Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Éter - parte 1

Quando Albert Einstein publicou a sua teoria da relatividade restrita, em 1905, rejeitou liminarmente a ideia, em vigor até ao século XIX, segundo a qual a luz se propagaria no espaço sideral através da vibração de uma hipotética substância, o éter. Em vez disso, argumentou, as ondas de luz podem viajar no vácuo sem serem suportadas por qualquer material, ao contrário das ondas sonoras, que são vibrações do meio no qual se propagam. Este postulado é intocado nos outros dois pilares da física moderna, a relatividade geral e a mecânica quântica. Até aos dias de hoje, todos os dados experimentais, em escalas que vão desde o sub-nuclear até aos anos-luz, são explicados com êxito por estas três teorias. No entanto, os físicos enfrentam um profundo problema conceptual. Conforme compreendidas actualmente, a relatividade e a mecânica quântica são incompatíveis. A acção da gravidade, atribuída ao encurvamento do espaço-tempo pela presença de um corpo massivo, tem teimosamente recusado um enquadramento na teoria quântica. Os teóricos têm feito apenas pequenos progressos no sentido de entender a estrutura do espaço-tempo, altamente encurvada, que a mecânica quântica os faz crer existir em distâncias extremamente curtas. Haverá uma solução para este problema?

Imagem: Onda (www.maretec.mohid.com/Estuarios/Inicio/Mohid2000_files/image020.gif)

música: Put Your Lights On (Santana & Everlast)

publicado por V.A.D. às 01:20
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Domingo, 29 de Abril de 2007

Os Possessores

“A memória dos Possessores era vasta, mas não o suficiente para abranger as suas origens. Em determinada altura teriam tido vida própria; havia, porém, uma eternidade, séculos agora incontáveis, que a sua vida estava ligada às vidas, para eles evanescentes, dos Possessos. Sem estes não poderiam agir nem pensar; através deles, eram os senhores deste mundo frio. Ergueram cidades sobre o gelo, manobraram estranhas embarcações através dos vastos desertos de neve, conquistaram, por fim, os gélidos céus nublados. Tudo isto fizeram, vivendo nos corpos dos Possessos a quem, num momento, se uniram, libertando-os do seu primarismo. Não que desprezassem os anfitriões, seus escravos; de certo modo, e tanto quanto o termo pudesse ter algum significado na sua experiência, gostavam deles.”

Excerto de Os Possessores, de John Christopher, um dos sete heterónimos de Samuel Youd, escritor inglês de ficção científica, nascido em 1922. Muitos dos seus romances abordam o tema dos eventos catastróficos, na linha de autores como H.G. Wells ou john Wyndham. Colocando o homem comum face a desastres de grande magnitude, geradores de severos problemas para a sociedade e para o mundo, explora a forma como ele e o grupo em que se insere lidam com mudanças radicais. Em Os Possessores, Christopher toca num dos medos mais antigos do Homem: a possessão. Fá-lo, contudo, sob uma perspectiva totalmente diferente da habitual. Não são demónios ou espíritos os responsáveis pela intrusão no corpo e na mente do hospedeiro, mas sim seres materiais, de origem extra-terrestre, que evoluíram no sentido da aquisição dessa capacidade e que, ao fim de incontáveis gerações, dependem em exclusivo dela para a sobrevivência da espécie.

Imagem: Possessão (www.vademecum.com.br/er/PosessaoThumb.jpg)

música: Heard Somebody Say (Devendra Banhart)

publicado por V.A.D. às 02:12
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Sábado, 28 de Abril de 2007

