Sábado, 21 de Abril de 2007

HGM

Para os biólogos, cada indivíduo é parte integrante do passado, presente e futuro da espécie humana. O património genético comum a todos é transmitido de geração em geração, assim como tudo o que foi descoberto, inventado e realizado. Os meios para a transferência da informação são, obviamente distintos. O registo da história é feito numa base inventada pelo Homem, enquanto que a própria história da evolução da espécie está gravada no seu genoma. No futuro, será lógico supor que, através da compreensão do funcionamento do genoma humano, a humanidade, devido à sua natureza técnica e cultural, desejos e ambição, venha a mudar radicalmente a informação genética, de forma a tentar melhorar as condições de vida das futuras gerações. O desenvolvimento de novas ferramentas para o diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças depende de um conhecimento profundo dos cromossomas e de aproximadamente 25000 genes. Num futuro não muito distante, certas doenças serão descritas com precisão através de trechos do código genético, e o tratamento será feito com uma proteína a ser introduzida nos cromossomas do paciente. Chegará o dia em que seremos capazes de criar, clonar e inserir no nosso genoma os genes que nos interessam, muito genes, talvez milhares deles. Eles ampliarão em centenas de vezes os nossos recursos biológicos de sobrevivência. E nessa altura, o Homem deixará de ser Homem: passará a chamar-se Homem Geneticamente Modificado. É um bocadinho assustador, não é?

Imagem: Genoma www.invdes.com.mx/BancodeImagenes%5Cgenoma.jpg)

música: Old and Wise (Allan Parson's Project)

publicado por V.A.D. às 01:44
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Thinking Blogger Award

O meu blog foi nomeado para o Thinking Blogger Award. Agradeço à InsideOut, ao Notasenroladas e à InMyWay a gentileza, e agradeço a todos o que o lêem a paciência demonstrada.

Cabe-me agora a tarefa de nomear outros blogs. Os nomeados devem copiar o selo correspondente e afixá-lo na barra lateral dos seus blogs. Peço aos donos dos mesmos que tenham a amabilidade de nomear cinco blogs, criando um post para esse efeito.

Os meus cinco nomeados são, por ordem alfabética:

http://arquitextura.blogs.sapo.pt

http://insideout.blogs.sapo.pt

http://notasenroladas.blogs.sapo.pt

http://partilhadesentimentos.blogs.sapo.pt

http://tnt.blogs.sapo.pt

Deixo os meus cumprimentos aos outros bloggers que costumo ler, e a todos em geral.

 

música: Don´t Answer Me (Allan Parson's Project)

publicado por V.A.D. às 01:27
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Privilégio - parte 2

Embora o hidrogénio seja o elemento mais comum no Universo, bem como no Sol e na nuvem que deu origem ao sistema solar, ele foi, em grande parte, varrido das cercanias da nossa estrela; consequentemente, os planetas terrestres são formados quase inteiramente pelos elementos restantes. Até mesmo a Terra é composta de elementos que perfazem menos de 1% da composição da nuvem primordial, retendo apenas uma fracção ínfima do seu hidrogénio original. A maior parte deste elemento encontra-se combinado com o oxigénio, formando a camada de água que domina o nosso planeta. Além de possuir água, a nossa pequena “casa” rochosa possui uma atmosfera rica em oxigénio. Estas características estão inter-relacionadas e dependem da nossa posição no Sistema Solar: a relativa proximidade em relação à nossa estrela fez da Terra um planeta rochoso; o exacto diâmetro da órbita terrestre determina a natureza da nossa atmosfera e dos oceanos. Para a origem da vida, a abundância de água em estado líquido e o equilíbrio da atmosfera foram de fundamental importância. A manutenção à superfície de temperaturas entre os pontos de ebulição e congelamento da água, graças à localização privilegiada do nosso planeta, é condição essencial para a existência da vida tal como a conhecemos.

