Domingo, 23 de Março de 2008

Clepsidra (III)

“Um silêncio abafado desliza pela minha mente, num inconsciente êxtase de uma noite milenar, o sonho mudo despejando uma torrente de imagens, a princípio confusas e indistintas para se tornarem tão vívidas e reais que juraria poder tocá-las. Vagueio pelos santuários de Karnak, a lua cheia iluminando os meus passos silentes, obeliscos e esfinges ladeando uma avenida imensa, as monumentais paredes do templo de Amon-Rá erguendo-se nos céus egípcios como escarpas, os pilones desenhando-se, altivos contra o fundo estrelado do firmamento. Avanço, incapaz de conter a curiosidade que me faz afoito, um verdadeiro bosque de colunas monumentais afilando-se, apesar de maciças não dando a impressão de peso, a pedra cinzelada escrevendo, a todo o perímetro, a memória de um passado ainda por esquecer, petrificados rolos de papiro sustentando o peso do tecto que se eleva mais de duas dezenas de metros acima do solo pavimentado. Ao fundo, um hectómetro separando-me dele, um vulto destaca-se, emproado, na contraluz de dezenas de archotes, o séquito escutando a prelecção, a desmesurada sala hipóstila servindo de cenário a alguma cerimónia real. Detenho-me, embriagado pelo incenso que enche o ar de um aroma doce, inebriado pela fascinação daquele momento em que Sethi I se revela perante a incredulidade daquilo que presencio, a clepsidra enchendo-se, em vez de verter a água do tempo no solo seco dos séculos…”

V.A.D. em Clepsidra

Imagem: Sethi I (http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f3/Abydos_sethi.jpg)


publicado por V.A.D. às 15:00
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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Clepsidra (II)

 

“O crepúsculo fora singularmente belo, o céu abaixando-se sobre o deserto como um manto de fino linho, a tingidura feita de tonalidades quentes contrastando com a imprevista frescura da esplanada, os mezze saboreados com a impossível mas espantosa sensação de deleite, o palato sendo estimulado pela deliciosa combinação de sabores, os distintos ingredientesrenovando a experiência de uma gastronomia tão dissemelhante. Mashi acompanhado de zythum gelada, a noite trazendo o silêncio das horas de contemplação, a minha mente deixando-se levar a um outro tempo, a um lugar abastado na fímbria da aridez, a erosão dos séculos que passam indeléveis não conseguindo apagar as marcas de esplendor de uma civilização antiga e fantástica, medido pelas faraónicas obras e pela riqueza cultural e material. Maravilho-me com os feitos de engenharia, fico assombrado pela organização e logística necessárias à construção de tão colossais monumentos, templos e pirâmides representando o auge da sapiência ancestral. Interrogo-me sobre que fabulosos conhecimentos se terão perdido, a geometria e a astronomia precisando de um longo período de anactesia para o regresso ao esplendor daqueles tempos. Fecho os olhos e vejo-me em Karnak, às margens do Nilo, no Alto Egipto, as imagens formando-se expressivas e plenas de singular realismo, a clepsidra parecendo estar ainda inteira de água, o tempo tendo sido parado só para que eu pudesse admirar a magnificência de Ipet-sut…”

V.A.D. em Clepsidra

Imagem:

música: At The River (Groove Armada)

publicado por V.A.D. às 03:13
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Clepsidra (I)

“Olhei demoradamente através da translucidez do vidro, a janela do hotel virando-se para o deserto que se assenhoreara da vastidão, quilómetros e quilómetros esvaziados de vida assemelhando-se à inanidade de mim mesmo. As inumeráveis dunas, enchendo a paisagem fastidiosa do meu descontentamento, elevavam-se como pirâmides caoticamente desfeitas, os dias sucedendo-se na cadência lenta das alvoradas tépidas e das tardes infernais, o trabalho bem pago progredindo de acordo com o previsto, a chuva ausente havia meses levando-me, pelo crepúsculo, ao delírio onírico de rios transbordantes e de gotas geladas, caindo do céu de Março em manhãs húmidas e cinzentas de latitudes médias. Virei o meu olhar para a imagem impressa na brochura, a quimérica clepsidra de Karnak transportando-me até aos dias de glória e prosperidade daquela terra agora tão diferente, Amen-hotep III governando aquele país antigo, o nono faraó da décima oitava dinastia patrocinando a contagem de algo tão precioso quanto a água, a vã tentativa de o dominar o tempo levando à construção do dispositivo primevo, tão distante dos relógios de césio quanto apartada de mim estava a felicidade. Mas o tempo fluía indómito e imparável, o líquido cristalino vertido pelo orifício de uma clepsidra imaginada declarando o avizinhar do momento em que retornaria a casa…”

