Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Insectos - Posfácio

Os insectos são os mais bem sucedidos animais terrestres, abundantes nos mais diversos habitats, a excepção sendo verificada em relação aos ambientes marinhos. No nosso planeta contam-se mais de um milhão de espécies, algumas delas verdadeiramente repugnantes, outras manifestando uma eusocialidade que causa espanto e perturbação, a complexidade da estrutura social assemelhando-se à de alguns mamíferos superiores, exigindo processos de comunicação insólitos, de difícil apreensão e que sempre nos causarão estranheza por serem diversos daqueles a que estamos habituados. Tentei utilizar, no conto, algumas das especificidades que tornam os insectos tão desconformes aos nossos olhos, baseando-me, para isso, em algumas informações disponíveis sobre a sua organização e comportamento. Quando era miúdo, gostava de observar as formigas e a forma como pareciam saber o que lhes competia fazer, o sistema de castas firmando a divisão de tarefas. Maravilhava-me com os carreiros que, supunha eu, teriam de estar assinalados de alguma forma, pois os pequenos animais percorriam-nos sempre como se de uma auto-estrada se tratasse. Descobri, algum tempo depois, que usavam uma espécie de marcadores químicos, segregados por glândulas especializadas. Apercebi-me da importância dessas moléculas na vida de diversos organismos e ainda hoje me interrogo acerca das possibilidades que elas podem representar, um fantástico mundo químico de sinais aguardando a exploração. Actualmente, as feromonas são usadas para o controlo de pragas, o engodo químico que tem por finalidade a continuidade da espécie sendo virado contra as próprias criaturas. Neste meu modesto exercício de escrita, fui um pouco mais além, imaginando-as como meio de comunicação efectiva, a alquimia das palavras usando átomos como fonemas…

Imagem: A Formiga e Eu (http://static.howstuffworks.com/gif/the_ant_bully.jpg)


publicado por V.A.D. às 01:55
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8 comentários:
De mnike30 a 11 de Fevereiro de 2008 às 08:16
À conta dessa observação/ curiosidade pelos "carreiros de formigas" levei uma espetadela num dedo... que ainda hoje me lembro da dor... é que eu não me fiquei só pela observação... eu vasculhei mesmo os confins do universo minúsculo chegando ao trono da formiga raínha, teria eu 7 aninhos.
Ai que dores...
A partir daí aprendi que se deve ter no mínimo respeito por todas as criaturas fantástico-repugnantes chamadas insectos...
Mas, convenhamos que alguns metem mesmo nojo...

Os teus... soam a metamorfose de lagartixa pintada a asas de borboleta...
:)
Bom dia para ti!
Beijinho


De V.A.D. a 11 de Fevereiro de 2008 às 14:31
A armadura bucal de algumas formigas, especialmente a das guerreiras, é realmente poderosa e consegue infligir danos na pele de quem se mete com elas. Há até um episódio doloroso, passado na minha tenra infância, eu de calções vestidos, sentado sobre um formigueiro numa velha eira da minha avó, e as formigas atacando um certo local da minha fisionomia, os boxers larguitos sendo incapazes de conter a onda de retaliação...
Ehehehe, dói, pois...!

Os insectos, bem... Continuarão sempre a gerar alguma repulsa mas, serviram de fonte de inspiração... :-)

Desejo-te uma excelente tarde!

Um beijo... :-)


De **** a 11 de Fevereiro de 2008 às 22:46
Entre aqueles que desafiam as leis da física no seu delicado voo e aqueles que desenvolveram fantásticas organizações sociais, estes pequenos seres são deveras fascinantes. Oscilo entre um curioso fascínio e uma instintiva repulsa (talvez resultante da clara, parcial, flagrante preferência de todos aqueles que, entre estes amigos, picam pelo meu sangue e da exagerada insistência do meu sistema imunitário em avisar-me quando tal acontece).
Quanto ao exemplo - às formigas - nunca tive nenhuma experiência tão “traumatizante” como a tua, contudo também me acocorava na terra a observar a sua afincada tarefa, a facilidade com que voltavam à colónia e a rapidez com que restituíam carreiros bloqueados. Não só sujei calções, como calças, saias e vestidos nesta tarefa - deveras é fascinante o seu comportamento. São uma derradeira sociedade onde cada membro está (pre)disposto a sacrificar-se pelo bem da colónia (vi isso quando um antigo vizinho, desesperado com as obstinadas incursões que estas lhe faziam à casa, encheu de veneno em pó o canto da cozinha por onde entravam e se deparou, mais tarde, com um caminho de formigas mortas sobre a qual as restantes passavam, separando esta “ponte” em construção as formigas vindouras do fatal destino que era o veneno).

A ideia de escrever um posfácio sobre o conto é óptima.

beijos
e que essa criança que via as formigas de perto te acompanhe por muito

Sophia


De V.A.D. a 12 de Fevereiro de 2008 às 01:59
Tocaste num assunto interessantíssimo, as fantásticas capacidades de voo dos insectos, baseadas na criação de super-vórtices sob as asas, algo que pouco tem de semelhante em relação à aerodinâmica das aves e dos engenhos criados pelo Homem. A Natureza encontra sempre a solução mais adequada, face aos desafios que têm de ser superados... :-)

O facto de se achar a maioria dos insectos repugnante e causadora de uma repulsa instintiva, não minimiza o fascínio que estes seres podem representar. A eusocialidade de algumas espécies (cuidado cooperativo com a prole, divisão de tarefas, uso do mesmo ninho para a criação de sucessivas gerações) encerra em si própria um quê de familiar: vemos num formigueiro ou numa colmeia uma organização estruturada que só julgávamos possível nas sociedades humanas.

De facto, uma colónia é como se fosse um único organismo, a predisposição para o sacrifício individual assegurando o bem comum... É quase uma imagem utópica, este ilusório altruísmo impresso nos genes... :-)

Achei que seria interessante apresentar, a quem amavelmente me lê, algumas das razões e ideias subjacentes à construção da história, através de um posfácio...

Amiga, agradecendo as tuas palavras, desejo-te uma excelente noite e formulo também os votos de que te consigas sempre interessar pelas subtis maravilhas do mundo!

Um beijo... :-)


De Emanuela a 12 de Fevereiro de 2008 às 00:39
Amigo, fiz um comentário e na hora de publicar deu a zica no pc...Agora não sei se entrou ou não...
Bom, o jeito é esperar pra ver.De qualquer jeito:
beijinhos.


De V.A.D. a 12 de Fevereiro de 2008 às 02:01
Amiga, achei muito engraçada a expressão que usaste! Parece-me que a zica que fez o teu pc tartamudear impediu, de facto, que a melhor sequência tivesse sido dada ao teu comentário...

Um beijo... :-)


De Emanuela a 13 de Fevereiro de 2008 às 00:09
Bem, nada de tão importante se perdeu...Algumas palavras e considerações acerca da curiosidade das crianças no tocante à formigas, algum nojo de baratas...Coisas que fizeste vir à tona falando de insetos. Mas o mais importante, amigo é o conhecimento que sempre passas através dos teus textos.


De V.A.D. a 13 de Fevereiro de 2008 às 01:37
Todas as palavras me importam, amiga. Sinto também essa aversão por baratas, maravilho-me com a estrutura social de abelhas e formigas, arrepio-me só de pensar em centopeias... Mas, acima de tudo, tento olhar para todas as criaturas, por mais estranhas que me sejam, com olhos de entender... :-)

Agradecendo as tuas palavras, desejo-te uma excelente noite!

Um beijo... :-)


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