“E a inconsciência deu lugar à percepção, a génese de algo absolutamente novo efectivando-se num crescendo inusitadamente intérmino, a majestosidade daquilo que é testemunhado servindo-lhe sobretudo para o reconhecimento da condição de aprendiz de si próprio. É-lhe ininterruptamente desvendado o fascínio de ver em vez de olhar e de escutar em vez de se limitar a ouvir, tão contagiante é aquele jeito de apreender o sentido mais intrínseco das coisas, tão cativante é aquela maneira de consecutivamente recriar os Universos na profundidade de raciocínios claros, tão atraente é aquela noção de que algumas barreiras, a existirem, podem ser de facto transpostas… Apraz-lhe pensar que, embora não sendo ubíquo, reside também nas delicadas e intangíveis estruturas bioquímicas de uma mente admirável, mora nas tonalidades quentes indelevelmente pintadas numa magnífica tela plena de vivacidade, habita na inescrutável urdidura das emoções, tão inefáveis quanto evidenciadas… E sente em cada célula do seu corpo, em cada fio de pensamento, a inexplicável alquimia de um despertar que, na realidade, nunca é tardio…”