Sábado, 7 de Junho de 2008

Alter-ego

“Havia ali qualquer coisa, uma vaga sensação de presença insinuando-se-lhe nas profundezas do subconsciente, um contorno desafiador materializando-se num quê tão indistinto quanto indizível, uma abstracta noção de perigo correndo-lhe espinha acima num involuntário eriçar de cabelos, a pele arrepiando-se num ligeiro tremor, os temores ancestrais vertendo-se em gotas de suor frio. Imobilizou-se. Um silêncio sepulcral, acentuado pelo fôlego contido, envolvia-o como um manto tão negro como a escuridão da cave bafienta onde ousara penetrar, e era quebrado apenas pelo pungente martelar descompassado do coração, o sangue carregado de adrenalina latejando nas artérias, a atenção a tudo o que se passava em seu redor redobrando-se numa desproporcionada tensão. Um vulto moveu-se, o raspar de garras no chão de pedra nua chegando-lhe ténue aos ouvidos, os seus olhos divisando o brilho amarelado e doentio de outros olhos, a entidade que invadira aquele lugar supostamente inexpugnável mirando-o num misto de escárnio e desafio. Num salto impossivelmente brusco, atirou-se à figura medonha que reconhecera de imediato, um grito animalesco rasgando-lhe a garganta pelo gume afiado do ódio transbordante. Detestava mortalmente aquele alter-ego…”

V.A.D. em Alter-ego
Imagem: Alter-ego (original em http://imagecache2.allposters.com/images/CORPOD/CB008385.jpg)

publicado por V.A.D. às 03:00
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De Emanuela a 13 de Junho de 2008 às 01:57
Já tentei fugir, já tentei encarar... Hoje simplesmente convivo com cada uma delas, de maneira simples. Não "de peito aberto", não com garra, só procuro viver com cada uma delas sem medo, de forma natural tentando assim encontrar um todo.
O texto fico maravilhoso! Quase pude ouvir as garras arranhando o chão... e pude sem dúvida, vislumbrar aquele olhar.
Beijos


De V.A.D. a 17 de Junho de 2008 às 01:37
Embora este texto não passe de simples ficção, tenho a noção de que todos temos mais do que uma faceta, o reflexo da complexidade da mente humana mostrando-se através de uma multiplicidade nem sempre compreendida e aceite...

Obrigado, amiga, pelas palavras sempre cheias de gentileza.

Desejo-te uma excelente noite!

Um beijo e um enormeeeeeeeee sorriso... :-)


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