Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

Medos

“Deslizavam em silêncio através da semi-escuridão, os rostos inumanos parcialmente ocultos, tornando-os ainda mais sinistros. A espaços paravam; gritos roucos e lancinantes eram emitidos pelas suas gargantas, rasgando a quietude tensa que se abatia sobre a multidão. As negras vestes alienígenas coladas aos corpos esguios e disformes, os braços longos e rígidos a terminarem em grotescas manápulas, faziam daquele cortejo uma visão de pesadelo e enregelavam a alma, muito para além daquilo que se julgaria possível. Pareciam alheios a tudo, deslocados do seu próprio mundo, indiferentes e austeros, como se uma espécie de demência disciplinadora os tivesse infectado. Baixei o rosto, não tanto em sinal de respeito, mas sobretudo para aliviar a carga emocional que sempre me sufocava quando os via. Se um dia quisesse representar os meus medos, seria assim que os desenharia…”

V.A.D. em Algures.

Imagem: Medos (http://artfiles.art.com/images/-/Rabi-Khan/Fears-not-Encountered-Giclee-Print-C10224641.jpeg)

música: À Noite (Valete)

publicado por V.A.D. às 02:24
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8 comentários:
De dhyana a 12 de Julho de 2007 às 15:25
Todos nós, damos formas diferentes aos nossos medos, para uns, seria o escuro, para outros, a luz, se eu tivesse de representar os meus medos, teriam a forma de "fracasso". É o meu maior medo.
Beijos...


De V.A.D. a 13 de Julho de 2007 às 02:37
Poucas são as fobias de que padeço, mas como todos os seres humanos, não estou isento de algumas, embora felizmente se apresentem de forma esparsa e fugaz. O medo do fracasso é uma delas, mas aprendi a lidar com esse temor ignorando-o.
Não sei como dizer isto sem parecer bajulador, mas tenho a certeza de que não precisas de recear nada...:-)

Beijos...


De Emanuela a 12 de Julho de 2007 às 18:43
Escrita fantástica. Constrói de maneira muito clara na nossa mente, a cena descrita.Tomara que, em se confirmando a existência de vida em outros planetas, jamais tenhamos que encontrar seres assim. Beijinhos!


De V.A.D. a 13 de Julho de 2007 às 02:47
Obrigado, amiga :-) Esta minha recente aventura pelos caminhos da ficção tem-me dado imenso prazer, e fico obviamente feliz por saber que consigo, ainda que de forma atabalhoada, construir imagens com as palavras que escrevo.
Havendo a confirmação da existência de vida inteligente noutros planetas, tenho a certeza de que as formas e os raciocínios superarão tudo aquilo que tem sido imaginado...
Votos de uma noite...sem medos :-)

Beijos...


De Cöllyßry a 12 de Julho de 2007 às 19:38
O medo atrofia a Alma...

Bjca doce


De V.A.D. a 13 de Julho de 2007 às 02:53
Em circunstâncias normais, em que o indivíduo está na posse de todas as suas faculdades, o medo é um mecanismo de defesa, pois incita ao afastamento do perigo. No entanto, quando desproporcionado e infundado, é terrível, pois como dizes, atrofia a alma. A mente humana tem uma grande componente de irracionalidade, e certas fobias são prova disso...

Um beijinho... :-)


De alexiaa a 15 de Julho de 2007 às 18:54
Depois de te ler tive medo…muito medo…de um dia sentir a alma enregelada!
Sabes…não consigo imaginar o que te levaria um dia a querer representar os teus medos mas se tal for necessário este texto parece-me um bom…preliminar:)

Beijo corajoso para aliviar a te(n)são deste post!



De V.A.D. a 15 de Julho de 2007 às 23:42
É-me difícil acreditar que possas padecer, ainda que esporadicamente, de um medo assim, infundado... :-)
Certos preâmbulos são quase tão importantes como os actos, e no caso deste post, cuja especificidade é absoluta, talvez a representação dos medos nunca venha a ser concretizada. Outras situações haverão em que a preparação é apenas o primeiro passo...:-)
Votos de uma semana distituída de fobias!

Um beijo...temerário :-)


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