternidade. Nesse local, onde cada gesto adquire uma relevância inigualável, onde as utopias se realizam, a vida deixa de lhe parecer complicada, cada olhar alcançando a infinitude de um horizonte sem limites, cada toque convertendo-se num imenso oceano de sensação e sentimento. É um sítio indefinível, sem norte nem coordenadas, figuração de uma plenitude inenarrável, a Ultima Thule de um novo mundo de emoções…”
“Agora, as inenarráveis imagens que se vinham formando no córtex visual apresentam-se-me transmutadas numa realidade tangível, os sentidos despertos inundando a minha mente de impressões avassaladoras, a delonga havendo servido para tornar a flama latente numa deflagração incontidamente transbordante. Agora, os mais ínfimos recantos da minha mente são preenchidos por sensações de uma beleza e profundidade inimaginadas, um rio caudaloso transportando-me na correnteza dos estímulos até à foz de todos os êxtases… Agora, deslizo tranquila mas avidamente para um sonho de penumbras, as suaves luzinhas engastadas no tecto de madeira fitando-me num desafio atrevido, a música tocando baixinho num sensual e provocante murmúrio, a antecipação provocando o saboroso frémito que me percorre todo o corpo em intensos afluxos sanguíneos, numa espécie de ânsia roubada ao próprio desejo. Agora, descubro os sabores exóticos de especiarias, numa sinestesia de afagos, descortino a silhueta da incontida paixão nas feromonas que me dominam a existência, diluo-me na cálida e tempestuosa harmonia de uma entrega absoluta…”