V.A.D. em Clepsidra

Imagem: Clepsidra de Karnak (www.arqueoegipto.net/articulos/egipto_tematico/calendario.htm)

música: Time (Pink Floyd)

publicado por V.A.D. às 02:32
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Breve História de Tudo (II)

                  

A vida está em todo o lado, desde os mais profundos abismos até às altitudes elevadas, desde os vales mais secos até às montanhas geladas, desde a temperada superfície continental até aos mananciais ferventes do leito oceânico. Começou com uma simples molécula de RNA, capaz de criar réplicas dela própria, a energia e os aminoácidos em profusão proporcionando o assombro. Adaptou-se, evoluiu e conquistou o planeta. Diversificou-se no período Câmbrico, há mais de meio milhar de milhões de anos, como nunca havia sucedido, a invenção da reprodução sexuada facultando a explosão de novas espécies num intervalo de tempo absurdamente curto, a inovação permitindo a ocupação de novos nichos ecológicos, os organismos de complexidade cada vez maior saindo do oceano para avassalar terra firme. Incontáveis espécies floresceram e viram descer sobre elas as trevas da extinção, a competição ou os cataclismos determinando um fim abrupto. Outras tantas ainda hoje se mantêm à face do planeta, contendo ainda parte dos genes originais, mas dissemelhantes do que foram. Há sessenta e cinco milhões de anos, após o fim dos dinossáurios, um grupo de pequenos, nocturnos e arborícolas mamíferos insectívoros, chamados Euarchonta, inicia a especialização que irá resultar nas ordens dos escandentes, dos lémures voadores e dos primatas. Eram os primeiros esboços da humanidade.

Vídeo: Vida na Terra (www.youtube.com/watch?v=Cghq8gA398s)

Música: Sìgur Ròs


publicado por V.A.D. às 02:57
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Otztal (VII)

“A lua cheia despontava no horizonte, a luz fria e mortiça semeando sombras esbatidas no solo macio e de uma alvura fantasmagórica. Havíamos afastado os lobos à força de golpes de machado e corríamos em direcção à caverna, guiados pelos tumultuosos sons de luta que se erguiam no ar, gritos alarmantes rasgando a noite em sinal de desespero. O cenário era trágico. O Tatuado gritava, brandindo um tronco em brasa no engano de afastar as bestas que já ali não estavam. Havia sido atingido pelas costas pelo Cura, que jazia a uns passos, o cadáver servindo de banquete à alcateia em fúria, o arco da traição testemunhando a justiça inesperada. Era imperativo fugir dali e, em vão, esforcei-me por remover a flecha cravada profundamente na sua omoplata, de onde a vida jorrava num profuso jacto escarlate. A mão direita apresentava-se dilacerada, a lupina mordedura fazendo-lhe pender os dedos. Enfraquecido pela perda de sangue, parecia incapaz de se locomover. Reunindo as poucas forças que me restavam, carreguei-o aos tropeções montanha abaixo, ajudado pelo Vesgo. Ao fim de algumas centenas de passadas, o esgotamento assomou-se, forçando-nos a uma paragem. O corpo inerte, a ausência de pulsação e os olhos abertos mas inexpressivos revelaram-nos a verdade: Otzi, o Tatuado, havia morrido.”

V.A.D. em Otztal

Posfácio

Em 1991, o cadáver mumificado de Otzi foi encontrado nos gelos permanentes dos Alpes de Otztal, perto da fronteira da Itália com a Áustria. O seu apelido deriva do nome do vale onde a descoberta foi efectuada e o estudo detalhado deste nosso antepassado, com cerca de 5300 anos, oferece uma visão sem precedentes da vida e hábitos dos europeus do Neolítico. Embora a estória não passe de ficção, esforcei-me por respeitar os conhecimentos trazidos à luz por arqueólogos e antropólogos, com o inestimável auxílio da medicina forense. Chamei-lhe Tatuado porque no seu corpo contavam-se cinquenta e sete tatuagens.

