Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Imago

                  

Em certos momentos de inquietude, ponho de parte alguns pedaços ínfimos de verdade, abomino a aceitação calada de algumas das fronteiras que a natureza humana impõe, recuso o auto-sacrifício de me avassalar à pasmaceira imposta pela mesquinhez dos limites. Cerro as pálpebras e vejo mundos em construção, vórtices de energia dominando as paisagens desassossegadas pela concepção de alternativas inventadas. Interiorizo-me, a procura da essência sendo levada a um extremo que me esgota e extasia, examino cada recanto do meu ser, consciente de que muito mais se esconde nos subterrâneos inacessíveis, os vislumbres de um palco, de um actor solitário manipulando fios suspensos de pernas para o ar e o reflexo de um títere imago de mim mesmo indiciando a peça que é representada no anfiteatro sem luz do Id. Não me reconheço em reproduções meramente tridimensionais, a translucidez do tempo e as etéreas linhas de causalidade ou de casualidade assumindo uma relevância exasperantemente manifesta, muito antes da alvorada ou pouco depois do pico solar, o equador de quem sou transmutando-se em frialdade polar… Ou ao contrário, nem sei bem…

Vídeo: VjXoe Cosmic Gate (Thievery Corporation) (www.youtube.com/watch?v=ek4C1E-z5tw)


publicado por V.A.D. às 23:58
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8 comentários:
De Pérola a 17 de Fevereiro de 2008 às 12:41
Querido amigo:

Quantas vezes temos que nos limitar devido às circunstâncias da vida, quantas vezes não podemos ser quam realmente somos, mostrar tudo o que desejamos, não é verdade?

Mas uma coisa não nos podem tirar nunca: o que somos. Está dentro de nós, os nossos sonhos, a nossa imaginação, até onde podemos ir. Há coisas que são sempre só nossas, meu querido amigo.

Um grande beijo e parabéns pelas palavras lindíssimas.
Bom Domingo! ;)


De V.A.D. a 17 de Fevereiro de 2008 às 23:15
Minha querida amiga, creio que muitas vezes não somos mais que meros fantoches, comandados por circunstâncias que nos são exteriores e que fogem totalmente ao nosso controlo, ou pelos instintos que residem nas profundezas do nosso cérebro, herança dos nossos mais remotos ancestrais.

Contudo, somos seres fantásticos, capazes de maravilhosas abstracções, hábeis ao ponto de construir mundos imaginados, deixando que a mente se erga acima dos limites impostos pela natureza, a imaginação produzindo imagens magníficas, a introspecção levando-nos a um maior conhecimento de nós próprios. Somos capazes de perceber e de decidir, o livre arbítrio resultante da inteligência engrandecendo-nos enquanto indivíduos... :-)

Amiga, agradecendo a amabilidade expressa nas tuas palavras, desejo-te uma óptima noite e uma semana magnífica!

Um beijo e um enormeeeeeeeeeee sorriso... :-)


De Emanuela a 17 de Fevereiro de 2008 às 17:13
Amigo querido, não sei o que dizer-te. Deixei-me viajar pela imagem do vídeo, li e reli o que escreveste e pareceu-me sentir-te... revoltado! Não, revoltas não são o tipo de coisas que fecham contigo. És sempre tão apaziguador, tranquilo apesar dos desafios da vida.
Que verdades são estas, que consegues por de lado? Podemos até fazer de conta, mas há limites que não podemos transpor, por mais que queiramos. Outros, dos quais tentamos escapar, tantas vezes viram-se contra nós... Há em alguns, esta força de querer algo mais, de não se conformar com a realidade imposta. Uma necessidade de construção constante de si mesmo, de mudança, de buscas intermináveis, de aperfeiçoamento de tudo. Mas amigo, descansa um pouco... Não dá mesmo para ser chama o tempo inteiro, às vezes precisamos também de ser gelo. E tem em mente que: “Toda modificação para melhor reclama luta, tanto quanto qualquer ascensão exige esforço.
Como a maioria das criaturas humanas se encontra em lutas expiatórias, podemos figurar o homem terrestre como alguém a lutar para desfazer-se do seu próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender para a vida e para a luz que residem em Deus.
Essa imagem temo-la na semente do mundo que, para desenvolver o embrião, cheio de vitalidade e beleza, necessita do temporário estacionamento no seio lodoso da Terra, a fim de se desfazer do seu envoltório, crescendo, em seguida, para a luz do Sol e cumprindo sua missão sagrada, enfeitada de flores e frutos.( Emmanuel)."
E eu que não sabia o que dizer-te, hehe.. acho que me alonguei um pouco.
Desculpas esta tua amiga impertinente, mas que te adora?
Um beijo :-)))



De V.A.D. a 17 de Fevereiro de 2008 às 23:17
Minha querida amiga, o vídeo também me deixou extasiado, a música e a imagem complementando-se num fantástico jogo sensorial. Thievery Corporation... Descobri-os há pouco tempo e os seus temas não param de me encantar.

