Terça-feira, 20 de Março de 2007

Alfabeto - parte 1

Como seria o nosso mundo sem escrita? Não existiriam livros, jornais e cadernos escolares; não existiriam blogs, e eu não estaria aqui a escrever este texto. Nem nos conseguimos imaginar a viver num mundo sem anúncios luminosos, sem computadores, sem tecnologia. A escrita permitiu que a informação e a experiência deixassem apenas de poder ser transmitidas de forma oral, e passassem a ser registadas de forma mais ou menos permanente. Sem o advento da escrita é quase impossível imaginar a civilização.

O alfabeto é para nós algo familiar, e por isso quase ninguém pensa de onde vieram realmente as letras que hoje utilizamos, que não apareceram espontaneamente, mas que foram objecto de um longo processo de desenvolvimento. O nosso alfabeto é o ponto culminante de uma escrita que começou há 3500 anos na península do Sinai. Lá, os semitas criaram, em parte com base nos hieróglifos, as formas das letras do chamado alfabeto proto-sinaítico. Desta escrita arcaica e ainda muito pictórica, desenvolveu-se posteriormente o alfabeto fenício. Exportada por comerciantes e navegadores para a Grécia, essa forma de escrita continuou a modificar-se, pela mão dos etruscos e dos romanos, até chegar ao nosso alfabeto actual.

Imagem: Sinaítica (www.egiptomania.com/jeroglificos/articulo/imagen/sinaitica1.gif)

Fonte: Sci-Am

música: Forbidden Colors (Ryuichi Sakamoto)

publicado por V.A.D. às 02:36
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Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Chicxulub - parte 2

O acontecimento de Chicxulub foi verdadeiramente dramático. Aniquilou mais de 75% das espécies animais e vegetais da Terra e acabou com a era dos dinossáurios. Uma das forças mais destrutivas resultantes do impacto foi a ignição de vastos incêndios, que varreram a maioria dos continentes e dizimaram habitats críticos. Ao colidir, o asteróide ou cometa foi obliterado e partes da crosta terrestre foram vaporizadas, criando uma nuvem de fogo e detritos que, com crescente velocidade, se elevou da cratera e subiu como um foguete através da atmosfera. Expandindo-se até uma altitude de 100 a 200 quilómetros, penetrou no espaço e envolveu o planeta inteiro. Os materiais começaram então a cair, por influência da gravidade, atravessando a atmosfera de regresso ao solo, com quase a mesma energia com que tinham sido lançadas de Chicxulub. As partículas iluminaram o céu como milhares de milhões de meteoros, aquecendo um grande volume da atmosfera. Muitos vieram a incendiar a vegetação de vastas porções do globo, em particular nas áreas sul e central da América do Norte, no centro da América do Sul, no centro de África, no subcontinente indiano e no sudoeste da Ásia. Dependendo da trajectória do objecto de impacto, os incêndios podem também ter atingido a Austrália e a Europa.

Felizmente, nem todas as zonas foram afectadas de igual forma. Bem longe do local de impacto, a norte, muitas espécies sobreviveram. A partir desses nichos, a vida recuperou o planeta.

Imagem: Extinção K-T (http://dramatic-environments.com/db3/00229/dramatic-environments.com/_uimages/Set-upKTmedCropweb.jpg)

música: Air in C (Bach)

publicado por V.A.D. às 00:11
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Domingo, 18 de Março de 2007

Animação Suspensa - parte 1

A possibilidade de preservar a vida humana num estado reversível de animação suspensa sempre fascinou os escritores de ficção científica. Há muitas histórias em que as personagens adormecem durante séculos, em longas viagens interestelares ou durante catástrofes terrestres, para acordarem então sem terem sido afectadas pela passagem do tempo. Esta ideia é interessante, mas a sua premissa parece ser biologicamente improvável. Na realidade, nós, humanos, não parecemos ser capazes de alterar o nosso processo de envelhecimento durante a vida. É impossível suspender a actividade das nossas células, assim como é impossível parar de respirar por mais do que uns poucos minutos sem causar danos graves aos nossos órgãos vitais. No entanto, há na natureza muitos organismos que param os seus processos vitais de forma reversível; em alguns casos por muitos anos. Os cientistas deram vários nomes a esse fenómeno - torpor, hibernação, estivação, e outros - mas todos representam, na verdade, graus diferentes de animação suspensa: uma redução drástica tanto da produção de energia (metabolismo) quanto do consumo dela (actividade celular). Além disso, os organismos que se encontram nesse estado apresentam uma extraordinária resistência a temperaturas extremas, à privação de oxigénio e até mesmo a ferimentos.

