Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Vi

                  

“Vi a expansão abrandar, a matéria escura potenciando a gravidade, o rasgo inflacionário fenecendo, esgotado de tão velho, incapaz de contrariar o poder da mais indomável das forças. Vi os longínquos exames de galáxias em aproximação, o Cosmo iniciando o encolhimento que encheu de luz o céu nocturno, antes quase desprovido de radiação, os frios pontinhos de luz substituídos por fogueiras vibrantes de energia. Vi-me livre da prisão corpórea, a levitação da mente proporcionando um panorama desusado, a invenção de uma bancada de onde um fabuloso espectáculo pôde ser admirado. Vi-me só, o resto de tudo caindo em direcção ao nenhures numa violência de choques que tudo fundia, a matéria aglomerando-se num caldo efervescente de quarks até a radiância se extinguir abruptamente. Senti o ovo cósmico formar-se, a implosão do velho Universo esvaindo o espaço do próprio espaço, o tempo afunilando-se no ralo da eternidade moribunda. Percebi o negrume que absorveu os resquícios de energia adensar-se até nada mais existir, a infinidade de tudo contida num invisível invólucro, a unicidade das forças revivendo o início num aparente fim, o interminável ciclo cósmico dando mais uma fase por terminada... Cessei de existir..."

V.A.D. em Vi

Vídeo: A Grande Implosão (http://www.youtube.com/watch?v=nJgY-ZPY0L0)


publicado por V.A.D. às 03:14
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6 comentários:
De **** a 16 de Janeiro de 2008 às 15:23
"Cessei de existir"
Um texto acaba duma forma fantástica... não sei bem explicar porquê mas adorei a frase com que o finalizaste, a sua forma definitiva, breve, conclusiva, a ideia deixarmos de "ser" e, no entanto, termos consciência dessa situação, podermos contar o que vimos...

Pois bem o restante texto não fica em nada a dever à referida, como sempre a descrição encantou-me. Se a raça humana (ou uma evolução dela) chegasse a ver o Big Crush, sem dúvida que se sentiria ''livre da prisão corpórea, a levitação da mente proporcionando um panorama desusado''. Esses segundos seriam simplesmente espectaculares - seria um fim e um princípio ou, mais propriamente, uma mera marca num ciclo interminável que depois de nós, depois do nosso universo, depois de big bangs e big crushs, permanece, não cessa nunca de existir...

Beijos
e que 'vejas' muito mais,

Sophia


De V.A.D. a 17 de Janeiro de 2008 às 02:05
Olá, Sofia :-) É um fim que parece irrevogável, a cessação da componente física trazendo a ideia de final definitivo e a mente, teimando na consciência racional, querendo desmentir aquilo que seria óbvio... Como sabes, sou um ateu convicto, mas não deixo de ser capaz de imaginar algo assim, fantástico: a descorporização permitindo que o pensamento puro se desprenda do invólucro da carne... :-)

As minhas divagações levam-me muitas vezes até estes "lugares" enigmáticos do início e fim do mundo. Não sei (e acho que ninguém sabe) se o Universo é aberto ou fechado, mas prefiro pensar que existe um ciclo inacabável de recomeços e de finais, a eternidade interrompida para ser novamente posta em marcha...

Agradecendo as tuas palavras, aproveito para te desejar uma magnífica noite!

Um beijo... :-)


De A Túlipa a 16 de Janeiro de 2008 às 22:09
Meu amigo =]. As saudades que já tinha de por aqui passar. Sempre a mesma calma... Daquelas rotinas que nunca o chegam bem a ser.
Desembrulhei o presente, mas creio que hoube um engano... não encontrei a parte do envenenado
=S. ;)

'


De V.A.D. a 17 de Janeiro de 2008 às 02:14
Olá, amiga :-) Também eu tinha saudades das tuas palavras, sempre cheias de amabilidade e que tanto aprecio.
Quando escrevo sobre estes assuntos, deixo-me invadir por uma inquietude serena, a consciência de que a vastidão e a complexidade do Universo constitui um enigma que pode não vir nunca a ser decifrado, mas que me extasia através das divagações em que me deixo transportar...

Fico contente por teres aceite o presente que, na verdade, não era envenenado... :-)
De imediato, irei ver o uso que dele fizeste... :-)

Desejo-te uma excelente noite!

Um beijo... :-)


De Emanuela a 17 de Janeiro de 2008 às 01:30
Eu acredito que o "momento da passagem", ou o nosso fim aqui neste plano, deve ser algo assim. Um ver tudo de fora, absorvendo a grandeza de tudo ao nosso redor como partes de nós e finalmente conseguindo um absoluto clarão.Depois... o depois eu não sei!
Um beijo!


De V.A.D. a 17 de Janeiro de 2008 às 02:19
Amiga, por muito convicto que possa estar em relação à ideia de que à morte física corresponderá também o fim do espírito, não deixo de ser capaz de imaginar uma situação assim, a mente liberta da prisão carnal assistindo a eventos fabulosos, testemunhando o fim de mais um ciclo de entre inúmeros... :-)
Desejo-te uma magnífica noite, iluminada pela serenidade!

Um beijo... :-)


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