Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Breve História de Tudo (II)

                  

A vida está em todo o lado, desde os mais profundos abismos até às altitudes elevadas, desde os vales mais secos até às montanhas geladas, desde a temperada superfície continental até aos mananciais ferventes do leito oceânico. Começou com uma simples molécula de RNA, capaz de criar réplicas dela própria, a energia e os aminoácidos em profusão proporcionando o assombro. Adaptou-se, evoluiu e conquistou o planeta. Diversificou-se no período Câmbrico, há mais de meio milhar de milhões de anos, como nunca havia sucedido, a invenção da reprodução sexuada facultando a explosão de novas espécies num intervalo de tempo absurdamente curto, a inovação permitindo a ocupação de novos nichos ecológicos, os organismos de complexidade cada vez maior saindo do oceano para avassalar terra firme. Incontáveis espécies floresceram e viram descer sobre elas as trevas da extinção, a competição ou os cataclismos determinando um fim abrupto. Outras tantas ainda hoje se mantêm à face do planeta, contendo ainda parte dos genes originais, mas dissemelhantes do que foram. Há sessenta e cinco milhões de anos, após o fim dos dinossáurios, um grupo de pequenos, nocturnos e arborícolas mamíferos insectívoros, chamados Euarchonta, inicia a especialização que irá resultar nas ordens dos escandentes, dos lémures voadores e dos primatas. Eram os primeiros esboços da humanidade.

Vídeo: Vida na Terra (www.youtube.com/watch?v=Cghq8gA398s)

Música: Sìgur Ròs


publicado por V.A.D. às 02:57
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10 comentários:
De Emanuela a 30 de Dezembro de 2007 às 03:27
Esta tua capacidade de extasiar-se diante da grandeza do universo, da Vida é algo contagiante!
Um beijo !


De V.A.D. a 30 de Dezembro de 2007 às 23:28
Minha querida amiga, creio não haver nada que se assemelhe, em grandiosidade e maravilha, a este Universo de prodígios, a vida sendo talvez o maior...
Não posso deixar de ficar extasiado...! Fico contente por poder contagiar... :-)
Votos de uma óptima noite e de um magnífico ano novo!

Um beijo... :-)


De Pérola a 30 de Dezembro de 2007 às 15:25
A vida é realmente uma coisa fascinante. Nem sempre damos o devido valor ao facto de existirmos e estarmos vivos.
Que este ano seja repleto de vida para todas as pessoas, e em especial para ti, meu amigo.
Um grande beijinho!


De V.A.D. a 30 de Dezembro de 2007 às 23:35
É verdade, amiga. A vida é um prodígio que deve ser enaltecido. Quando medito sobre estas questões, quando penso na grandiosidade e subtileza dos processos que levaram ao aparecimento da vida nas suas mais diversas formas, não deixo de me sentir extasiado.
Agradecendo as tuas palavras, também eu formulo o desejo de que o novo ano te traga tudo quanto possas desejar!

Um grande beijo... :-)


De **** a 30 de Dezembro de 2007 às 22:00
Sempre achei esta parte das ciências fascinante. Desde a formação do Universo, do sistema solar, do planeta, das primeiras moléculas orgânicas, das células vivas, das primeiras colónias ao aparecimento dos multicelulares e sua evolução... Ainda mais fantástico é no meio disto tudo aparecer um ser com a sua desajeitada postura bípede (sinceramente mal pensada) e com um encéfalo claramente grande demais em relação ao corpo.

Se no outro conto me levaste até outro planeta e eu já achei longe, desta vez acho que "muito longe" não é suficiente para caracterizar os confins do espaço e tempo. Mas voltámos para casa, para essa humanidade que acho que ainda não conseguiu ultrapassar a categoria de "esboço" desde então.


