Domingo, 7 de Janeiro de 2007

A floresta invisível

Uma floresta invisível de seres microscópicos ocupa os 200 metros da camada superior dos oceanos, exercendo uma influência tão profunda sobre o planeta quanto as florestas terrestres. As diversas espécies de fitoplâncton que habitam as águas da superfície do oceano - principalmente cianobactérias unicelulares, diatomáceas e outros tipos de algas - formam a base da cadeia alimentar marinha. Responsáveis por aproximadamente metade da fotossíntese da Terra, absorvem tanto dióxido de carbono da atmosfera quanto as plantas terrestres e fornecem aproximadamente metade do oxigénio que respiramos. Sem as actividades destes organismos flutuantes semelhantes aos vegetais, a vida tal como a conhecemos seria impossível. As cianobactérias como as Prochlorococcus foram as primeiras a sintetizar oxigénio no planeta e são, num sentido amplo, as ancestrais de todas as plantas superiores. Apesar do seu tamanho diminuto, com diâmetro de 0,5 a 0,7 mícrons, estes seres causam grande impacto sobre o clima  devido à sua abundância - mais de 20000 por gota de água do mar. Não chegam a ter a mesma densidade dos microorganismos do solo, mas, entre os fotossintetizadores, o minúsculo Prochlorococcus é imenso.

É surpreendente que o fitoplâncton faça tanto com tão pouco reconhecimento do grande público. Mais surpreendente ainda é o facto de os cientistas não terem a menor ideia de que as espécies microbianas eram assim tão determinantes, até há cerca de 18 anos atrás. Enquanto não entendermos como a biosfera funciona, nunca poderemos fazer uma estimativa correcta do quanto as actividades humanas alteram as suas funções.

Imagem: Oceano

Fonte: Scientific American (www.sciam.com)

música: They (JEM)

publicado por V.A.D. às 22:27
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A Vida

Para que a vida tivesse podido aparecer nos oceanos da Terra primitiva, a ciência considera necessária a existência prévia de quatro grupos de compostos químicos: os lípidos, os açucares, os compostos de azoto e os aminoácidos. Os lípidos, insolúveis na água, servem para a formação das membranas celulares e participam no armazenamento de energia, tal como os açucares. Os compostos de azoto encontram-se no ADN, molécula de suporte da informação genética e das instruções necessárias à vida. Os aminoácidos são os constituintes principais  das proteínas, existindo em média 300 deles em cada uma. As proteínas cumprem enúmeras funções, desde o controle do crescimento através das hormonas, até à tradução da informação contida nos genes em actividade biológica, por intermédio das enzimas. Contam-se na natureza várias centenas de aminoácidos, mas sabemos, desde os anos 30 do século XX, que somente 20 são utilizados como tijolos básicos da vida.

Em França, no Instituto de Astrofísica Espacial de Orsay, no mês de Março de 2003, fez-se um experimento, cujo objectivo era demonstrar a possibilidade da criação de aminoácidos no "vazio" interestelar. Durante apenas dois dias, sob uma pressão dez milhões de vezes mais fraca que a existente na Terra, e uma temperatura de 193 ºC negativos, uma mistura de água, metanol, amoníaco, monóxido e dióxido de carbono (as moléculas mais comuns no espaço), condensou-se no interior do aparelho usado na experiência. A fina camada de "gelo" que se formou foi durante esse tempo irradiada com ultravioletas, tal como aconteceria se se tivesse formado à volta de um grão de poeira cósmica. Deixou-se que a mistura aquecesse à temperatura ambiente e procedeu-se a uma análise. Foram detectados diversos compostos orgânicos, e de entre eles, nada menos que 18 aminoácidos...

Imagem: Aminoácido ( www.imb-jena.de/IMAGE/aa/indiv/cysteine_CYS_C.gif )

Fontes: Science & Vie, Institut d'astrophysique Spatiale ( www.ias.u-psud.fr/website/modules/news2/ )

música: Muse - Unintended

publicado por V.A.D. às 01:48
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Sábado, 6 de Janeiro de 2007

A Morte

O último batimento do coração, o último sopro, o último pensamento, a última palavra... O instante no qual a vida cede o seu lugar à morte nunca deixou de inquietar e fascinar o Homem. Porque é o seu próprio destino que está em jogo, cada indivíduo é frequentemente assolado por questões vertiginosas sobre o que o espera após a cessação da vida, sobre o quando e o porquê desse momento... Para os crentes, a morte não é mais que uma transição para uma outra vida. Para os cépticos como eu, a morte é apenas a desagregação do conjunto de funções que lhe resistem, é o terminu, é o fim da linha. Por muito que se possa especular, o que se sabe sobre a morte é visto sob o prisma da vida. A ciência identificou três funções, de entre todas aquelas que são asseguradas pelo organismo, como vitais: a respiração, a circulação sanguínea e o funcionamento cerebral, e é suficiente que uma delas pare para que as outras duas declinem rápidamente. Não havendo restabelecimento da função afectada, a consequência é inevitável: o colapso do organismo.