Imagem: Animação Suspensa (http://img.search.com/thumb/e/ed/Lis-tos-02.jpg/300px-Lis-tos-02.jpg)

Fonte: Sci-Am

música: Time Is Running Out (Muse)

publicado por V.A.D. às 00:41
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Sábado, 17 de Março de 2007

Tecnologia Espacial

Durante a sua longa e frutuosa vida, o filósofo inglês Bertrand Russell foi sábio e céptico o bas tante para desconfiar da "conquista do espaço". Temia que os mais abjectos motivos estivessem por detrás dos multimilionários programas soviético e norte-americano para tornarem possível os vôos espaciais. Russell não viveu o suficiente para ver que também levamos para o espaço coisas boas, capazes de melhorar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Mas, o filósofo poderia contra-argumentar que os notáveis avanços científicos e tecnológicos gerados pelas actividades espaciais ainda estão longe de conter tendências irracionais e destrutivas. E teria alguma razão. O espaço não é mais que um reflexo da Terra, e se cá em baixo continuam a haver tantas divergências e conflitos, não seria de esperar que lá no alto as coisas fossem totalmente diferentes. Não tenho ilusões utópicas acerca de uma actividade que tem uma forte componente militar e política, a par de uma outra eminentemente comercial. Contudo, temos hoje a nosso favor uma cultura civilizatória, que encontra eco nas democracias ocidentais. Embora as órbitas do nosso planeta não estejam livres de acções bélicas capazes de constituir uma ameaça, as formas predominantes de cooperação espacial procuram difundir competências entre cada vez mais países, por forma a possam dar a sua contribuição à conquista do espaço e não se limitem a ser consumidores de produtos alheios. As parcerias inter-governamentais estão a levar para o espaço práticas de colaboração, de convivência  e de trabalho solidário, impensáveis no tempo da guerra fria. A exploração espacial é encarada como forma de promover o conhecimento, através de uma vertente puramente científica, cada vez mais preponderante. Isto teria agradado a Russel. Agrada-me.

Imagem: I.S.S. (http://static.howstuffworks.com/gif/space-station-iss.jpg)

música: Lazy Moon (Groove Armada)

publicado por V.A.D. às 02:47
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Metáforas

"Que uma pessoa tenha de falar acerca da mente em metáforas é lamentável, mas inevitável. Nem a linguagem comum nem a científica nos faculta um idioma no qual a Natureza e as obras do espírito possam ser descritas convenientemente. Quase não é possível dizer qualquer coisa sobre ela excepto por metáforas e símiles tirados do mundo material que podemos ver e tocar. (...) Como se os materiais psicológicos hereditariamente dados fossem uma porção de barro para o escultor lhe dar forma, uma porção de brita e alvenaria para ser transformada pelo arquitecto numa casa. E até onde este símile acentuou a crua natureza caótica do que é dado, e a importância no processo da sua conversão numa personalidade em qualquer coisa como tratamento artístico, serviu bastante bem. Mas a arquitectura e a escultura existem no espaço e são o mesmo nos diferentes momentos do tempo. Os seres humanos habitam o tempo, bem como o espaço, e variam de momento para momento. Os materiais de uma personalidade, hereditariamente dados, são caóticos no tempo, não no espaço. As pedras com as quais o arquitecto fará a sua casa jazem dispersas no espaço. Os materiais psicológicos com que o indivíduo tem de construir a sua personalidade são descontínuos no tempo. Para se criar uma personalidade, uma pessoa tem de descobrir algum princípio de continuidade, uma pessoa tem de planear uma estrutura ideal, onde os materiais naturalmente descontínuos possam encaixar-se harmoniosamente. Brechas temporais separam os elementos de uma personalidade; a estrutura deverá colmatar estes abismos do tempo. O princípio da continuidade deve actuar como uma espécie de cimento, no qual os elementos divididos pelo tempo estão assentes."

