Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

O Cérebro

A memória e a sua sede, o cérebro, sempre foram uma fonte de enigmas e perplexidades e desde a mais remota antiguidade, sempre fascinaram os filósofos, poetas e cientistas. Há 2400 anos, o grego Hipócrates, pai da medicina, identificou o encéfalo como centro dos pensamentos. Na mesma época, Platão comparou a memória a um bloco de cera em que ficavam gravadas as lembranças. Shakespeare (1564-1616) chamou o cérebro de "frágil morada da alma". No século XVIII, o orgão era comparado às rodas e engrenagens de uma máquina; mais tarde, a um emaranhado circuito eléctrico. Hoje, e mantendo a anologia com as novidades tecnológicas do momento, tende-se a ver o cérebro como um computador electroquímico. A parte mais substancial do conhecimento que hoje se tem sobre este assunto tem vindo a ser adquirida nas últimas três décadas, com a aplicação da tecnologia que permite analisar e medir o funcionamento da mente em pleno funcionamento. de todos os orgãos do corpo, o cérebro é, de longe, o mais complexo. Contém milhares de milhões de células nervosas, os neurónios, e cada um deles é capaz de comunicar-se com milhares de outros, formando uma rede frente à qual o mais sofisticado microprocessador não passa de um engenho rudimentar. Os neurónios são células dotadas basicamente de um corpo e diversos prolongamentos: um longo, chamado axónio, e várias ramificações curtas, as dendrites. O axónio, também ramificado na extremidade, termina em pequenos bulbos denominados terminais nervosos. A comunicação entre os neurónios faz-se através das sinapses, minúsculos espaços entre os terminais nervosos do do neurónio que emite a mensagem, e dendrites do neurónio que a recebe. Impulsos eléctricos no primeiro levam-no a libertar na fenda sináptica moléculas de neurotransmissores, substâncias químicas que carregam a mensagem para o segundo neurónio. Este, ao receber tais moléculas, sofre um desiquilíbrio eléctrico e também dispara moléculas de neurotransmissores para o neurónio seguinte. Deste modo, a mensagem viaja de célula para célula até ao seu destino: da periferia do corpo para o cérebro, ou vice-versa. Mas o trabalho dos neurónios não pode ser entendido como se eles fossem meras estações retransmissoras de sinais químicos. O cérebro também contém substâncias capazes de alterar, ou modular, os efeitos dos neurotransmissores. Essas substâncias, os neuromoduladores, interferem na libertação de neurotransmissores, por parte da célula emissora, ou na resposta da célula receptora. Este é o processo electroquímico básico que faz o cérebro funcionar. A mente é uma rede de neurónios, na qual são criados e viajam conceitos, ideias, imagens, sons, memórias, e onde chegam as informações vindas do mundo exterior, para serem processadas e analisadas, apreciadas ou repudiadas.

Imagem: Cérebro (http://community.corest.com/images/cerebro.gif)

música: Nights in White Satin (The Moody Blues)

publicado por V.A.D. às 01:03
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4 comentários:
De Espiral a 17 de Janeiro de 2007 às 01:04
O cérebro é de facto uma coisa fantástica. Eu acho muito interessante o tema das memórias induzidas ou criadas, uma vez que se prova com elas que as memórias podem ser criadas e alteradas. Se isso acontece com influência de dados exteriores, imagine-se o que não acontece com a influência das nossas emoções. Li há pouco tempo que o local do cérebro que processa a memória das imagens do passado é o mesmo que nos faz ter objectivos para o futuro. Interessante pelas implicações que pode ter.
Entretanto, obrigada pelos elogios à minha escrita. O blog terminou, quem sabe não começo outro, mas vou continuar a ler os blogs das pessoas que me cativam.


De V.A.D. a 17 de Janeiro de 2007 às 14:34
A memória é de facto, algo muito volátil. No E.U.A., onde há o culto da psiquiatria, diversos indivíduos têm sido sujeitos a hipnose, e, inadvertidamente, alguns médicos têm induzido recordações falsas na mente dos pacientes, provocando a convicção em alguns de que sofrem de múltipla personalidade, e de que até foram responsáveis por crimes que não cometeram.
Agradeço o seu comentário, e aproveito para lhe "pedir" que comece outro blog... :-)

Cumprimentos


De aprenderaviver a 17 de Janeiro de 2007 às 09:55
Tenho lido em vários artigos q o cérebro poderá ter muitas mais potencialidades ainda descohecidas. Existem pessoas com o QI mais elevado q as outras. Será isso inato, ou será q todos os cérebros "normais" têm o mesmo potencial, mas são utilizados de forma diferente?


De V.A.D. a 17 de Janeiro de 2007 às 21:17
Creio que haverá diferenças entre os cérebros, senão não se poderiam explicar tantas disparidades. O simples facto de o potencial poder ser explorado de formas diferentes é, em si uma diferença... :-)
Em termos fisiológicos, na verdade, não sei se elas existem, mas, por exemplo, as dendrites podem ser em maior ou em menor número em cada neurónio, e inclusivamente é sabido que há factores externos, como o consumo de álcool ou drogas, que provocam uma redução significativa no tamanho das mesmas...
Quanto à possibilidade de não utilizarmos o potencial do nosso cérebro na totalidade, estou totalmente certo disso.
Todos os dias a neurologia avança mais um pouco, e pode ser que venhamos a ter respostas para muitas das questões levantadas actualmente...

Cumprimentos


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