Imagem: A Morte ( www.photoarts.com/ftp/settanni/La%20Morte.htm )

música: Stragers in the night

publicado por V.A.D. às 01:57
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

Imaginação Fértil

"Foi por este tempo que El-Rei Dom Manuel mandou fazer muitas novas coisas nesta cidade de Lisboa. E as maiores que mandou fazer foram seu novo Paço da Ribeira di Tejo e o grande terreiro diante dele, e a Casa da Índia, e as casas da Alfândega e o Terreiro do Trigo, mais adiante, e isto além de outras coisas mais. E tanta era a grandeza que se viair tomando este reino, que além do Novo Mundo que havia nas partes do sul do Mar Oceano, já para as partes do norte tinha El-Rei senhorio de muitas terras mais. E uma das ditas terras era chamada Terra de João Fernandes Lavrador e outra era chamada Terra dos Cortes-Reais e outra ainda era chamada somente A Terra Nova que foi achada, pois não haviam ainda acertado com o nome que havia de levar. Por todas estas razões andou correndo voz que El-Rei Dom Manuel havia de ser alevantado por imperador de todos os cristãos, e que havia de ser chamado César Manuel, por quanto já senhoreava mais terras que qualquer outro senhor da cristandade, e mais gentes, e mais comércio e mais riqueza. Para tanto, diziam uns que era mister mandar a Roma uma grande embaixada, com desvairadas coisa que haviam de ser presentes ao Papa.(...) E com tanta riqueza diante de seus olhos, não havia o Papa de poder dizer que não a Dom Manuel, e com isto se alevantaria El-Rei por senhor de todos os senhores e imperador de todos os cristãos.(...) Mas tanto andavam enchicharadas as imaginações dos portugueses por esse tempo que outros diziam poder ainda ser passada tal coisa em honra e riqueza, pois sobre a Terra inteira, o maior senhorio que pode haver não é senão o senhorio da mesma Terra inteira."

Excerto de A Lenda de Martim Regos, de Pedro Canais (Oficina do Livro)

A imaginação dos portugueses foi sempre fértil...

Recomendo vivamente este romance histórico, que nos dá uma perspectiva da vida quinhentista.

Imagem: D. Manuel I ( www.arqnet.pt/portal/portugal/temashistoria/manuel1.html )


publicado por V.A.D. às 01:43
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2007

A preocupação

Tenho andado pela blogoesfera sempre que posso, e deparei-me há uns dias com um blog de ilustres ligados ao PS, entre os quais figura a Dra. Ana Gomes, pessoa que sempre me causou arrepios, talvez pelo timbre da voz, talvez pelo mau perder que demonstrou em certas ocasiões. Li alguns dos seus posts (é claro que não tive nem tempo nem vontade de os ler todos) e apeteceu-me enviar-lhe um e-mail para o endereço que consta no dito blog. O e-mail foi devolvido por diversas vezes, mas eu não resisto à vontade de me fazer ler, senão por ela, pelo menos por quem aqui passa.

