
“Permaneci algum tempo em total imobilidade, demasiado fatigado e entontecido, os meus olhos fixando-se nos olhos do interlocutor sem que os estivesse a ver, a minha mente mostrando-se incapaz de entender ou elaborar um raciocínio coerente, a privação do sono gerando um total alheamento em relação a tudo o que me rodeava. A espaços, sentia-me invadido por uma espécie de leveza delirante semelhante àquela que os estados febris costumam provocar, o som das palavras ouvidas parecendo esbarrar no meu corpo em vergastadas bruscas ou sedosas consoante o timbre das sílabas, uma absurda sinestesia submergindo-me ainda mais na estranheza de não saber o que fazia ali, um mal-estar latente apoderando-se de mim como um organismo gelatinoso e tentacular, tão repulsivo quanto um verme parasitário, verde e fedorento. E de súbito a emese, libertadora e dolorosa, arrancando-me o vazio às entranhas, as contracções involuntárias do corpo exaurindo as réstias de energia, o pânico mal dissimulado levando a um esgar de aflição… E o desfalecimento, inevitável e reparador, sobrevindo sem aviso, transformando-se num longo sono sem sonhos, numa completa ausência em parte alguma…”
V.A.D. em Tortura
De
Cöllyßry a 27 de Maio de 2008 às 19:37
Diria que o descrito dos tormentos do corpo que invade, quando a Alma
Tenta se libertar do enorme peso, em consciência…
Como é difícil comentar…e como daria uma belíssima série
Doce beijo e enorme sorriso
De
V.A.D. a 28 de Maio de 2008 às 02:31
Agradeço-te, amiga, a amabilidade sempre presente nas tuas palavras. De facto, a privação do sono é mesmo uma tortura, os raciocínios baralhando-se numa mente cansada e a precisar de repouso urgente...
Pedindo que me desculpes por andar meio ausente e por não te comentar com a regularidade que desejaria, desejo-te uma magnífica noite!
Um beijo e um enormeeeeeeeeeeeee sorriso... :-)
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