Excerto de Sobre a Democracia e Outros Estudos, de Aldous Huxley, ensaísta e romancista britânico. Na sua vasta obra escrita, debruça-se essencialmente sobre as humanidades,  e dá especial ênfase aos sistemas políticos baseados no autoritarismo. O seu romance mais conhecido, Admirável Mundo Novo, é uma contra-utopia pessimista, em que é usada a ficção científica para a descrição de um mundo organizado segundo uma estrita hierarquia e dominado por uma ditadura genética.

Imagem: Frame of Mind (www.abcdigitalart1.hpg.ig.com.br/deaddreamer/FrameOfMind1024.jpg)

música: Walk This World (Heather Nova)

publicado por V.A.D. às 01:29
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007

Linguagem - parte 3

Admitimos que os nossos  antepassados hominídeos comunicavam principalmente através de grunhidos, urros e guinchos, sabiamente produzidos pelo hemisfério direito do cérebro e por uma área dos lobos frontais, designada giro angular, ligada às emoções. É também aceite que mais tarde desenvolveram um sistema gestual rudimentar que se tornou gradualmente mais elaborado e complexo. É fácil imaginar como o movimento da mão para puxar alguém para perto pode ter progredido para um aceno do género "venha cá". Se esses gestos fossem traduzidos, através da sincinesia, em movimentos da boca e dos músculos da face, e se as expressões guturais fossem canalizadas em simultâneo, o resultado pode ter sido o surgimento das primeiras palavras articuladas. Contudo, palavras articuladas não são frases. A linguagem é, para além de palavras, sintaxe. É preciso que um conjunto de regras para o uso dos termos seja respeitado, para que se possa construir um discurso coerente. É possível que a evolução do uso das ferramentas tenha desempenhado um papel importante nesta questão. Imaginemos a construção de um machado: primeiro é necessário encontrar uma pedra adequada, depois há que afiar a mesma, e em seguida há que anexar um cabo... Isto assemelha-se ao encaixe de cláusulas gramaticais dentro de sentenças grandes. As zonas frontais do cérebro, que se desenvolveram em função do uso cada vez mais intensivo de artefactos, podem ter sido mais tarde assimiladas para um função completamente nova: unir palavras em frases. Nem todas as subtilezas da linguagem moderna podem ser explicadas por estes elementos, mas é possível que estes esquemas tenham tido um papel fundamental na colocação em movimento da habilidade da comunicação verbal.

Imagem: Grito (www.ucm.es/info/especulo/numero31/memopal1.jpg)

Fonte: Sci-Am

música: My Love (Zucchero)

publicado por V.A.D. às 01:27
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Chicxulub - parte 1

Quase todos sabemos que foi o impacto de um cometa ou asteróide que trouxe o fim abrupto da era dos dinossáurios. Menos conhecido, entretanto, é exactamento como eles, e tantas outras espécies, se extinguiram e como os ecossistemas se conseguiram reconstituir. A magnitude do evento foi muito além das agressões regulares com que os seres vivos se confrontam. O corpo celeste em rota de colisão flamejou pelo céu a mais de 40 vezes a velocidade do som. Era tão grande que quando a sua borda inferior tocou o solo, a sua parte superior estava à altura de cruzeiro de um avião comercial. O impacto produziu uma explosão equivalente a 100 milhões de milhões de toneladas de TNT, uma libertação de energia maior do que qualquer evento ocorrido no planeta nos 65 milhões de anos que se passaram desde então. Os remanescentes da colisão jazem debaixo da floresta tropical do Iucatão, das ruinas maias de Mayapán e das águas do Golfo do México. A cratera, chamada de Chicxulub, tem aproximadamente 180 kms de diâmetro e é circundada por uma falha circular de 240 kms, aparentemente produzida quando a crosta terrestre reverberou com o choque do impacto. A realidade às vezes supera a ficção na sua capacidade de surpreender e assombrar. É o caso, em relação a esta catástrofe natural. Ela destruiu um mundo e abriu caminho para um novo...

