Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

A vida (I)

                 

A vida, tal como a conhecemos, precisa de condições especiais para poder surgir. A existência de água em estado líquido parece ser uma das condições essenciais. O seu poder de dissolução permite-lhe integrar grande quantidade e variedade de moléculas que, circulando com alguma liberdade, se deparam com múltiplas possibilidades de associação. Por esta via, a água faculta a organização, o jogo de combinações e dissociações gerando novas moléculas, uma permanente construção fotoquímica levando a uma complexidade crescente, potenciada primeiro por relâmpagos e depois pela radiação de uma estrela. Foi assim na Terra, a experiência de Miller e Urey provando que da matéria inorgânica se pode obter material orgânico, sem a acção de qualquer glândula secretora. A partir do carbono, em concerto com hidrogénio, oxigénio e azoto, arranjam-se diferentes moléculas, numa variedade quase infinita de estruturas, álcoois, açucares, gorduras e aminoácidos formando polímeros, flexíveis e intermináveis cadeias capazes de se fechar sobre si mesmo, em forma de anel, a junção de muitos anéis criando uma esfera oca, um meio interior dentro do qual longas hélices duplas de ADN codificam e replicam informação genética…

Vídeo: Origem da Vida (www.youtube.com/watch?v=dL_1cnrRtek)


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Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Breve História de Tudo (III)

                 

Inscritas em seis milhões e meio de anos, as marcas da inteligência vêm-se aprofundando, desde que, nas savanas do Sahel, os antepassados de nós próprios se ergueram, o Chade apadrinhando o mais antigo hominídeo conhecido, a evolução trazendo habilidade e sofisticação crescentes, a comunicação verbal e a expressão artística afirmando uma auto consciência cada vez mais firme, a capacidade de adaptação determinando a sobrevivência. Cento e setenta mil anos foram dissolvidos no rio da humanidade; descendemos de uma Eva negra, a migração de há cinquenta mil anos levando o homo sapiens para fora de África num imparável preencher de continentes com a espécie à qual pertencemos. Alguns membros da família humana desapareceram nas brumas de passados longínquos, outros ainda foram contemporâneos do Homem, a inaptidão ou a miscigenação levando a um fim de modo algum inglório. A árvore da vida é feita de incontáveis ramificações, o tronco assente sobre as raízes das primeiras moléculas capazes de se auto-copiar, cada ser à face do planeta descendendo de um antepassado comum, quatro mil milhões de anos de evolução contínua gerando a indescritível e maravilhosa miríade de organismos. Um novo ano acerca-se rapidamente. Que em 2008 sejamos capazes de enaltecer o prodígio da vida!

Vídeo: Evolução Humana (www.youtube.com/watch?v=ZQrkJchlldA)

 

Feliz Ano Novo!


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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Breve História de Tudo (II)

                  

A vida está em todo o lado, desde os mais profundos abismos até às altitudes elevadas, desde os vales mais secos até às montanhas geladas, desde a temperada superfície continental até aos mananciais ferventes do leito oceânico. Começou com uma simples molécula de RNA, capaz de criar réplicas dela própria, a energia e os aminoácidos em profusão proporcionando o assombro. Adaptou-se, evoluiu e conquistou o planeta. Diversificou-se no período Câmbrico, há mais de meio milhar de milhões de anos, como nunca havia sucedido, a invenção da reprodução sexuada facultando a explosão de novas espécies num intervalo de tempo absurdamente curto, a inovação permitindo a ocupação de novos nichos ecológicos, os organismos de complexidade cada vez maior saindo do oceano para avassalar terra firme. Incontáveis espécies floresceram e viram descer sobre elas as trevas da extinção, a competição ou os cataclismos determinando um fim abrupto. Outras tantas ainda hoje se mantêm à face do planeta, contendo ainda parte dos genes originais, mas dissemelhantes do que foram. Há sessenta e cinco milhões de anos, após o fim dos dinossáurios, um grupo de pequenos, nocturnos e arborícolas mamíferos insectívoros, chamados Euarchonta, inicia a especialização que irá resultar nas ordens dos escandentes, dos lémures voadores e dos primatas. Eram os primeiros esboços da humanidade.