A retribuição dos 2008 beijos e mais uns tantos,
e o desejo dum bom ano
e que, já agora, seja cheio de "histórias", nem sempre "breves", nem sempre "de tudo", mas sempre com o seu encanto

Sophia


De V.A.D. a 31 de Dezembro de 2007 às 01:17
São poucas as ciências que não me fascinam, mas reconheço que estes temas representam aquilo que mais me interessa: o conhecimento de quem somos, de que forma aparecemos neste Universo, vasto e ainda cheio de mistérios, que processos levaram à formação do próprio Cosmo... E a vida...! Que prodígio é esse, nascido da simples matéria inanimada...?! E a inteligência, a maneira como se desenvolveu, os mecanismos que levaram ao aparecimento da comunicação verbal... Enfim, acho que gastaria o espaço deste comentário se começasse a enumerar tudo aquilo que me atrai, a nível de Conhecimento...

Humm... Creio que a postura bípede foi essencial no desenvolvimento da inteligência, na medida em que libertou os membros posteriores, permitindo o manuseio de ferramentas, uma habilidade que claramente levou à sincinesia bocal, precursora da linguagem... O tamanho (desproporcionado)do encéfalo não será o resultado directo da necessidade de abrigar a sede dessa mesma inteligência...?

Sabes, acho que a humanidade não passará de um esboço em permanente actualização, cheio de imperfeições mas nem por isso menos impressionante. Afinal, sendo um céptico inveterado, preciso de algo em que acreditar... :-)

A título de curiosidade, o nome desta divagação em três partes surgiu de uma maneira engraçada: na estante que tenho aqui à minha frente, no meio de bastantes livritos, há um que se chama "breve história do tempo", de Stephen Hawking. Achei que seria interessante adaptar o título. Contudo, não tenho pretensões a abordar "tudo" numa tão breve história, eheheheh :-)

Amiga, quero agradecer as tuas palavras, sempre amáveis, e as tuas visitas aqui a este meu espaço.
Mais uma vez formulo os votos de que o novo ano te traga tudo aquilo que possas desejar!

Beijos... :-)



De **** a 31 de Dezembro de 2007 às 02:46
Quanto a gastar o espaço do comentário com tudo o que me atrai a nível do conhecimento acho que também me aconteceria. Acho que vale mais a pena tentar procurar tudo aquilo que não me atrai porque desconheço. =)

Kto ao bipedismo fez-me lembrar uma reportagem que li há tempos (inda vou ver se descubro onde). Isso aliado ao posterior crescimento da encéfalo causou uma série de problemas, perdemos velocidade ao andar, abdicámos duma certa estabilidade, passou a ser necessário 'aprendermos a andar na infância', tornámos o parto incrivelmente dificil, fragilizámos uma série de ligamentos... Foi uma evolução espantosamente rápida, atabalhoada como toda a selecção natural, mas para termos umas coisas abdicámos de outras. Em 200 e tal primatas somos os únicos bípedes, os únicos que têm problemas de costas, mas entre eles (e mais uma série de seres alguns dos quais nem patas têm) somos os únicos que somos capazes de discutir isso.
Se valeu a pena a troca? Pensando um pouco chega-se à conclusão que sim, pois caso contrário não poderia pensar de todo (pouco ou muito).

Kto às palavras 'amáveis' di-las-ia simplesmente sinceras. Vou ao espaço porque me cativa, acho que tenho mais a agradecer que tu.

Beijos,
Sophia


De V.A.D. a 3 de Janeiro de 2008 às 00:09
Olá, Sofia :-) Subscrevo integralmente. Aquilo que ainda não nos foi revelado não pode, de forma alguma, suscitar interesse. Tudo o resto é um grande oceano onde podemos mergulhar, a sede de conhecimento a ser mitigada, o fascínio do Saber provocando deslumbramento...