Imagem: Terrania (www.xr.pro.br/SOLARNIATERRANIA/TERRANIATHUMB.JPG)

música: I'm Only Happy When It Rains (Garbage)

publicado por V.A.D. às 01:42
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Privilégio - parte 1

Uma das grandes maravilhas do Universo é a existência de vida no planeta Terra. Deve-se esse facto apenas a um feliz acaso, constituindo um evento singular em todo o Cosmos, ou será a vida o produto de uma correcta combinação de factores – temperatura certa, quantidade adequada de radiação e presença de determinadas substâncias químicas? Podemos encontrar uma pista para a solução desse enigma ao tentar reconstituir as prováveis condições do nosso planeta, quando surgiram as primeiras formas de vida. A formação dos planetas deu-se a partir da nuvem de gás e poeira em contracção, que também deu origem ao Sol e aos demais astros do sistema. Na génese planetária concorriam duas forças opostas: de um lado, a atracção gravítica tendia a juntar aglomerados de matéria; de outro, a radiação cada vez mais intensa emanada da jovem estrela, situada no centro da nuvem, agia no sentido de quebrar esses aglomerados, fazendo com que os elementos mais leves mais leves e mais voláteis fossem vaporizados e lançados no espaço. O parâmetro crítico era a distância de cada protoplaneta em relação ao Sol. Quanto mais perto estivesse, mais sujeito estaria ao intenso calor solar, e mais facilmente ocorreria a volatilização e perda dos elementos mais leves. Os quatro planetas mais próximos da nossa estrela, Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, são chamados de planetas terrestres por serem todos esferas sólidas e rochosas, envoltas em ténues camadas gasosas. A distâncias maiores, a radiação recebida era menor e os elementos mais leves tinham condições de se juntar e formar compostos gasosos que se manteriam agregados pela acção da gravidade. Desta forma, foi possível a formação dos quatro planetas gigantes – Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno – constituídos quase inteiramente de gases envolvendo um pequeno núcleo rochoso.

Imagem: Disco Protoplanetário (www.genciencia.com/images/20060406_protoplanetas_pulsar.jpeg)

música: Once Upon A Time (Air)

publicado por V.A.D. às 01:55
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Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Mundos Sem Fim

"Não nos compreendemos, nem sequer sabemos qual é o nosso propósito. Experimentámos dispositivos para nos explicarmos, dispositivos materialistas, dispositivos espirituais e aplicações de lógica pura, que de resto estava muito longe da pureza, e mesmo assim só nos conseguimos enganar. Foi isso essencialmente o que conseguimos. Rimo-nos de coisas que não compreendemos, substituindo o conhecimento pelo riso, usando o riso como uma máscara que esconde a nossa ignorância, como uma droga aplacadora da nossa eterna sensação de pânico. Chegámos até a procurar conforto no misticismo, resistindo com unhas e dentes à explicação do misticismo, pois só enquanto permanecesse como tal, inexplicado e enigmático, é que nos poderia confortar. Recorremos à fé e lutámos para evitar que a fé se transformasse em factos, pois de acordo com o nosso pensamento retorcido a fé era mais poderosa que a realidade."

Adaptação de trecho de Mundos Sem Fim, de Clifford D. Simak. Escritor norte-americano de ficção científica, ganhou diversos prémios atribuidos regularmente a obras do género. Iniciou a sua carreira em 1931, escrevendo para as Pulp Magazines. Posteriormente, foi colaborador regular das Astounding Stories, revista onde publicou em 1935 o conto The Creator, que viria a dar origem ao livro homónimo publicado em 1946. A escrita de Simak vai do estilo contemplativo ao terror puro, e aborda muitas vezes questões religiosas em simultâneo com as viagens no tempo e para um tempo paralelo.

música: Numb (Linkin Park)

publicado por V.A.D. às 01:28
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Sistema Imunológico