Pernas - parte 1

Durante os quase quatro mil milhões de anos que decorreram desde o aparecimento da vida no nosso planeta, a evolução tem gerado maravilhosas metamorfoses. Uma das mais espectaculares foi certamente aquela que transformou as barbatanas dos animais marinhos nos membros que sustentam o peso e permitem a locomoção dos animais terrestres. Nos nossos dias, o grupo de seres designados de tetrápodes, inclui as aves (e os seus antepassados dinossáurios), os lagartos, as cobras, as tartarugas, as rãs e os mamíferos. Alguns destes animais perderam ou sofreram modificações nos seus membros locomotores, mas o seu antepassado comum teve-os: dois na parte frontal do corpo, e dois na parte traseira, onde dantes as barbatanas se agitavam. Esta alteração fisiológica foi crucial, mas não foi de forma alguma a única. À medida que os tetrápodes se aventuravam nas costas arenosas ou lamacentas, encontravam desafios que nenhum outro vertebrado havia alguma vez enfrentado. Desenvolver pernas e caminhar não bastava. A terra firme é um meio radicalmente diferente da água, e para a conquistar, estes seres tiveram que desenvolver novas maneiras de respirar, de ouvir e de lidar com a força gravítica. Contudo, e uma vez completada a transição, os continentes eram a sua nova casa.

Imagem: Pinguins-rei (www.museudavida.fiocruz.br/publique/media/Pinguim%20rei2.jpg)

música: Tomorrow Never Dies (Sheryl Crow)

publicado por V.A.D. às 02:43
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Homenagem

Fui apanhado de surpresa. Completamente. A InsideOut homenageou o meu blog com este óscar. É obvio que é bom saber que aquilo que escrevo tem alguma utilidade.

Agradeço a simpatia e a paciência que revela por me ler.

 

Foi-me também incumbida a difícil tarefa de homenagear um blog. A dificuldade reside na escolha, pois tenho encontrado na blogosfera muitas coisas de valor. Neste meio encontram-se relatos de experiências, pensamentos, vivências e ideias que têm muito mais a ensinar que o lixo com que os falsos escritores e as editoras medíocres inundam os escaparates das livrarias.

 

Depois de alguma ponderação, o blog escolhido para a atribuição deste prémio é:

 

 

http://tnt.blogs.sapo.pt

 

 

Embora as perspectivas que temos sobre diversos aspectos da vida possam ser radicalmente  diferentes, aprecio a forma convicta e clara com que a autora expõe os seus pontos de vista.

 

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publicado por V.A.D. às 02:32
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Viagem Espacial - parte 3

O que mais impressiona os sonhadores terrestres é o programa espacial de voos pilotados. Em Abril de 1961, os soviéticos tornaram-se os primeiros a colocar um homem no espaço. A honra coube a Yuri Gagarin, que num voo de 108 minutos circundou a Terra. Semanas mais tarde, os americanos empataram a corrida, com Alan Shepard a fazer um voo sub-orbital. Seguiram-se tripulações de dois e três homens, mas, afinal, o programa Apollo dos EUA conquistou a atenção mundial e deu a liderança a este país na exploração espacial. Iniciada por John Kennedy em 1961, esta aventura necessitaria de oito anos para transportar até à Lua o primeiro dos doze astronautas que pisaram solo extra-terrestre. A epopeia continua, com alguns reveses e atrasos, mas o sonho não acaba. “Não se pode pensar em parar”, escreveu, em 1932, Robert Goddard a H.G.Wells, “pois o objectivo de chegar às estrelas, tanto literal como figurativamente, é uma tarefa para gerações. De maneira que, não importa quantos passos se tenham dado, tem-se sempre a impressão de estar apenas no começo.”

Imagem: Descolagem da Apollo 11(http://earthobservatory.nasa.gov/Library/Giants/vonBraun/Images/apollo_11_launch.jpg)

música: Porcelain (Moby)

publicado por V.A.D. às 01:18
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