"Exma. Sra. Dra. Ana Gomes

É com alguma preocupação que tenho lido os seus posts no blog Causa Nossa.Será que Portugal está de "vento em popa" e só eu e mais alguns milhões de portugueses é que acham que assim não é? Será que o nosso primeiro ministro nunca mentiu e só a escumalha onde eu me incluo é que acha que está a ser ludibriada diariamente? Rever-se-á a grande maioria dos portugueses num interesse obsessivo pelo que se passa nos Estados Unidos da América? Não seria mais interessante para os leitores se vossa Excelência se dedicasse mais
a escrever sobre os problemas com que as pessoas comuns se defrontam no dia-a-dia? Não seria de  maior valor escrever, por exemplo, sobre os benefícios fiscais que são oferecidos aos chineses quando abrem uma loja no
nosso país, enquanto os portugueses têm que pagar tudo e mais alguma coisa, ou sobre os devaneios das autarquias como a de Vila Franca de Xira, que autoriza a construção de um enormíssimo entreposto logístico sobre um dos maiores aquíferos da Europa, e atira para cima de um qualquer munícipe RANs, RENs, e PDMs, quando este pretende ver um projecto de uma habitação unifamiliar aprovado?
Embora sendo pouco conhecedor de questões políticas e sociais, creio que conseguiria enumerar muitos mais assuntos que talvez merecessem ser tratados por si, em vez de gastar o seu "latim" com questões que para a grande maioria são de "lana caprina"... Não o vou fazer, porque creio que, embora com algumas dificuldades, consegui expressar a preocupação que sinto quando vejo que só o Bush é o mau da fita, quando Felgueiras, Varas e Oeiras estão aqui tão perto...
Além disso, se a política internacional é assim tão importante, porque não li nada ainda sobre o presidente da Venezuela, cuja falta de educação é atroz e até se propõe não renovar a licença de uma TV privada só porque esta lhe faz oposição? Ou sobre o clã Castro, a "Família Real Cubana"? Ou sobre a Arábia Saudita e a sua polícia religiosa? Ou sobre Putin e os seus agentes assassinos, que silenciam tudo o que é oposição? E porque motivo aquilo que li sobre uma conferência no Irão tem que terminar com uma menção ao Iraque? Houve alguma conferência revisionista, anti-semita e negacionista do holocausto neste país?
Ficam apenas as perguntas, porque sei que não sou digno de uma resposta...

Cumprimentos

V.A.D. "


publicado por V.A.D. às 01:49
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

O Novo Mundo Científico

O chanceler inglês Francis Bacon foi um dos percursores do novo mundo científico que se começou a vislumbrar ainda no decorrer do século XVI. No tratado intitulado Novum Organum Scientiarum, Bacon defendeu que era possível descobrir a verdade recorrendo à observação dos fenómenos e sintetizando as observações efectuadas, em vez de explicar os fenómenos com base numa razão aceite de antemão. Essa razão, na maioria dos casos, baseava-se na autoridade das  Escrituras, dos Santos Padres, ou do próprio Aristóteles, cujos principais escritos sobre a lógica haviam sido reunidos pelos seus continuadores após a sua morte, num livro a que chamaram de Organum e que significa Instrumento. A obra de Bacon foi de extrema utilidade, não tanto pela proposta de um novo método, mas pelos ataques ao velho Organum, denunciando o que chamou de "ídolos da mente", que não passavam de meras palavras, sem lógica nem sentido, mas que eram veneradas como verdades absolutas. Despertou a consciência de que muito dos dogmas aceites pela ciência não eram  mais que  meros  conceitos inanes,  que representavam verdadeiros obstáculos ao avanço do conhecimento.

Imagem:  Francis Bacon ( www.triplov.com/pics/francis_bacon.jpg )

Fontes: História Universal, Stanford Encyclopedia of Philisophy  ( http://plato.stanford.edu/entries/francis-bacon/ )


publicado por V.A.D. às 22:25
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Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2007

Vesalius e a Anatomia

Até ao século XVI pouco se sabia sobre a estrutura e o funcionamento interno do corpo humano. Gregos e romanos já se tinham voltado para a análise do que Platão chamou de "morada da alma", mas o estudo da anatomia pouco avançou da Antiguidade à Renascença. Envolta em tabus, proibições religiosas e superstições, a investigação empírica do corpo humano pela dissecação era encarada como repugnante e profanadora. Só na Renascença artistas como Leonardo da Vinci, e médicos como Andreas Vesalius de Bruxelas, retiraram o véu de sacralidade que cobria o corpo do homem e abriram caminho para a ciência moderna da anatomia. O De Humani Corporis Fabrica estabelece, em 1543 (também o ano da publicação das Revoluções das Orbes Celestes de Nicolau Copérnico), o início da pesquisa moderna baseada na observação directa dos fenómenos e projecta uma nova luz sobre o corpo humano, afuguentando conceitos arcaicos e a supremacia da teoria sobre a prática, que vigorara durante toda a Idade Média.

Imagem: Vesalius ( www.zol.be/Vesalius/homepage-vesalius.jpg )

Fontes: Scientific American, Andreas Vesalius ( www.zol.be/Vesalius )


publicado por V.A.D. às 21:01
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