Imagem: Otzi (www.dinosoria.com/tragedie/otzi.jpg)


publicado por V.A.D. às 22:51
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Otztal (VI)

“A escuridade tombou sobre o mundo. A noite, avançando inexoravelmente, trazia o frio que se me cravava na pele em rajadas de dor, os pulmões ardendo a cada inspiração, os olhos marejados de lágrimas, numa objecção surda contra o vento. Abria caminho a custo através da neve caída ao final da tarde, afundando-me até aos joelhos, a precisão de me manter em movimento, para não gelar, obrigando-me àquele esforço adicional. Coubera-me a tarefa de guardar a entrada da caverna onde pernoitávamos, até que a lua fizesse a sua aparição nos céus. Os lobos, certamente sentido o cheiro da carne fresca do veado, enchiam a atmosfera com uivos lúgubres e apavorantes e a débil fogueira que o Tatuado ateara carecia de lenha que a alimentasse e fizesse crescer. Fitava o vazio, semicerrando os olhos, quando a besta se abateu sobre mim, derrubando-me como a um estafermo. Senti o hálito quente no meu pescoço e só a rapidez da minha reacção, colocando um braço a amparar a arremetida, impediu que a morte me tivesse levado de imediato. Ferido, mas com uma enorme vontade de viver, ergui-me gritando como um louco, enquanto o machado que empunhava ganhava como que vida própria, desferindo golpes a eito, as mais das vezes atingindo o vazio até que, por fim, o crânio do animal estalou num baque seco. Vi-me cercado pelos rosnidos ameaçadores da alcateia mas, para minha alegria, ouvi o inconfundível e trovejante berro do Vesgo, que se apressava em meu auxílio…”

V.A.D. em Otztal

Imagem: Lobo (www.simplesurvival.net/wolf.jpg)

música: Thunder On The Mountain (Bob Dylan)

publicado por V.A.D. às 02:29
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Otztal (V)

“Aproximávamo-nos do final da íngreme subida e as sombras agigantavam-se, à medida que o luzeiro descia para o horizonte, o arco da luz fechando-se sobre a terra, predizendo a negrura gélida da noite. A desolação branca era rasgada, a espaços, por penhascos enegrecidos e ameaçadores, o assobio do vento glacial a roçar na pedra contrastando com o mutismo generalizado que se havia assenhoreado da comitiva. Havíamos deixado para trás a floresta de coníferas, depois de esquartejarmos o imolado, sem que houvessem sido trocadas quaisquer palavras entre o Tatuado e o Cura, este último parecendo cada vez mais absorto em congeminações. Por fim, diante de nós, abriam-se as fauces da terra, a boca negra da Deusa, escancarada, aguardando as oferendas. Prostrámo-nos, numa genuflexão submissa, enquanto as palavras rituais eram cantadas numa cadência arrebatadora:

 

Oh, Deusa-Mãe sagrada

Lutámos contra neve e vento

Aqui te trazemos alimento

Que sorria, a tua face irada

No fim desta dura jornada

Rogamos-te pelo sustento

 

Submetemo-nos à tua vontade

Rastejando perante a grandeza

Faz do nosso fardo, leveza

Suplicamos a tua bondade

Dá-nos um gesto de caridade

Alivia-nos a dor e a tristeza

 

Faz do frio, temperança

Faz da neve, água pura

Suaviza esta vida dura

Faz da tempestade, bonança

Faz da desilusão, esperança

Dá-nos para os males, a cura

 

Por alguns instantes, senti-me em comunhão plena com a Natureza, o fervor da reza amenizando a severidade de um mundo repleto de misteriosos e intrincados caprichos. Mas, no fundo, havia já em mim a convicção de que é ao Homem que compete a escolha do caminho…”

V.A.D. em Otztal

música: Pele (Polo Norte)

publicado por V.A.D. às 02:35
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Otztal (IV)

