Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Exoplanetas

Com a descoberta de exoplanetas, a ideia de que outros mundos existem tornou-se uma realidade provada cientificamente. Os exoplanetas são objectos de massa planetária exteriores ao nosso sistema solar, que não brilham com luz própria e orbitam uma estrela que não a nossa. Foi definido um limite superior de massa para que um objeto seja classificado como exoplaneta: 13MJ, onde MJ é a massado planeta Júpiter. Objetos com massas superiores a esta e inferiores a 84MJ são classificados como anãs castanhas. Na comunicação social generalista, poucas ou mesmo nenhumas referências têm havido acerca destas descobertas extraordinárias. Há pouco mais de uma década nenhum exoplaneta havia sido detectado e hoje o seu número ascende já a 209. A maior parte destes planetas são gigantes gasosos muito próximos à estrela que orbitam, tendo por isso períodos de translacção muito curtos. No entanto, muitos planetas com massas de massas menores, mais semelhantes ao nosso, aguardam certamente a sua descoberta.

Recomendo a visita a este sítio: http://exoplanet.eu/catalog-all.php

Imagem: Concepção artística do planeta TrES-1, um dos dois detectados directamente pelo telescopio Spitzer, in USA TODAY , 24-07-2006


publicado por V.A.D. às 01:21
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

1984

"Comparadas com as actuais, todas as tiranias do passado foram tímidas e ineficazes. Os grupos dominantes, até certo ponto, sempre se deixaram contagiar pelas ideias liberais, e permitiam que inumeros domínios escapassem ao seu controlo, contentando-se em tomar apenas em consideração actos explícitos, sem se interessarem pelo que pensavam os súbditos. Pelos padrões actuais, até a Igreja Católica da Idade Média foi tolerante. Explica-se isto em parte pelo facto de no passado nenhum governo ter capacidade para manter os cidadãos sob vigilância constante. A invenção da imprensa, no entanto, tornou mais fácil a manipulação da opinião pública, e o cinema e a rádio levaram ainda mais longe o processo. Com o desenvolvimento da televisão e os avanços técnicos que tornaram possível emissão e recepção simultânea através do mesmo aparelho, a vida privada acabou. Cada cidadão, ou pelo menos cada cidadão suficientemente importante para valer a pena vigiá-lo, pode ser mantido vinte e quatro horas debaixo dos olhos da polícia e sob a influência da propaganda oficial (...) "

George Orwell, mil novecentos e oitenta e quatro ( Edições Antígona)

Imagem: www.bergen-filmklubb.no/.../1984.html


publicado por V.A.D. às 01:16
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Domingo, 26 de Novembro de 2006

Falta de...

Ando há alguns meses a pensar que gostava de ter em DVD o filme O Caçador, "um espantoso e poderoso épico, vivido por três homens, trabalhadores de aço da Pensilvânia, cujas vidas são irreversivelmente mudadas na trágica devastação da guerra do Vietname". Hoje procurei-o nos escaparates de uma conhecida loja lisboeta, e como não o encontrava, dirigi-me ao local apropriado para inquirir o funcionário de serviço sobre a existência e localização do dito filme. O funcionário mostrou-se extremamente prestável e iniciou a busca do título no terminal... De repente, sem uma "boa tarde", sem um "desculpe", uma senhora, acompanhada por uma menina que eventualmente seria sua filha, interrompe, para perguntar algo... O funcionário, espantado com a intempestividade da intervenção, pede para que a senhora espere um minuto. A senhora vira as costas e afasta-se sem uma palavra, deixando-nos boquiabertos com a falta de educação manifestada, e com o péssimo exemplo que deu à criança... Bem, nem tudo foi mau: acabei por adquirir o filme e ficar com a certeza de que não sou só eu a reagir negativamente a atitudes como as que referi.

Imagem: www.signedoriginals.co.uk


publicado por V.A.D. às 22:02
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Educação

"(...)Os alunos habituam-se desde a infância, nos primeiros actos da sua vida civil, a descrerem do mérito, do trabalho e do estudo, e a contarem para todo o êxito com a falseação das provas, com a mercancia da justiça e com a omnipotência do compadrio - perfeita iniciação para uma existência de intriga, de indolência e de desonra. Os pais, quites para com as suas consciências dos encargos da educação que devem a seus filhos, pelo facto de haverem delegado noutros os seus encargos, contentam-se em participar aos parentes que o menino continua a ser aprovado (...) O pai encontra-se então, frente a frente (...) com um mancebo aproximadamente inútil para toda a espécie de emprego."

Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão , in AS FARPAS , Outubro de 1871

Seria de esperar que 135 anos volvidos as coisas fossem substancialmente diferentes. Felizmente existem excepções; há alunos interessados e pais interventivos.


publicado por V.A.D. às 21:16
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Sábado, 25 de Novembro de 2006

Universo - parte 2

Uma década antes de Edwin Hubble ter descoberto o contínuo afastamento entre as galáxias, Albert Einstein, nas suas equações da Relatividade Geral, tinha previsto a expansão do Universo, mas nem ele próprio acreditava nessa possibilidade. Em 1917 a ideia de que o universo podia ser dinâmico era tão absurda que para contrabalançar a expansão determinada pelos seus cálculos incluiu nas sua fórmulas a chamada constante cosmológica,  a que mais tarde se referiria como tendo sido o maior erro da sua carreira científica.  Assim que a lei de Hubble foi anunciada, a versão original da Teoria da Relatividade Geral passou a ser uma das ferramentas  dos cosmólogos. As leis da física são apresentadas sob a forma de uma geometria quadrimensional, em que o tempo é uma das dimensões. Em última análise, isto significa que tudo se move... até o leitor.  Pode não se mover no espaço enquanto lê este post, mas move-se no tempo.  No espaço-tempo não é possível a um corpo mover-se nas dimensões espaciais sem se deslocar no tempo. A imagem apresentada é uma representação do espaço-tempo encurvado pela presença de um corpo maciço. A gravidade não é realmente uma força mas uma propriedade geométrica do espaço-tempo. Isto tem implicações importantíssimas na compreensão do cosmos...