A Teia do Tempo

“Foi então que vi a jovem. Estava junto à porta, a não mais de três metros de distância, a falar com o gerente. Eu nunca a tinha visto. Tinha a certeza disso, mas o meu subconsciente disse-me que a conhecia. Ela tinha olhos grandes, escuros, bem colocados no tipo de rosto oval que os mestres flamengos punham somente nos anjos mais belos. Os cabelos dela eram escuros, de cor indeterminada sob a luz mortiça do café, dobravam-se suavemente sobre o pescoço e os ombros e desciam até rodear-lhe o fundo das costas. Estava vestida com uma espécie de túnica que tornava terrivelmente feminina a sua figura arrapazada. Ao fim de alguns minutos soube de onde a conhecia. Na minha juventude, durante um extenso período de leitura de literatura romântica, eu salvara aquela garota de tudo, desde cavaleiros maldosos até dragões terríveis em muitos sonhos meio recordados. Aquela era a rapariga que falava aos unicórnios; o símbolo da pureza e graça que eu jurara servir quando fizera os meus votos de lealdade e ficara de vigília com a minha espada durante uma longa noite. (…) Aquela era a rapariga dos meus sonhos.”

Excerto de A Teia do Tempo (The Unicorn Girl, no original), de Michael Kurland, escritor norte-americano nascido em 1938. Esta é uma obra invulgar no domínio da ficção científica, pelo seu humor e fina crítica social. Mas é também um dos trabalhos mais profundos que têm sido escritos sobre a possibilidade da existência de trilhos temporais alternativos.

Imagem: Ampulheta (www.oraculartree.com/spagnollo_Ampulheta.jpg)

música: Time (Allan Parson's Project)

publicado por V.A.D. às 00:02
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Existência

Tantas e tantas vezes nem de nós sabemos. Temos apenas vislumbres fugazes da nossa complexidade, e cada gesto, cada olhar, cada movimento que fazemos, pode nem depender do nosso pensamento consciente. Temos a ilusão do controle, mas muitas vezes quem nos rege são as partes mais antigas do nosso cérebro, donas dos instintos e das emoções. Tantas vezes agimos impensadamente, e os resultados dessa acção podem assumir aspectos tão diversos... A racionalidade, que gostamos de ter como certa, é jovem sob o ponto de vista evolutivo e revela-se muitas vezes insipiente e titubeante; nem sempre a lógica racional empregue assenta sobre bases sólidas, podendo criar nós no fio do pensamento, tornando-o cheio de irregularidades, dificultando a compreensão do eu e dos outros. Por outro lado, a análise que fazemos dos dados que possuímos mostra-se por vezes certeira e julgamos, temporariamente, que somos detentores do dom da infalibilidade… Podemos ser babilónios, guiados muito pelos instintos e pela intuição, seres errantes ao sabor das vagas dos sentidos e das emoções, olhando apenas o presente, ridicularizando o passado e não prestando atenção ao futuro. Podemos ser gregos, interessados na ordem dos fenómenos, atraídos pelo aparato lógico e olhando a cronologia como um mapa que nos direcciona num tempo que há-de vir e que se torna presente a cada instante. Creio que as diversas facetas da personalidade de cada um coexistem e complementam-se, transformando a existência num desafio permanente, numa inquietude serena, ao invés de se limitar a uma pasmaceira acéfala.

Imagem: Existência (http://neosurrealism.artdigitaldesign.com/)

música: Ignorância XL (Chullage)

publicado por V.A.D. às 02:46
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Criatividade

Nada pior para um artista do que uma página em branco a encará-lo. As possibilidades parecem infinitas, e a incerteza da escolha certa a fazer pode ser angustiante. Pois a crise de criatividade, sempre associada a escritores e a artistas plásticos, ataca igualmente outros espécimes humanos. O projecto a escolher, a linha de pesquisa a ser seguida, tudo isto pode ser paralisante para um cientista. Para o mais comum dos mortais, certas decisões, por mais insignificantes que possam parecer, podem-se revelar um autêntico quebra-cabeças. Que música ouvir, que livro ler, que filme ver, que canal de tv seleccionar? Certamente que isto nada tem a ver com criatividade... Ou terá? A criatividade é um conceito abrangente, que vai desde a criação de algo único ou original até ao método que envolve a tomada de consciência de problemas e lacunas no conhecimento, e a subsequente tomada de atitude para a resolução dessas falhas. O processo criativo representa a mudança e a evolução organizacional dos aspectos objectivos e subjectivos da vida. Pode-se exteriorizar a habilidade criativa ou usá-la apenas em benefício próprio, mas as escolhas que fazemos em certas áreas estão certamente relacionadas com a criatividade.