Vídeo: Vida na Terra (www.youtube.com/watch?v=Cghq8gA398s)

Música: Sìgur Ròs


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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Breve História de Tudo (I)

                   

E a matéria e o tempo nasceram com o Universo, cada um deles representando o papel que a Grande Arquitecta lhes conferiu, engendrando subtis e grandiosas coisas que a nossa mente e os nossos olhos, atentos, podem perceber. Emanámos do interior das estrelas, há milhares de milhões de anos, sob a forma de elementos nascidos da fusão nuclear, os tijolos antigos da nossa construção a serem agregados pelas forças originadas na grande explosão, a matéria diversificando-se em fantásticas transmutações energéticas, a tabela periódica ganhando conteúdo. No ilusório vazio das vastidões universais, a química pré-biótica gera as moléculas precursoras do prodígio da vida, o sortilégio dos aminoácidos resultando de ligações de átomos diversos ao carbono aglutinador, é como que semente a lançar à terra, as nuvens de poeira cósmica, os cometas e os asteróides disseminando a possibilidade biológica que vem a dimanar num pequeno planeta girando à volta de uma estrela comum, na periferia de uma galáxia como tantas mais, a panspermia garantindo a fecundação de um mundo até então inanimado. Nos mares da Terra, a agitação dos infindáveis ciclos de nascimento, reprodução e morte, substitui a esterilidade velha de três mil e quinhentos milhões de anos…

Vídeo: Origem da Vida - Panspermia (www.youtube.com/watch?v=x08ALWRar4E)


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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Melodia

A melodia do canto de algumas aves é uma das mais sofisticadas formas de comunicação do reino animal. E entender a sua complexidade é abrir as portas para um mundo inimaginado. Na verdade, estudos sobre a linguagem dos pássaros revelaram algumas notáveis semelhanças entre os cérebros destes e dos humanos, e trouxeram à luz informações surpreendentes sobre a forma como eles aprendem. Alguns dos sons emitidos, tais como o simples cacarejar das galinhas, são inatos, mas alguns cantores mais evoluídos desenvolvem o seu repertório através de uma misteriosa interacção entre o conhecimento aprendido e o herdado. Indivíduos de ouvido apurado imitam os mais velhos e, em algumas espécies particularmente versáteis, podem dominar mais de uma centena de temas. Descobriu-se ainda que o hemisfério esquerdo do cérebro controla o canto dos canários, da mesma forma que nos humanos controla a fala. Tal especialização, que se julgava exclusiva da nossa espécie, pode ser de extremo interesse para o avanço da neurologia.

música: Surfin Bird (The Ramones)

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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

Coração (I)

O coração bate cerca de setenta vezes por minuto, mais de dois mil milhões de vezes em toda a vida, e aparentemente tem uma vida própria. As fibras musculares que o compõem diferem das de outras partes do corpo, no facto de que algumas delas geram os seus próprios impulsos eléctricos sem receberem sinais do cérebro. Com efeito, o coração de um feto começa a pulsar ainda antes de se formarem as conexões nervosas. O marca-passo natural do coração é um grupo de células auto-estimuláveis que constituem o nódulo sinoatrial, ou NSA. Localizada na parede do átrio (ou aurícula) direito, esta área envia impulsos ao nódulo atrioventricular, que fica no septo, a parede muscular que divide o coração. Os sinais viajam pelo feixe de His, em direcção a um conjunto de fibras nervosas, chamado rede de Purkinje, que recobre os ventrículos, e daí para todo o coração, causando uma contracção. Não se sabe o que dá início à corrente no NSA, mas as suas células comportam-se mais como neurónios do que como fibras musculares…

Imagem: Nebulosa do Coração (http://apod.nasa.gov/apod/image/0610/heart_russell_big.jpg)

música: O-Daiko (Kodo)

publicado por V.A.D. às 02:19
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Enigma (I)

Uma bactéria é um organismo modestíssimo: é uma só célula. Já forma, porém, uma associação de grandes moléculas cujo ciclo vital envolve perto de mil reacções químicas diferentes. O corpo humano, por sua vez, tem uma complexidade incrível: é formado por dezenas de grandes órgãos, cujas tarefas são realizadas por dezenas de milhares de substâncias diferentes. Ao nível das moléculas, as funções vitais revelam um extraordinário engenho. Há as que se engastam nas membranas celulares, deixando de fora apenas uma parte dos seus milhares de átomos; dependendo de factores químicos, da forma e da distribuição das cargas eléctricas, elas reconhecem um por um os milhares de substâncias que entram em contacto com a célula. Algumas, diante de certos compostos, alteram-se e deixam entrar ou sair os suprimentos necessários e os produtos resultantes da actividade orgânica. Outras identificam e coordenam moléculas mensageiras, que regem o metabolismo. Não admira que tenhamos dificuldade em compreender o que se passa no interior dos organismos vivos…