Acho que os problemas que referiste, resultantes do bipedismo, são um preço baixo a pagar pela inestimável maravilha que é a inteligência, tão bem exemplificada nesta nossa capacidade de discutir este assunto.
Em tempos li algo (creio que na scientific american) relacionado com exobiologia e inteligência extraterrestre. Nesse artigo, o autor abordava a inteligência por ângulos em que eu nem sequer havia considerado. Num deles, imaginava um planeta coberto por um oceano, onde toda a vida era aquática e a evolução havia levado a uma forma de inteligência que, sendo diferente, não deixaria de ser espantosa. Os seres, capazes de comunicar "verbalmente", não tinham desenvolvido quaisquer tecnologias e dedicavam-se à filosofia e a outras áreas do pensamento puro, lidando muito bem com conceitos abstractos... Resumindo, há uma questão que pode sempre ser colocada, sem que haja, creio eu, uma resposta definitiva: afinal, o que é a inteligência...?

Amiga, acredito na sinceridade das tuas palavras mas, por uma questão de educação, cabe-me sempre agradecê-las... :-)

Desejo-te uma excelente noite, e peço desculpa por ter tardado na resposta; o sapo pregou-me uma partida: deixou-me sem net até agora...

Um beijo... :-)



De **** a 6 de Janeiro de 2008 às 21:44
O que é a inteligência? Uma vez disseram-me me que em ciências não há verdades absolutas e que nenhuma definição é eterna. Eu nem tenho propriamente uma definição para ser actualizada. O que sei é que as portas que ela nos abre são fantásticas.

Já descobri onde foi que li a reportagem, o “há algum tempo” é tão relativo... foi na revista National Geographic de Julho de 2006, chamava-se “O Imperfeito Homem Bípede”. Dizia sobre nós: “Não é, definitivamente, o tipo de sistema mais bem planeado. Mas a evolução é sem decididamente um remendo e não um acto de engenharia” – e mesmo assim nem esses são perfeitos. Se nós fossemos perfeitos não faria sentido a evolução.
Este é o link da reportagem no site inglês:
http://ngm.nationalgeographic.com/ngm/0607/feature5/

Como se já não fosse suficiente - leia-se demais - queria acrescentar que também, na estante que tenho aqui à direita, está o livro do Stephen Hawking (uma edição bastante antiga por sovinice minha). O livro é fantástico em termos científicos, é fascinante da forma como o conta, mas as tuas palavras têm um certo lirismo que lhe falta, afinal este trata-se dum livro de divulgação científica.

Beijos,
Sophia


De V.A.D. a 6 de Janeiro de 2008 às 22:29
Olá, Sofia :-) Creio que tal como a mim, também a ciência te atrai precisamente por nela não existirem dogmas. É o constante aperfeiçoamento do Conhecimento, é a permanente busca, de que falei num outro post, é a própria dúvida que faz da ciência a minha religião... :-)
Embora normalmente defina a inteligência como sendo "a capacidade de abstrair e de solucionar problemas", sei que esta definição é muitíssimo limitada face à maravilha que ela representa. Como muito bem referiste, as portas que nos abre fazem de nós aquilo que somos: seres que deixaram de agir por mero instinto e que se tornaram hábeis o bastante para moldar o mundo às suas necessidades, ainda que, neste processo, comentam inúmeros erros.

Faz todo o sentido, aquilo que disseste sobre a "evolução versus perfeição". Acrescento que se não houvesse capacidade de adaptação às permanentes mudanças, impostas pelo sistema dinâmico onde estamos inseridos, a vida nem sequer teria sido possível. É esta flexibilidade, inscrita nas próprias moléculas orgânicas, que permite o prodígio da evolução.
Aproveito para te agradecer o link que me facultaste. Vou, de imediato, ler o artigo.

Nada, nos teus comentários, é em demasia...!
A divulgação científica atrai-me de sobremaneira, apesar de muitas vezes lhe faltar aquele "quê" de literatura que agrada e que faz embelezar outros géneros de escrita. Contudo, acho-a indispensável... :-)

Desejo-te uma óptima noite e uma semana muito, muito agradável!

Um beijo... :-)


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