Cada organismo abriga milhões de substâncias que, de certa forma, são apenas suas, e de nenhum outro ser vivo. Todo o sistema imunológico específico se concentra na capacidade que as células imunitárias têm de distinguir as proteínas produzidas pelas células do próprio corpo, das proteínas produzidas por invasores ou por células sob o controle de vírus. Este enorme exército de células especializadas em segurança tem como função identificar e destruir os estranhos. Durante a gravidez, inclusive, estes guardiães são aquartelados para não rejeitarem o “intruso” no útero materno, evitando assim o aborto. O enigma do sistema imunológico tem vindo gradualmente a ser desvendado pela medicina, que reconhece a sua importância fundamental, quer em relação às doenças infecciosas, quer em relação ao cancro, às cirurgias, aos transplantes e até à própria morte. Contudo, este sistema é somente um dos mecanismos biológicos usados para manter em equilíbrio constante o aparato bioquímico da vida. É formado no embrião a partir do intestino ainda em desenvolvimento e a sua acção apoia-se em dois tipos de células: Os linfócitos B e T. Ambos em complexa e estrita cooperação, inibem e estimulam a acção recíproca, através de substâncias que produzem e com as quais reagem. Lidam ainda com outras células, os macrófagos, e o seu objectivo último é absorver, perfurar ou eliminar os estranhos, sejam vírus, bactérias ou substâncias. A saúde é mantida através de uma luta sem fim, na qual o organismo utiliza as armas de que dispõem contra as hordas de invasores que o assolam. O funcionamento deste incrível sistema pode ser afectado por coisas aparentemente distantes. A fome, a tensão, o excesso de tabaco e de álcool podem abrir seriamente os flancos deste exército benigno.

Imagem: Linfócito T (www.jornada.unam.mx/2006/12/08/ls-tratamientos.html)

música: Private Investigation (Dire Straits)

publicado por V.A.D. às 00:57
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Domingo, 15 de Abril de 2007

Planeta Terra

Ao longo de incontáveis gerações, os seres humanos não tiveram consciência da magnitude e da beleza do planeta que habitavam. Conheciam um pouco da terra sobre a qual se deslocavam, mas apenas dentro dos limites da pequena área em que viviam. Quantos homens das zonas interiores jamais viram o mar, e quantos homens das planícies nunca conheceram as montanhas! Mas, vivessem onde vivessem, todos eles viam o céu nocturno, cravejado de pontos luminosos, alguns deles em configuração fixa, e outros mudando de lugar a cada noite. Só recentemente é que os humanos descobriram que essas luzes errantes encerram vastas paisagens, tão reais quanto aquelas que os rodeiam. Durante centenas de anos examinaram esses mundos através de telescópios, mas só há poucas décadas é que os mistérios do Sistema Solar começaram a ser realmente desvendados. As luzes do firmamento tornaram-se territórios detalhados e compreensíveis. Repetidas vezes, à medida que uma nave espacial cruzava o espaço rumo a um planeta, os humanos viam um ponto luminoso que crescia lentamente até se tornar uma esfera e depois um planeta pleno de contornos, texturas e cores; algumas vezes, os detalhes continuavam a crescer até que, quando o engenho tocava o solo, os humanos podiam inclusive individualizar as pedrinhas da superfície. Chegaram à Lua e correram os olhos por campos de poeira acinzentada, alternados com crateras e extensões de pó vermelho, cobertas de rochas. Testemunharam súbitas tempestades de poeira sobre Marte, a perpétua tempestade que assola Vénus e os furacões de Júpiter. Mas as imagens mais surpreendentes foram as de um planeta que ninguém havia visto antes a cruzar a escuridão do espaço…

Imagem: Terra Vista da Lua (http://cache.eb.com/eb/image?id=65046&rendTypeId=4)

música: Look On Down From The Bridge (Mazzy tar)

publicado por V.A.D. às 21:35
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Sábado, 14 de Abril de 2007

Giger

"O mundo antropomórfico, o reino do Homem, aproxima-se do fim. A sua adoração e o seu despotismo, a glorificação da sua auto-estima e do seu meio, a "arte para a arte" e a "arte pela arte" estão ultrapassadas. A autonomia humanística e o automatismo surrealista só podem combater o declínio total através de uma conversão radical. (...) O Homem está a perder o seu lugar central na arte. Só após a falência do homem autónomo é que este reconhecerá que não é idêntico à falsa imagem que sacrilogamante criou de si mesmo. Mas se o Homem renunciar à imensa vaidade, se se conceber como uma ínfima parte do infinito, poderá encontrar o lugar que lhe compete. Então poderá dar-se a humanização e a identidade, na época da materialização, do tédio, do distanciamento. A glória do Homem, com as suas consequências - a sua destruição e a sua escravidão - é a decadência. É primordial que o Homem se liberte do peso das suas pretensões indevidas para criar um mundo orientado por uma ordem mais eterna."