Imagem: Leucócito (http://library.thinkquest.org/3564/cell751.gif)

música: It's My Life (Talk Talk)

publicado por V.A.D. às 02:21
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Sexo

Até há cerca de seiscentos milhões de anos, todas as formas de vida existentes no nosso planeta eram constituídas por células sem núcleo, chamadas procarióticas, que se reproduziam assexuadamente, fazendo cópias exactas de si mesmas. No período Cambriano, começaram a surgir as células eucarióticas, possuidoras de um núcleo que funciona como o centro de controlo da célula e onde decorrem o armazenamento e a replicação do ADN. Este novo tipo de células revelou-se capaz de se multiplicar através da reprodução sexuada, que implica a combinação de genes de dois seres separados, cada um deles contribuindo com metade do material genético que o descendente usará na determinação das suas características. Este passo simples, mas decisivo, desencadeou uma explosão evolucionária. As células eucarióticas aumentaram drasticamente a sua variedade e adaptabilidade através do processo de selecção natural, dando origem a uma infinidade de espécies, na qual se inclui o Homem. Paralelamente, nos dois mil milhões de anos da sua existência, as algas procarióticas azuis e verdes, e as bactérias, que ainda se reproduzem assexuadamente, continuam a ser o que sempre foram. Em jeito de brincadeira, daqui se podem concluir duas coisas: o sexo é antigo e, se não tivesse aparecido, seríamos algas ou, na melhor das hipóteses, bactérias…

Imagem: Eucarionte (www.bbc.co.uk/portuguese/especial/images/49_oceano/212235_mar07.jpg)

música: Whenever There Is You (Koop)

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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Sentidos (II)

“Por um Órgão do Sentido entende-se aquilo em que, em última análise, está colocado tal poder.”

Aristóteles, em De Anima

 

A fome e a sede são registadas no hipotálamo, a área do cérebro que detecta mudanças químicas no sangue. O senso de equilíbrio é regulado no ouvido interno, onde três tubos curvados, cheios de fluido, estão alinhados com cada uma das três dimensões espaciais, minúsculos pelos reagem a cada movimento do líquido, transmitindo a informação ao cérebro através de conexões nervosas específicas. Outro sentido de movimento, chamado Cinestesia, permite que saibamos a posição exacta das diversas partes do nosso corpo e também a tensão dos nossos músculos. Em geral, as pessoas consideram que a capacidade de percepção da temperatura está associada ao tacto. Na verdade não é assim. Dois grupos de nervos distintos, um para o frio, outro para o calor, encarregam-se dessa função. A dor e a pressão também são captadas por fibras nervosas específicas. Os controlos sensoriais internos medem também a quantidade de oxigénio no sangue, regulando a respiração. A uma infinidade de processos fisiológicos corresponde um infindável número de sentidos.

Imagem: Cérebro e Sentidos (www.faizani.com/online_library/G1/images/brain_senses.jpg)

música: Come To Me (Koop)

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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Sentidos (I)

“Por um Sentido entende-se o que tem o poder de receber as formas sensíveis das coisas, sem a matéria”

Aristóteles, em De Anima

 

Se tivéssemos apenas cinco sentidos, estaríamos perdidos. Confundiríamos as noções de para cima e para baixo, não saberíamos quando comer ou beber, permaneceríamos no frio até que os nossos membros ficassem entorpecidos ou, ainda, deixaríamos a mão exposta ao calor de um forno, por exemplo, até que o nosso olfacto nos avisasse de que algo estava errado. Além de toda esta confusão, estaríamos constantemente preocupados com o que os nossos membros estão a fazer. Na lista normal dos sentidos constam apenas aqueles que recebem informações do mundo externo ao nosso organismo: visão, audição, paladar, tacto e olfacto. Mas, além dos dados sobre o mundo que nos cerca, precisamos de uma infinidade de informações sobre o que está a acontecer dentro de nós mesmos.

Imagem: Cinco Sentidos (www.west.asu.edu/call/5%20SENSES.jpg)

 

música: I See A Different You (Koop)

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