O texto não pretende ser nenhum grito de revolta, nem nenhum clamor de insatisfação. É apenas a ilustração de alguns pensamentos que me cruzam a mente quando, em momentos de introspecção, verifico que na verdade nem nos conhecemos a nós próprios e manifestamos muitas vezes a pretensão de conhecer os outros. É também a afirmação de que reconheço volubilidade nos meus estados de espírito e de que sou até capaz de negar alguns limites, pondo de parte a noção de que estou longe do nível intelectual que gostaria de ter, a mente desligando-se da realidade numa ilusão de mundos alternativos, em busca de respostas para alguns dos enigmas que, desde sempre, me atormentam.

Confesso-te que nutro um enorme respeito e admiração por algumas mentes grandiosas. Vi, há uns dias, parte de um documentário sobre Stephen Hawking, um dos mais brilhantes cientistas de todos os tempos que, embora afectado por uma gravíssima doença que o deixou incapacitado fisicamente, consegue superar obstáculos que fariam a vastíssima maioria desistir. Sei-me incapaz de atingir uma amostra dessa excelência, mas nunca deixarei de a procurar... :-)

Amiga, sabes que aprecio muitíssimo as tuas palavras. Nenhum comentário é longo demais.

Desejo-te uma óptima noite e uma excelente semana!

Um beijo e um enormeeeeeeeeee sorriso... :-)


De **** a 17 de Fevereiro de 2008 às 17:19
“...recuso o auto-sacrifício de me avassalar à pasmaceira imposta pela mesquinhez dos limites” – algo que nos esquecemos de recusar com demasiada frequência...

“Cerro as pálpebras e vejo mundos em construção” – é reconfortante, por vezes, fazê-lo. O universo exterior é descomunal - descomunalmente imenso, interessante, maravilhoso – contudo o nosso universo interno não lhe fica atrás. Prova disso é o teu energético texto, que “esgota e extasia”. Adorei a paradoxal metáfora do actor num palco, em parte porque tenho um especial gosto por teatro, em parte porque me identifico um pouco com esse estranho vislumbre, em parte porque realmente está fantástica.

Quando a tentamos examinar cada recanto do ser é uma ideia fantástica... devemos ser uma figura geométrica com tantos cantos que já tomámos mais o aspecto de esfera.

Beijos,

Sophia


De V.A.D. a 17 de Fevereiro de 2008 às 23:18
É verdade, amiga. Vezes demais, deixamo-nos moldar à pasmaceira acéfala que nos tentam impor, esquecendo que somos capazes de ir mais além, desistindo de questionar e de procurar respostas para alguns dos enigmas existentes no nosso mundo, interior ou exterior.

Vejo-me muitas vezes como um títere, comandado pelos instintos ou pelas circunstâncias que não domino nem consigo prever. Percebo-me também como um actor que se vê acorrentado ao que se convencionou ser o guião, mas que não desiste de criar as suas próprias falas, numa tentativa de criar um final alternativo, que pretende melhor... :-)

Acredito que só somos capazes de perceber os outros se nos percebermos a nós próprios. Mesmo sabendo da dificuldade, não me escuso a um olhar introspectivo e verifico, como muito bem dizes, que sou um sólido poliédrico de infindas faces, cheio de complexidades mas também de alguma transparência... :-)

Agradecendo as tuas agradabilíssimas palavras, desejo-te uma óptima noite e uma semana magnífica!

Um beijo e um enormeeeeeeee sorriso... :-)


De dhyana a 17 de Fevereiro de 2008 às 20:41
Penso que esta "frialdade polar" não passa de algo casual, e o equador de que és feito, prevalecerá.
beijos...


De V.A.D. a 17 de Fevereiro de 2008 às 23:19
Oh, amiga, este texto, não sendo um instantâneo, não deixa de ser um dos muitos fotogramas do filme da minha existência, mas pretende apenas ilustrar algumas das coisas que considero comuns na natureza humana: a volubilidade dos estados de espírito, a capacidade de abstracção e de auto-análise, a percepção de que a mente pode superar alguns limites, aventurando-se em extraordinários mundos, internos ou externos. É também uma tentativa de apaziguar uma certa inquietude resultante da noção de que, afinal, estou muito longe do nível intelectual que gostaria de ter. Mas representa, sobretudo, a ideia de que sou capaz de me questionar e de evoluir... :-)

Agradecendo a força expressa nas tuas palavras, desejo-te um óptimo final de domingo e uma semana magnífica!

Um beijo e um enormeeeeeee sorriso... :-)


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