Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Regresso

 

“Precisa de lá voltar, quer beber daquela água, nenhuma outra lhe mitiga a sede, um fascínio inigualável atraindo-o como se um extraordinário magnetismo exercesse um absoluto poder sobre a sua vontade. Necessita de regressar àquele lugar maravilhoso, onde o Tempo se escoa estranhamente depressa, mas onde cada instante assume contornos de eternidade. Nesse local, onde cada gesto adquire uma relevância inigualável, onde as utopias se realizam, a vida deixa de lhe parecer complicada, cada olhar alcançando a infinitude de um horizonte sem limites, cada toque convertendo-se num imenso oceano de sensação e sentimento. É um sítio indefinível, sem norte nem coordenadas, figuração de uma plenitude inenarrável, a Ultima Thule de um novo mundo de emoções…”

V.A.D. em Regresso 
 
Vídeo: Viagem Através do Cosmo (Banda Sonora: Echoes – Pink Floyd) (http://www.youtube.com/watch?v=Ac2eVQCqoVQ)

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Domingo, 11 de Janeiro de 2009

Agora (II)

 
“Agora, as inenarráveis imagens que se vinham formando no córtex visual apresentam-se-me transmutadas numa realidade tangível, os sentidos despertos inundando a minha mente de impressões avassaladoras, a delonga havendo servido para tornar a flama latente numa deflagração incontidamente transbordante. Agora, os mais ínfimos recantos da minha mente são preenchidos por sensações de uma beleza e profundidade inimaginadas, um rio caudaloso transportando-me na correnteza dos estímulos até à foz de todos os êxtases… Agora, deslizo tranquila mas avidamente para um sonho de penumbras, as suaves luzinhas engastadas no tecto de madeira fitando-me num desafio atrevido, a música tocando baixinho num sensual e provocante murmúrio, a antecipação provocando o saboroso frémito que me percorre todo o corpo em intensos afluxos sanguíneos, numa espécie de ânsia roubada ao próprio desejo. Agora, descubro os sabores exóticos de especiarias, numa sinestesia de afagos, descortino a silhueta da incontida paixão nas feromonas que me dominam a existência, diluo-me na cálida e tempestuosa harmonia de uma entrega absoluta…”
V.A.D. em Agora
Vídeo: How Soon Is Now (The Smiths) (http://www.youtube.com/watch?v=fRtYNPRXkYU)
 
“When I say it's gonna happen "now"
Well, when exactly do I mean?”

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Átomo

 
Tenho fome do átomo que somos ainda, tenho desejos de momentos inacabáveis, conjecturam-se em mim genuínas utopias. Quero preencher as horas vazias de electroquímicos padrões, inescrutáveis, preciso sorver o que a vida me brinda. Tenho sede das alvoradas radiosas, dos dias de eléctrica tempestade, das tardes quentes da verdadeira existência, feitas de irrequietude e dormência. Quero repetir falhados projectos de saciedade, repletos de fundições espantosas… Já não sinto o frio dos pretéritos Invernos, coriáceos gelos derretem, agora, aliviando o peso das sombras ominosas. Reavivam-se flamas esperançosas, é-me muito menos incómoda, a demora: há realidades absolutamente eternas…!
 
Vídeo: Beggin’ (Frankie Valli & The Four Seasons) (http://www.youtube.com/watch?v=3EWLHthglZc&feature=related)

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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Textos Interligados

“E vi o brilho despido do espaço, as imagens ainda gravadas na retina fazendo-me perceber a mortalidade intrínseca, levando-me a aceitar a minha própria exiguidade face às incomensuráveis vastidões daquele prodígio. Sentei-me a um canto do compartimento gratificantemente finito, os joelhos envolvidos pelos braços, o tronco vergado pelo basto peso da percepção que me atingira como um martelo enfurecido, os olhos fechados em busca da escuridão onde talvez se desvanecesse o medo da minha própria finitude. Pela primeira vez em muitos meses conheci de novo a sensação de estar fora do meu lugar, de não pertencer a nada, de ser um intruso num mundo que me devia ser vedado… Contudo, perdura a indeclinável e até crescente noção de absoluta inteireza, obtida para além da fachada do trivial através de olhos que não os meus, os momentos de puro fascínio continuando a fazer-me sonhar, talvez presunçosamente, com inevitabilidades. Expressa a vontade, valer-me-ei até da eternidade que não me foi concedida, mas que desejo ainda mais profundamente…”