publicado por V.A.D. às 01:29
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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006

Universo - parte 1

Vivemos num universo em constante mudança. Houve um tempo inicial, aliás, um início do tempo, e haverá provavelmente um tempo em que o tempo cessará de existir. Estamos habituados a ciclos de nascimento, vida e morte, mas até há cerca de 80 anos julgava-se que o Universo era estático e práticamente imutável. O astrónomo Edwin Hubble, no final dos anos 20, descobriu que, com excepção das galáxias vizinhas, todas as outras apresentam desvio para o vermelho no seu espectro, e que esse desvio é tanto maior quanto a distância a que se encontram. Isto significa que a velocidade a que se afastam é proporcional à distância.  "Cada uma das galáxias afasta-se das outras (...) e o espaço entre elas alarga-se" (Jonh Gribbin, in O Nascimento do Universo". O Universo está em expansão, e se imaginássemos o fluir do tempo em sentido contrário veríamos que as galáxias estariam mais próximas, e mais próximas, e mais próximas...

Houve uma altura as galáxias ainda não eram, haviam apenas aglomerados de matéria. Houve uma altura em que os átomos ainda não se exibiam, haviam apenas protões e electrões... Houve uma altura em que nem esses tijolos básicos da matéria tinham surgido... O próprio tempo não existia. Havia apenas Energia - a outra face da moeda. Einstein sintetizou a natureza desta "moeda" na famosa equação E=MC².

O Big-Bang representa o início: a energia converte-se em matéria, e o tempo, anteriormente inexistente, apresenta-se como uma dimensão, uma das quatro que constituem a realidade, o espaço-tempo.


publicado por V.A.D. às 01:34
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2006

EVAsão

"O instante decisivo da evolução humana dura sempre. Eis porque os movimentos espirituais e revolucionários declaram nulo tudo o que os precede produzido outrora, fazem-no com razão porque ainda nada foi."

Franz Kafka, in "Meditações"

Foto: NASA


publicado por V.A.D. às 02:06
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Domingo, 19 de Novembro de 2006

Coisas que me transtornam - parte 2

E aqueles que são contra a guerra e aos fins de semana jogam "paint - ball"? E os que são contra o compadrio e recorrem ao amigo na Câmara Municipal para arranjar um "job for the boy"? E os que dizem que se tem que mudar mentalidades e só olham para o próprio umbigo? E os que advogam igualdade de oportunidades e querem que sejam criadas quotas para isto e para aquilo? E os que são contra a exclusão e se auto-excluem? E os que dizem querer trabalho mas que na verdade querem um emprego? E os que são pela democracia e se recusam a ver os Castros e os Kim Jong Ils?...

Incongruências...


publicado por V.A.D. às 21:36
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Hubble

Poucos telescópios na história tiveram um efeito tão profundo na pesquisa astronómica como o Telescópio Espacial Hubble. Ainda assim, sua influência não é a que a maioria das pessoas imagina. Em geral, ele não fez descobertas singulares mas transformou antigas suspeitas e pistas obtidas em observações de solo em certezas. O Hubble funcionou em parceria com outros observatórios para construir uma visão multifacetada do Cosmos. Forçou físicos teóricos a substituir teorias grosseiras por outras que explicassem os fenómenos astronómicos com muito mais detalhe. Em suma, o Hubble não foi extremamente influente por se distanciar de outros instrumentos e técnicas, mas por se integrar intensamente com eles.

Em Abril, o telescópio completou seu 16o aniversário no espaço. Seus feitos, tanto o de fornecer detalhes sem precedentes aos astrónomos quanto o de proporcionar um vislumbre das maravilhas do Universo a lares espalhados pelo mundo, foram de certo modo ofuscados recentemente pelo debate sobre seu futuro. A menos que astronautas possam ir até lá e actualizá-lo, o telescópio pode atingir o fim de sua vida útil já em meados de 2008.

 

Mário Lívio, in Sci-Am Brasil, Agosto de 2006


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Sábado, 18 de Novembro de 2006

Coisas que me transtornam - parte 1

Há coisas que me transtornam. Uma delas é a indiferença de alguns pais em relação aos filhos. Quando são pequenos, nem sempre lhes é dada a atenção que merecem e de que necessitam.  "Mãe, mãe, mãe...!" A mãe continua a troca de futilidades verbais com a amiga, como se sofresse de uma espécie de surdez selectiva. O filho que espere...o filho que desespere...o filho é menos importante que a vida dos outros, de que se fala como se os espelhos estivessem por inventar... "Pai, pai, pai...!" O pai, de mini na mão, continua a discussão filosófica e assaz profunda sobre o golo do Simão, como se os futebóis fossem a solução de todos os problemas ou a cura de todas as maleitas...

Experimentem tentar ser ouvidos por uma parede...

É uma frustração, não é?


publicado por V.A.D. às 00:51
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