Sábado, 17 de Fevereiro de 2007

Mitos e Quimeras

Se quisessemos redigir uma lista exaustiva de todos os animais fabulosos, que desde a noite dos tempos assombraram e ainda assombram o imaginário humano, uma enciclopédia não seria suficiente. O bestiário en questão seria um enorme zoo onde co-habitariam répteis com mandíbulas de crocodilo e asas de morcego - os dragões, bestas marinhas armadas de braços longos como mastros de navio - o Kraken dos países nórdicos, cavalos brancos com um longo chifre espiralado - o unicórnio, criaturas metade homem, metade cavalo - os centauros, e tantas, tantas outras... Até onde esses monstros que povoam os mitos são imaginários? Ou, dito de outra maneira, poderiam esses monstros ter existido? Aparentemente, para as pessoas dotadas do bom senso contemporâneo, é uma ideia disparatada. À luz do conhecimento actual, um fóssil de um dinossauro não é o fóssil de um dragão, nem uma lula gigante é confundida com uma Hidra. O esqueleto de um Protoceratops, não seria hoje tomado por ossos de um grifo. Contudo, desde a descoberta da primeira ossada fóssil de um animal extinto, testemunha de um passado anterior, que a interrogação é pertinente. Não nos devemos esquecer que os nossos antepassados, confrontados com provas reais de algo desconhecido, especulavam e arranjavam explicações que por vezes roçavam o sobrenatural. Inventavam assim bestas fantásticas, que muitas vezes personificavam o Mal. Além disso, a construção da mitologia não resultava apenas da tentativa de reconstituição de uma realidade por vezes já desaparecida. Ela tinha as suas próprias finalidades. Os mitos eram edificados a partir de fragmentos da Natureza, distribuidos para responder às interrogações e representações de certas sociedades. Instrumentalizando os bestiários, os fabulistas acrescentavam deliberadamente monstruosidade aos animais, para aumentar a sua aparente perigosidade e assim valorizar as proezas dos heróis que os combatiam.

Imagem: Grifo (www.guiascostarica.com/alicia/img/alice33a.gif)

Fonte: Science & Vie 

 

música: Chariots of Fire (Vangelis)

publicado por V.A.D. às 23:45
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