“O sol erguia-se a meio da abóbada celeste, os seus raios incapazes de abrandecer o frio, parecendo débeis e soturnos. Das neves lá no alto, ainda saíam riachos límpidos e pouco profundos que serpenteavam em direcção ao vale mas, em breve, um frígido manto branco cobriria tudo, até o bosque de pinheiros que estávamos prestes a alcançar. O Tatuado, coxeando cada vez mais e parecendo cansado, resmoneava entre dentes, talvez o peso de muitos Invernos a fazer-se notar na falta de paciência e constante irritabilidade. O sacerdote havia-lhe exigido silêncio por diversas vezes, tantas quantas havíamos avistado um cervídeo, sem que a ordem tivesse sido acatada, e adivinhava-se uma eminente querela. Estava a primeira refeição a ser tomada, o silêncio tenso embrulhando todos num manifesto mal-estar, quando de súbito o Tatuado pega no arco, retira uma flecha da aljava e dispara na direcção do bhelgh-men, que solta um grito, aterrorizado mas indemne. “Agora podes gritar; esta flecha devia ter sido para ti, que te andas a deitar com a minha mulher, mas quis apenas consumar a nossa legação.” Seguimos, com o nosso, o olhar do Tatuado: esperneando, um magnífico veado dava os últimos bafos…”

V.A.D. em Otztal

Imagem: Veado (www.guideschool.com/res/images/Whitetail10.jpg)

música: Sinnerman (Nina Simone)

publicado por V.A.D. às 02:50
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Otztal (III)

“O Râjan estava sentado, as costas direitas, a boca cerrada e o olhar fixo num ponto não muito distante. Eu, o Vesgo e o Tatuado prostrámo-nos diante dele, a nossa vista pousada nos tufos de erva, a ansiedade tomando conta de cada um de nós. Calmo e seguro, o rei estendeu o braço e tocou-nos nos ombros, em sinal de outorgamento. De imediato, o bhelgh-men irrompeu numa litania repleta de gestos herméticos, enquanto nos erguíamos vagarosamente. Não é possível descrever a ventura que sentia: havia sido aceite no restrito grupo de homens cuja função era garantir por todos os meios a defesa da grei contra o caos. Era-nos confiada a maior das tarefas, o apaziguamento da sanha da Deusa-Mãe, através dos rituais procedentes da noite dos tempos. O falhanço levaria à desgraça, o sucesso representava a glória eterna. Havia começado o Yule; o carneiro cozido com as melhores verduras, o pão ázimo e a cerveja em abundância haveriam de encher os estômagos. As festividades na Casa Comunitária – tambores e flautas marcando o ritmo das danças – prolongar-se-iam durante todo o dia e toda a noite, uma torrente de ledice no monótono gotejar da existência. Para os escolhidos, carne de veado, bolos de farinha de trigo, uma dura caminhada e a impreterível necessidade de sucesso na caçada…”

V.A.D. em Otztal

Imagem: Casa Comunitária (www.islandlife.org/images/Lesvardes1.jpg)

música: Heroes (David Bowie)

publicado por V.A.D. às 01:18
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Otztal (II)

“A noite do meu desassossego esquivava-se, com dificuldade, por entre um sono inquieto, abastecido de pesadelos, a imputação de tão distinta empreitada impedindo o repouso e inundando a pele de abundantes e frios suores. Já noite adentro aconcheguei-me a ela, o corpo quente e a tez macia dissolvendo o nervosismo que me perturbava, fazendo crescer o desejo que se tornou acto e me exauriu de receios, numa extasiante aquietação. O despertar foi sobressaltado e a ablução feita à pressa. Vesti as calças de couro e o gibão de lã, tecido especialmente para aquela ocasião distinta e calcei os largos sapatos de sola. Os dois potes de barro, um contendo leite de cabra e o outro cevada, haviam já sido tapados com pele de urso curtida, atada com corda de esparto, e estavam já na Casa Comunitária, aguardando o cervo que havíamos de atingir com as flechas benzidas pelo bhelgh-men. Sobre os ombros, a capa de grama apanhada no pântano; na cabeça, o gorro feito de pele de urso castanho. Respirando fundo, conferi as armas: um machado de cobre, um arco de teixo e a inseparável faca de sílex. A despeito da arrefecida tempérie, a manhã anunciava-se límpida e radiosa, augurando boa sorte na caça. Antes de enfrentar o destino, olhei para ela, ainda adormecida, e saí…”

V.A.D. em Otztal

Imagem: Machado de Cobre (www.archaeometallurgie.de/bilder/bilderk/hauslabk.jpg)

música: Can't Take My Eyes Off Of You (Andy Williams)

publicado por V.A.D. às 02:05
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