Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

A Estrada Para Sinharat

“Sinharat era uma cidade sem pessoas, mas não estava morta. Possuía uma memória e uma voz. O vento fazia-a respirar e cantava, através dos incontáveis tubos de órgão dos seus corais, das bocas que eram os limiares de mármore das suas portas e das estreitas gargantas das suas ruas. As esguias torres pareciam extensas flautas e o vento nunca parava. Por vezes, a voz de Sinharat soava baixinho e gentil, murmurando coisas acerca da juventude eterna e dos prazeres dela derivados. Noutras ocasiões, era forte e altivamente orgulhosa, gritando: Vocês morrem, mas eu não! Havia alturas em que era louca, risonha e odienta. Mas a sua canção revelava-se sempre perversa. Compreendia agora por que motivo a cidade era tabu.”

Excerto de A Chegada Dos Terrenos, um dos mais célebres clássicos da ficção científica. Para os amantes deste género, Marte tem sido sempre a Última Thule, o mundo para além das fronteiras conhecidas do mundo, um local mítico habitado por raças poderosas e antigas civilizações, capazes de modificar um planeta inteiro, rasgando-o de lés-a-lés através de canais, num esforço colossal para impedir a ruína. Leigh Brackett, conceituada escritora norte-americana, apresenta de forma inolvidável estas lendas oníricas de um Marte Antigo, convidando a verdade científica a manter uma distância respeitosa.

Imagem: Sinharat

música: Mythodea (Vangelis)

publicado por V.A.D. às 02:35
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2 comentários:
De Emanuela a 15 de Junho de 2007 às 20:49
Oá. Os textos que publicas sempre nos convidam a ler mais, apesar de que nos últimos tempos confesso andar meio preguiçosa para as leituras mais complexas. No entanto, o convite sempre soa forte...Um beijinho!


De V.A.D. a 16 de Junho de 2007 às 01:16
Considero este livro um magnífico exemplo de fluidez de escrita, capaz de prender da primeira à última folha. A autora, co-argumentista de "O império contra-ataca" e de outros filmes conceituados, consegue dar um tratamento quase cinematográfico à acção que decorre nesta obra escrita, tornando-a simultaneamente profunda e cheia de movimento.
Bom fim de semana!

Um beijinho... :-)


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