V.A.D. em Texto Interligado I
 
“E escutei a crueza das palavras, os sons ainda gravados na mente fazendo-me perceber a minha mediocridade intrínseca, levando-me a aceitar a minha própria insignificância face às incomensuráveis complexidades da existência. Sentei-me a um canto do compartimento incomodamente silencioso, os joelhos cingidos pelos braços, o tronco curvado pelo basto peso da percepção que me ferira como um martelo enfurecido, os olhos fechados em busca da escuridão onde talvez se desvanecesse o medo da minha própria finitude. Os murmúrios da rua chegavam-me vagamente aos ouvidos através da janela fechada ao frio das primeiras noites de Novembro, incapazes de silenciar o ruído que me transtornava a fluidez dos pensamentos. Encarcerei-me na nudez glacial de uma cela cinzenta, arrastado numa incongruente espiral de desânimo, desejoso que a vigília penosa desse lugar ao sono reparador. Dormirei sem sonhos, mas talvez acorde ainda capaz de sonhar com o riso despreocupado de quem tem a vida por inteiro, talvez me force a despertar da letargia lodacenta em que me afundo, talvez me eleve acima das abissais fossas da prostração… Valer-me-ei da eternidade que não me foi concedida, invocarei todas as minhas energias para não ceder à angústia da indeclinável delonga…”
V.A.D. em Texto Interligado II

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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Sem Título

“Sentia-se espalhado pelo solo pedregoso e áspero, disperso por entre a poeira esbranquiçada e inerte dos séculos esquecidos, a sua identidade esfumando-se num insignificante torvelinho, a consciência reduzindo-se a um quase nada, como que se enrolando numa esfera colapsante, a compreensibilidade esvaindo-se de si próprio, fugidia, as diagramáticas imagens laboriosamente construídas deslizando no inevitável declive entrópico de um entorpecimento vazio e cinzento. Deixara de sondar, tornara-se incapaz de entender o que ainda via, uma atroz inépcia aprisionando-o numa incomensurável aridez desarrazoada. Um derradeiro raciocínio assomou-se-lhe ao espírito, o último paroxismo suspenso num fio de inteireza: não fora em vão, aquela vida. Havia atingido um quê de plenitude, conhecera a perfeição de uns instantes perpetuados na sua própria essência, alimentara-se de fascínios indescritíveis, partilhara-se numa fusão tão absoluta quanto inesperada… E, subitamente, a inanidade das trevas separou-o da existência…”
V.A.D. em Sem Título
Vídeo: Adagio for Strings (Samuel Barber) (http://www.youtube.com/watch?v=CA93ybVGCeg)

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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Universos

“A insónia nessoutro lugar primevo era tão profunda que os sonhos a não penetravam, a própria mente refugiando-se no negrume inane da ausência de tudo, tonta da noite interminável, fatigada pela monotonia abstrusa das coisas meticulosamente planificadas, o conhecimento de si próprio resvalando para a abissal passividade de quem está prestes a renunciar às utopias aparentemente inexequíveis… Até que um novo Universo despontou em rutilantes feixes de espontaneidade, a perfeição absoluta da energia transbordante contagiando-o, arrebatando-o para um espaço-tempo diferente, onde se movia agora num fascinante semiêxtase, o corpo alerta e os pensamentos alongando-se em modelos de uma complexidade simples e despida de preconceitos, a sua pele roçando o sopro fragrante e acetinado de cada emoção, progressões geométricas representando o incremento de tudo aquilo que havia definhado na pretérita existência, o inconsciente divagando além das palavras, o consciente regozijando-se com o entendimento finalmente encontrado…”
V.A.D. em Universos
Vídeo: You Only Live Twice (by Coldplay) (http://www.youtube.com/watch?v=0-2QemiQ4hk)

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Domingo, 19 de Outubro de 2008

