Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

Homo Floresiensis

Em 2004, na ilha de Flores, Indonésia, paleontólogos indonésios e australianos descobriram, na gruta de Liang Bua, restos fossilizados de um indivíduo de uma espécie até agora desconhecida. Com uma altura de cerca de 1 metro e um volume cerebral de aproximadamente 380 cm³, três vezes menor que o de um homem moderno (Homo Sapiens), este humano gerou enorme polémica. Os cépticos atribuiram as suas características físicas a uma patologia denominada microcefalia, enquanto outros consideraram que o achado representava uma nova espécie, a que atribuiram o nome de Homo Floresiensis. Contudo, em 2005, a mesma equipa de paleontólogos exumou os restos mortais de outros sete indivíduos, que apresentavam os mesmos traços físicos: baixa estatura, cérebro e membros pequenos; as dúvidas dissiparam-se. A datação dos ossos revelou-se também surpreendente, tendo alguns 90000 anos, e outros 12000. Até há bem pouco tempo pensava-se que após a extinção do Homem de Neandertal, há cerca de 27000 anos, só a nossa espécie povoava o planeta. Ninguém supunha que uma outra humanidade pudesse ter coexistido connosco num passado tão recente.

Imagem: Homo Floresiensis

Fonte: Science & Vie

música: Hands of Time (Groove Armada)

publicado por V.A.D. às 01:34
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

Biogeometria

A forma e o tamanho dos animais, particularmente dos de sangue quente, depende em muito da relação entre a superfície e o volume do corpo. Em 1638 Galileu observou que, à medida que um corpo cresce,  a sua superfície aumenta proporcionalmente ao quadrado das suas dimensões lineares, e o seu volume aumenta proporcionalmente ao cubo. Portanto, a massa corporal cresce mais rapidamente que a superfície externa. Um animal maior exerce mais pressão em cada centímetro quadrado da superfície de contacto dos seus membros com o solo do que um um animal menor. Assim, quando cresce, a grossura daas suas pernas deve também aumentar em relação ao tamanho do corpo para que o animal suporte o seu próprio peso e se mova livremente. Se não houvesse esse crescimento proporcional, a força da gravidade e a compressão dos membros acabariam por esmagá-lo. No caso dos animais marinhos, no entanto, a capacidade de flutuar compensa a força gravítica e faz diminuir a necessidade de limitar o tamanho. A relação área/volume também afecta o metabolismo do animal e a sua taxa de perda de calor. Quanto menor for o ser vivo, maior é a superfície exposta em comparação com o volume; mais rápido é o seu metabolismo, de forma a compensar a rapidez com que perde calor. Os animais maiores, com baixa taxa de perda de calor em relação ao que produzem, adaptam-se melhor nas regiões frias. Como exemplo, os mamíferos do Ártico são, em média, maiores que os dos desertos quentes. A estrutura interna é também governada pela relação entre a suprfície externa e o volume. O pequeno tamanho de uma célula, e a grande área da sua membrana relativamente ao volume, permite uma difusão de oxigénio e dióxido de carbono mais rápida e eficiente do que seria possível numa célula maior.

Imagem: Baleia Azul (www.meioambientehp.hpg.ig.com.br/images/azul.jpg)

música: Morning Has Broken (Cat Stevens)

publicado por V.A.D. às 01:59
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

A Pressa

A pressa de viver, a pressa de chegar, a pressa de fazer, a pressa de ter... A pressa, uma das características da vida actual, contagia-nos a todos. Não temos tempo nem para apreciar a paisagens da vida que passam por nós; escapam-se-nos os detalhes e se pararmos para pensar vemos que é nos detalhes mais ínfimos que reside a beleza e a maravilha de viver. Queremos tudo agora, ansiamos pela realização imediata, tanto das nossas aspirações legítimas quanto dos nossos sonhos impossíveis. Vivemos apressadamente insatisfeitos. O tempo é um fluxo inexorável e constante, feito de passado, presente e futuro. O presente é um momento que, embora fugaz, pode ser apreciado através das pequenas coisas feitas sem tempo. Não tenhamos ilusões: o futuro, essa terra incognita , esse lugar oculto, vem aí, e quando ele chega o presente torna-se passado, e os actos condensam-se em memórias, efectivas ou ilusórias... "O meu passado é tudo quanto não consegui ser", escreveu Fernando Pessoa, e será mesmo assim, se fizermos do presente um terreno árido, erodido pelos ventos catabáticos da pressa.

música: Slow Motion (Supertramp)

publicado por V.A.D. às 02:36
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Átomo - parte 1

Aristóteles acreditava que toda a matéria do universo era constituida por quatro elementos fundamentais: terra, ar, fogo e água. Estes elementos sofriam o efeito de duas forças: a gravidade (tendência da terra e da água para descerem) e a levitação (tendência do ar e do fogo para subirem). Acreditava também que a matéria era contínua, ou seja, que podia dividir-se um pedaço de matéria incontáveis vezes, sempre em pedacinhos cada vez mais pequenos, sem que se chegasse a um grão de matéria que não pudesse ser dividido mais uma vez. Demócrito, e alguns outros gregos, asseguravam que a matéria era granulosa e que tudo era constituido por grandes quantidades de várias espécies de partículas indivisíveis, os átomos.

Durante séculos a discussão manteve-se sem qualquer prova efectiva a favor de qualquer dos lados, mas em 1803 o químico e físico britânico John Dalton chamou a atenção para o facto de os compostos químicos se combinarem sempre em certas proporções, o que só podia explicar-se pelo agrupamento de átomos em unidades chamadas moléculas. Contudo, a discussão entre as duas escolas só foi resolvida a favor dos atomistas nos primeiros anos do século XX, e uma das provas foi fornecida por Albert Einstein. Num artigo escrito em 1905, algumas semanas antes do famoso trabalho sobre a relatividade restrita, Einstein demonstrou que aquilo a que se chamava de movimento browniano (o movimento irregular e ocasional de pequenas partículas de poeira suspensas num líquido) podia ser explicado como o efeito da colisão das partículas do fluido com os grãos de poeira.

No entanto, por essa altura, haviam já suspeitas de que os átomos não eram, afinal, indivisíveis...

Imagem: Átomo (http://ixtab.blogia.com/upload/atomo.jpg)

Fonte: Breve História do Tempo, de Stephen Hawking

música: who Am I (Peace Orchestra)

publicado por V.A.D. às 01:47
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