Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Nus

Estamos vestidos de importância; nos pulsos o ouro eterno da vaidade e na cabeça a coroa do egocentrismo. Mas, na verdade caminhamos nus, de pés descalços sobre a poeira dos nossos antepassados, olhando o futuro como se os ventos do tempo soprassem numa só direcção. Esquecemo-nos de perscrutar o chão em busca do presente e aquilo que passou pouco mais é para nós que um sussurro inaudível ou uma imagem sem contornos definidos. Das gerações que nos antecederam, só sabemos o que a história conta; a individualidade dos milhares dilui-se inexoravelmente no grande caldeirão das épocas e o pensamento daqueles que nos antecederam é tão difuso como a matéria nos incomensuráveis oceanos do espaço profundo. Sombras à beira das fossas abissais do mais completo esquecimento. Meras sombras que, de tão indistintas, nem damos por elas. Ossos sem nome, enterrados num tempo que nada parece ter para nos dizer…

Hoje, tive a singular oportunidade de ver uma centenária e muito danificada fotografia do meu bisavô…

Imagem : Bisavô 


publicado por V.A.D. às 03:04
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10 comentários:
De teresworld a 9 de Outubro de 2007 às 23:17
Nus como na simples história d' "O rei vai nu", que coberto de vaidade ignorava...
Nus de pensamentos, ocos de sentimentos... e é no nosso passado que podemos beber o presente, reflectindo no futuro...

Um beijo

Teres


De V.A.D. a 10 de Outubro de 2007 às 01:14
E é nos nossos antepassados que reside parte da explicação para aquilo que somos. E sabemos tão pouco daquilo que pensaram, de como sentiram, das experiências que a vida lhes trouxe...
Lamento profundamente que a memória dos que estiveram antes de nós se perca irremediavelmente...
Votos de uma excelente noite!

Um beijo...


De Emanuela a 10 de Outubro de 2007 às 00:12
Tudo é ilusão e fumaça, como dizem as palavras de Salomão. Tudo será varrido pelo inexorável tempo.
Um abraço, meu amigo!


De V.A.D. a 10 de Outubro de 2007 às 01:17
Medito muitas vezes nestas questões... E sei que não passamos de seres que serão esquecidos. De nós nem restarão as mais difusas memórias, da mesma maneira que nada sabemos sobre os nossos tetravôs...
Votos de uma magnífica noite!

Um beijo... :-)


De dhyana a 10 de Outubro de 2007 às 12:58
...eu não conheci os meus, as vezes penso como seriam?, como pensariam? o que terei eu deles, sim, porque terei qq coisa de certeza. O que teriam eles para me ensinar? Muita coisa de certeza.
Adorei o texto.


De V.A.D. a 11 de Outubro de 2007 às 01:31
Sim, entendo-te...! Foi a visão de uma foto quase imperceptível que me despertou novamente a consciência de que aquilo que somos é também o património genético legado pelos nossos antepassados. Gostaria de saber mais. Conheci apenas uma bisavó, mas era demasiado jovem para que dela possa ter recordações vívidas. Tenho o prazer de ter duas avós vivas e poder aprender com elas. Tenho pena constatar que nada sei em relação à geração anterior, embora saiba que isso representa a normalidade das coisas...

Um beijo... :-)


De In a 10 de Outubro de 2007 às 18:24
"Das gerações que nos antecederam, só sabemos o que a história conta". E eu tenho muita pena de saber tão poucas histórias... é o problema de quem não conheceu avós.

Um beijo...


De V.A.D. a 11 de Outubro de 2007 às 01:47
Nem sabe o quanto lamento isso, pois reconheço o valor que eles têm, quer na formação da nossa identidade, quer ao longo da nossa vida. Como sabe, tenho a sorte de contar com as minhas avós, e em especial a minha avó materna, sempre presente nos momentos em que a palavra e a experiência de quem já viveu tanto tem um grande peso...
Desejo-lhe uma noite cheia de serenidade.

Um beijo...


De Fisga a 11 de Outubro de 2007 às 14:11
Parabéns pela analisee feita a esta realidade tão crua e fria: Parabéns também à capacidade criativa que imprimiu na reconstituição da foto do seu antepassado querido.


De V.A.D. a 13 de Outubro de 2007 às 01:06
Agradeço-lhe duplamente as gentis palavras. Tenho a noção de que a nossa passagem é fugaz e a nossa presença pouco notada. Contudo, no nosso restrito circulo de amigos e familiares, temos um lugar assegurado, pelo menos enquanto existirmos…
Bom fim-de-semana!

Um abraço.


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