Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Existência

Tantas e tantas vezes nem de nós sabemos. Temos apenas vislumbres fugazes da nossa complexidade, e cada gesto, cada olhar, cada movimento que fazemos, pode nem depender do nosso pensamento consciente. Temos a ilusão do controle, mas muitas vezes quem nos rege são as partes mais antigas do nosso cérebro, donas dos instintos e das emoções. Tantas vezes agimos impensadamente, e os resultados dessa acção podem assumir aspectos tão diversos... A racionalidade, que gostamos de ter como certa, é jovem sob o ponto de vista evolutivo e revela-se muitas vezes insipiente e titubeante; nem sempre a lógica racional empregue assenta sobre bases sólidas, podendo criar nós no fio do pensamento, tornando-o cheio de irregularidades, dificultando a compreensão do eu e dos outros. Por outro lado, a análise que fazemos dos dados que possuímos mostra-se por vezes certeira e julgamos, temporariamente, que somos detentores do dom da infalibilidade… Podemos ser babilónios, guiados muito pelos instintos e pela intuição, seres errantes ao sabor das vagas dos sentidos e das emoções, olhando apenas o presente, ridicularizando o passado e não prestando atenção ao futuro. Podemos ser gregos, interessados na ordem dos fenómenos, atraídos pelo aparato lógico e olhando a cronologia como um mapa que nos direcciona num tempo que há-de vir e que se torna presente a cada instante. Creio que as diversas facetas da personalidade de cada um coexistem e complementam-se, transformando a existência num desafio permanente, numa inquietude serena, ao invés de se limitar a uma pasmaceira acéfala.

Imagem: Existência (http://neosurrealism.artdigitaldesign.com/)

música: Ignorância XL (Chullage)

publicado por V.A.D. às 02:46
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2 comentários:
De Emanuela a 25 de Abril de 2007 às 19:19
E olha que desafio...Eu questiono constantemente esses dois lados: o instinto e a racionalidade. Por vezes parece que seria tão mais fácil simplesmente seguir os instintos sem dar ouvidos à razão...Mas como nos tornamos racionais...Vamos ponderar e agir pelo que sentirmos mais correto.


De V.A.D. a 25 de Abril de 2007 às 23:00
Creio que o ideal é conseguir-se um equilíbrio entre estas duas facetas. Mas os equilíbrios nem sempre são fáceis de concretizar e de manter.
Resta-nos a esperança de que consigamos gerir da melhor forma esta dualidade... :-)

Um abraço!


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