Imagem: Asteróide (www.universetoday.com/am/uploads/2004-0514asteroid-lg.jpg)

música: New Star In The Sky (Air)

publicado por V.A.D. às 01:52
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

Música

O vibrante crescente de uma orquestra pode-nos encher de lágrimas ou provocar arrepios na espinha. A música adiciona emoção nos filmes. Os pais cantam suaves cantigas para adormecer os bebés. Quando ouvimos um tema antigo, vêm-nos à mente imagens da nossa juventude, e sentimos a melancolia de um passado que foi o nosso. A música cerca-nos, e estamos ligados a ela. Este apego tem raízes profundas; o Homem faz música desde o alvorecer da cultura. Mais de 30000 anos atrás, os nossos ancestrais já tocavam flauta feita de osso, instrumentos de percussão e certos tipos de harpa. Todas as sociedades conhecidas do mundo tinham ou têm algum tipo de expressão musical. Na verdade, o nosso gosto pela música parece ser inato. Os bebés de apenas dois meses de idade já se voltam na direcção de sons harmoniosos e agradáveis, e tentam afastar-se dos dissonantes. Quando ouvimos aquele tema especial, nos faz arrepiar, os centros de prazer activados no cérebro são os mesmos que são estimulados quando comemos chocolate, ou quando mantemos relações sexuais.  A música é universalmente amada e singularmente poderosa na sua capacidade de tanger as cordas da emoção...

Imagem: Screen Music (http://home.wangjianshuo.com/archives/2003/10/16/screen-music-by.jianshuo.png)

música: Indaco Dagli Occhi Del Cielo (Zucchero)

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Segunda-feira, 12 de Março de 2007

Linguagem - parte 2

A linguagem humana envolve uma série de partes distintas do encéfalo. As  zonas sensoriais especializadas na visão e na audição, situadas na parte posterior do cérebro, estão interligadas com áreas motoras específicas na parte frontal do cérebro  que participam no acto da fala. Uma forte inflexão visual ou um som áspero induzem a área do controle motor da fala a produzir uma inflexão igualmente intensa da língua no palato. O cérebro tem regras pré-existentes para a tradução do que vemos e ouvimos em movimentos da boca. Além disto, uma forma semelhante de activação cruzada ocorre também entre duas zonas motoras próximas: a que controla a sequência dos movimentos musculares para a movimentação das mãos e a que gere a musculatura facial, e em particular os músculos da boca. O efeito que daí resulta é chamado de sincenesia; como Charles Darwin salientou, quando cortamos papel com uma tesoura, os nossos maxilares podem-se cerrar e descerrar, imitando o movimento das mãos, sem que tenhamos disso consciência. A gesticulação pode ter preparado o terreno para a comunicação verbal...

Imagem: Grito (Guayasamin) (www.ecodeal.com/images/12556_Guayasamin-Grito-30x40_thumb.jpg)

Fonte: Sci-Am 

música: Ain't Talking (Bob Dylan)

publicado por V.A.D. às 00:32
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Domingo, 11 de Março de 2007

A Ilha do Dia Antes

"Não vejo na natureza nenhum motivo para acreditar em Deus. Nem sou o único. Estrabão diz que os Galicianos não tinham nenhuma noção de um ser superior. Quando os missionários tiveram de falar de Deus aos indígenas das Índias Ocidentais, conta-nos Acosta, tiveram de usar  palavra espanhola Dios. Não acreditareis, mas na sua língua não existia nenhum termo adequado. Se a ideia de Deus não é conhecida na natureza, deve portanto tratar-se de uma invenção humana... Mas não me olheis como se eu não tivesse sãos princípios e não fosse um fiel servidor do meu rei. Um verdadeiro filósofo não pretende de modo algum subverter a ordem natural das coisas. Aceita-a. Só pretende que o deixem cultivar os pensamentos. (...) Para outros, é uma sorte que existam papas e bispos para reter as multidões da revolta e do crime. A ordem do estado exige uma uniformidade do comportamento, a religião é necessária ao povo e o sábio deve sacrificar parte da sua independência para que a sociedade se mantenha firme. E para impedir que a sua língua seja arrancada. E para evitar ser queimado numa fogueira."

Excerto de A Ilha do Dia Antes, de Umberto Eco. Escritor e filósofo italiano, é autor de diversos romances históricos, entre os quais O Nome da Rosa, obra que viria a ser adaptada ao cinema.

música: Arrefece (Mesa)

publicado por V.A.D. às 02:49
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