Imagem: Criatividade

música: Crier la Vie (Moby & Mylene Farmer)

publicado por V.A.D. às 02:06
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Viagem Espacial - parte 2

Foi com o desenvolvimento dos mísseis balísticos de longo alcance, a partir dos foguetes V-2 alemães, que se deram os primeiros passos significativos no sentido de tornar realidade o sonho dos voos espaciais. Ao aperfeiçoar estas tecnologias da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética construíram armas que podiam viajar à velocidade de 30000 quilómetros por hora, necessária para escapar à atracção gravítica terrestre. Em meados da década de 1950, Werner Von Braun, que havia desenvolvido as V-2 e, após o conflito, tinha ido para os EUA, estava convencido de que um satélite artificial poderia orbitar a Terra. Sergei Korolev, chefe do programa de desenvolvimento de foguetes da URSS, concordava com essa opinião. A corrida espacial começou no dia 4 de Outubro de 1957, quando os soviéticos lançaram o primeiro satélite da história, o Sputnik-1. Mais uns poucos meses e lançariam a cadela Laika para o espaço, num laboratório científico automático: o Sputnik-2. Os EUA lançaram o seu primeiro satélite em 31 de Janeiro de 1958 e chamava-se Explorer-1. Para a realização destes voos, os dois países usaram mísseis balísticos modificados. Nas duas décadas seguintes, aprendeu-se mais sobre a Lua e nosso Sistema Solar do que todo o conhecimento que até então se tinha conseguido acumular, durante toda a história da astronomia. Os dois países enviaram naves a Vénus e a Marte. Além disso, os EUA realizaram um voo pelas proximidades de Mercúrio, pousaram laboratórios automáticos em Marte e as suas naves automáticas fizeram passagens rasantes sobre Júpiter e Saturno.

Imagem: V-2 (www.mda.mil/mdalink/bcmt/images/images_lg/v-2.jpg)

música: Chariots of Fire (Vangelis)

publicado por V.A.D. às 00:05
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Domingo, 22 de Abril de 2007

Viagem Espacial - parte 1

Gosto de pensar que, tão logo evoluiu a ponto de sentir-se aquecido, alimentado, abrigado e em segurança, o Homem passou a acalentar a ideia de voar. Erguer-se nos ares como um pássaro parecia fantástico, mas visitar a Lua e aqueles pontos de luz no céu, este era, na realidade, o verdadeiro sonho. Talvez o primeiro relato de uma aventura assim tenha sido escrito por Luciano de Samósata, satirista grego do segundo século da era cristã que, na sua obra Uma História Verdadeira, descreve uma viagem ao nosso satélite natural. Por centenas de anos, no entanto, ninguém chegou a compreender as imensas distâncias envolvidas nas viagens espaciais, nem o facto de que o espaço é essencialmente vazio. O entendimento do céu começou com Copérnico, que no século XVI mapeou o movimento dos planetas em torno do Sol. Um século mais tarde, Galileu salientou a importância das distâncias no espaço. Kepler calculou as órbitas elípticas dos corpos do Sistema Solar, e Isaac Newton formulou as suas leis do movimento, fornecendo a base teórica necessária para a criação de sistemas de propulsão no espaço sideral. Três pioneiros resolveram pragmaticamente os problemas básicos do voo espacial: o russo Konstantin Tsiolkovsky, o americano Robert Goddard e o alemão Hermann Oberth. Na literatura, Júlio Verne, no seu romance de 1865 Da Terra à Lua, e H.G. Wells em Os primeiros Homens na Lua, publicado em 1901, anteciparam algumas das aventuras por vir.

Imagem: Da Terra à Lua (http://orbita.starmedia.com/~conde_vargas/verne2.jpg)

 

música: Eye In The Sky (Allan Parson's Project)

publicado por V.A.D. às 23:14
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