Sábado, 12 de Maio de 2007

A Prisão de Areia

“Ao pôr-do-sol, no momento em que o brilho avermelhado, reflectido pelas dunas na linha do horizonte, iluminava as fachadas brancas dos edifícios abandonados, Bridgman observou da varanda as longas extensões de areia fria, cobertas pelas sombras púrpuras. Estendiam lentamente os dedos esguios pelos montes e vales e uniam-se, quais massas prodigiosas salpicadas de raios fosforescentes, para acabarem por invadir os hotéis meio submersos como uma onda gigante. Por detrás das fachadas silenciosas, nas ruas empedradas cobertas de areia, onde outrora resplandeciam bares e restaurantes, já era noite. O luar era de prata sobre os candeeiros e incidia nas persianas corridas e cornijas como uma camada de névoa gelada. Os últimos laivos de luz violeta afundavam-se para lá do horizonte e os primeiros ventos começavam a soprar.”

Excerto de A Prisão de Areia, de James Graham Ballard, proeminente escritor inglês da Nova Vaga da ficção científica. As histórias de Ballard incidem muitas vezes sobre a distopia da modernidade: a desolação de uma Natureza minada pela acção impensada do homem e as implicações psicológicas de desenvolvimentos sociais, ambientais e tecnológicos pouco sustentados. É interessante verificar que quase meio século depois da sua publicação, Passaporte para o Eterno, a colectânea onde se insere este conto, continua plena de actualidade.

Imagem: Dunas ao Crepúsculo (www.terragalleria.com/images/np-rockies/grsa0303.jpeg)

música: Blue Monday (Nouvelle Vague)

publicado por V.A.D. às 02:41
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De InsideOut a 13 de Maio de 2007 às 21:07
Gostei.
Engraçado, mostras-me sempre livros novos, que nunca tinha ouvido falar, mas que por estas poucas palavars me parecem muitissimo interessantes.
Agora fico com vontade de ler...

Beijinho.


De V.A.D. a 13 de Maio de 2007 às 23:03
Fico muito satisfeito por saber que o excerto que publiquei suscitou o teu interesse. Como é notório, sou um apaixonado por sci-fi, que embora sendo um género, digamos, mal-amado, é farto em escrita de elevada qualidade, e que muitas vezes tem o condão de alargar os horizontes da nossa imaginação.
Este título em particular faz parte da colecção argonauta, publicada pela editora Livros do Brasil.
É claro que o meu interesse por literatura é bastante abrangente, mas aproveito o blog para divulgar obras talvez menos conhecidas e que de alguma forma me marcaram.

Beijinho.


Comentar post

.quem eu sou...

.pesquisar

 

.Abril 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


.posts recentes

. Curvatura

. O horizonte de eventos e ...

. Subjectividade

. O "capacete de deus"

. Apontamento (II)

. Apontamento

. Alter Orbe (II)

. Alter Orbe (I)

. Marte

. Regresso

.arquivos

. Abril 2013

. Fevereiro 2013

. Fevereiro 2012

. Junho 2011

. Janeiro 2011

. Março 2010

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

.tags

. todas as tags

.links

.Blog Nomeado Para:

.contador

blogs SAPO

.subscrever feeds