Carl Lazlo, em Panderma 4, 1959

Imagem: Debbie II de H.R.Giger (www.giger.cz/17.html)

De nacionalidade suíça, H.R. Giger é um pintor, escultor e desenhador de cenários, galardoado com um oscar em 1980 pelo seu trabalho no filme Alien. Durante toda a sua carreira, Giger tem criado estranhas paisagens de pesadelo, contendo imagética com conotações sexuais e representações de corpos humanos e maquinismos, interligados numa simbiose surreal e fria. As suas obras, consideradas perturbadoras por muitos, são talvez extensões de uma desordem do sono que o atormenta com terrores nocturnos. 

música: Little By Little (Groove Armada)

publicado por V.A.D. às 02:23
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Perspectivação

Os astrónomos do antigo Egipto aprenderam a prever a época das cheias do Nilo, pela observação de um pontinho luminoso no céu, a estrela Sirius. Hoje sabemos que esse pontinho é um sol, entre os cem mil milhões existentes na nossa galáxia, alguns deles muito maiores do que o nosso. Rigel, por exemplo, irradia tanta energia que, se posto no lugar do nosso Sol, simplesmente evaporaria a Terra. Hoje acompanhamos o movimento dos corpos celestes que antes julgávamos estáticos. Sabemos que o próprio Sistema Solar se move no espaço, mas numa órbita tão lenta que, apenas meia volta atrás, os dinossáurios eram os senhores do nosso mundo. Através de radiotelescópios, vivemos a surpresa de ver pontos nebulosos a se definirem como densos agrupamentos de estrelas; o que pareciam ser meras manchas gasosas no Cosmos, revelam-se gigantescas e incandescentes fábricas de estrelas. Avistadas por Fernão de Magalhães em 1519, durante a sua viagem de circunavegação, as manchas luminosas que viriam a ser designadas por Nuvens de Magalhães, são na verdade duas galáxias anãs, satélites da Via Láctea, ela própria integrante do chamado Grupo Local, um aglomerado de 37 galáxias que abrange uma extensão de 4 milhões de anos-luz. Pelo Universo fora, são incontáveis estes aglomerados… Se os limites do nosso saber foram tão dilatados em tão poucos séculos, como poderemos não admitir que a aventura do conhecimento humano ainda mal começou?

Imagem: Aglomerado de Galáxias (www.if.ufrgs.br/~thaisa/matesc/matesc_arquivos/image020.jpg)

música: The Killing Moon (Nouvelle Vague)

publicado por V.A.D. às 02:14
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

Relativização

O Homem já se sentiu no centro do Universo, por dominar o que parecia ser um enorme planeta, com oceanos, montanhas, rios, florestas e desertos imensos. Hoje essa sensação parece pretensiosa e arcaica, mas vigorava há não muito tempo. Curiosamente, os avanços do conhecimento humano, se por um lado expandiram a nossa consciência, por outro reduziram a nossa importância aparente. Hoje sabemos que a humanidade só assumiu o seu papel previlegiado sobre a face da Terra depois de 135 milhões de anos de domínio do planeta por grandes e aparentemente pouco inteligentes animais. Sabemos que vivemos num grão de poeira na vastidão do Cosmos. No entanto, do confronto entre o que já descobrimos e aquilo que há por saber, sobrevive uma desafiadora questão: se o que julgávamos grande se revelou pequeno, onde residirá o limite do efectivamente incomensurável? "Tudo é relativo." Ao contrário do que muitos pensam, esta não é uma súmula do pensamento de Einstein. É uma constatação do senso comum para qualquer observador da história da humanidade.

Imagem: Galáxias em Colisão (http://origins.jpl.nasa.gov/universe/images/modern-universe.jpg)

música: Also Sprach Zarathustra (Richard Strauss)

publicado por V.A.D. às 01:36
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