Contagiante

“E a inconsciência deu lugar à percepção, a génese de algo absolutamente novo efectivando-se num crescendo inusitadamente intérmino, a majestosidade daquilo que é testemunhado servindo-lhe sobretudo para o reconhecimento da condição de aprendiz de si próprio. É-lhe ininterruptamente desvendado o fascínio de ver em vez de olhar e de escutar em vez de se limitar a ouvir, tão contagiante é aquele jeito de apreender o sentido mais intrínseco das coisas, tão cativante é aquela maneira de consecutivamente recriar os Universos na profundidade de raciocínios claros, tão atraente é aquela noção de que algumas barreiras, a existirem, podem ser de facto transpostas… Apraz-lhe pensar que, embora não sendo ubíquo, reside também nas delicadas e intangíveis estruturas bioquímicas de uma mente admirável, mora nas tonalidades quentes indelevelmente pintadas numa magnífica tela plena de vivacidade, habita na inescrutável urdidura das emoções, tão inefáveis quanto evidenciadas… E sente em cada célula do seu corpo, em cada fio de pensamento, a inexplicável alquimia de um despertar que, na realidade, nunca é tardio…”
V.A.D. em Contagiante
Vídeo: The Air That I Breathe (The Hollies) (http://www.youtube.com/watch?v=KMSAnZR2Q8Q&feature=related)

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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Personificação

“Era como se respirasse a própria atmosfera da galáxia, era como se se banhasse no mar de partículas e energia de que o Universo é feito, era como se estivesse nas profundezas do espaço, ante os milhares de pontos de flamejantes que se destacavam sobre o suave manto da Via Láctea, era como se viajasse por entre essas estrelas firmemente entrelaçadas nas interacções gravíticas de um referencial cuja magnitude, de difícil apreensão, o deixava boquiaberto, aqueles instantes resultando num incontido arrepio, vinte e um gramas de si próprio suspensos pelos invisíveis e poderosos fios das emoções, extáticos perante a profundidade castanha de uns olhos magnéticos, dentro dos quais um novo e sedutor mundo se ia desvelando… Era como se redescobrisse a vida a cada pulsação, era como se reencontrasse a felicidade a cada sussurro clamado, era como se rejuvenescesse a cada encontro almejado. Havia descoberto, por fim, aquilo que nem sabia poder existir: a personificação dos próprios sentimentos…”
V.A.D. em Personificação

Vídeo:Fever (Peggy Lee) (http://www.youtube.com/watch?v=JGb5IweiYG8)


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Domingo, 5 de Outubro de 2008

Evos

“Todos os evos da sua vida não passavam agora de um fugaz momento, o passado constituindo uma mera ilusão enevoada pelas brumas de um tempo que, obstinado no seu fluxo, parecia não querer reconhecer que toda a verdadeira significância se condensa no presente, ou ainda num futuro feito de aspirações a substanciar ou de realizações a consolidar. Ali estava, emudecido pela extraordinária beleza daquelas horas, extático perante a profunda simplicidade de algo tão veementemente sentido, rendido à absoluta perfeição de um mundo inteiramente novo, avassalado por uma emotividade que equilibrava a razão e lhe propiciava uma orgia sensorial de sabor a chocolate e laranjas, de doces aromas a unguentos perfumados, de geométricos toques em cadências mais que perfeitas… Ia-se apercebendo, a cada instante, dos simples segredos até então encerrados no seu próprio âmago, a revelação crescendo numa espécie de liberação levitante, conduzindo-o a uma ventura impossível de expressar cabalmente em simples palavras…”
V.A.D. em Evos
Vídeo: Can’t take my eyes off of you (Andy Williams) (http://www.youtube.com/watch?v=wHs2hYiUq5w)

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Domingo, 28 de Setembro de 2008

Para Além

“Para além do suave balançar dos barcos ancorados no azul calmo das águas, muito para lá dos montes enevoados, indistintos no ar cálido da tarde brilhante, muito acima de um horizonte de luz intensa e suaves sombras, alheia a tudo o demais e centrada numa única e fundamental razão, a mente saboreava cada momento, cada toque representando a imensidão do Cosmo, cada olhar devaneando a infinitude de incontáveis Multiversos, cada vontade agigantando-se nos tragos de uma bebida há muito apalavrada. Nem a brisa marinha era capaz de assumir a habitual relevância, face a outras fragrâncias tão mais subtis e, contudo, sobejamente mais marcantes… E aquela grácil e permanente impressão de complementaridade, reafirmada dias depois em idílicos elos, num escutar de estrelas, num extasiante colorido de sabor a chocolate, num murmúrio de água corrente, cálida e refrescante, numa imensidão de sentidos despertos pela intensidade de emoções residentes para além de todos os imaginários…!”
Jeena kaisa pyar bina?”
V.A.D em Para Além
Vídeo: Face of Love (Rahat Nusrat Fateh Ali Khan & Eddie Vedder) (http://www.youtube.com/watch?v=3fjWMJSw03I)

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