Sábado, 26 de Abril de 2008

Miau...

                 

Regozijo-me com coisas pequenas: três gatinhos num velho palheiro trouxeram-me à mente a recordação. Embora ainda não fosse verão, o dia estava quente e soalheiro, viam-se andorinhas às dezenas. Foi no pátio da velha morada, em frente à adega secular, que vi a gata, miando de dores. A minha avó tratava das flores, quando a resolveu ajudar. Pegou nela, desceu a escada. Ardendo de curiosidade, segui-as; queria ver… Deitada na palha macia, tendo-nos por companhia, a gata parecia gemer, talvez de esforço ou ansiedade. Vi a maravilha da vida nascer de dentro dela. Fiquei assim, assombrado, quieto, mudo, atordoado… A natureza é de facto bela; precisa apenas de ser entendida. Hoje, repetiu-se a magia. Três gatinhos, o mesmo local. Voltei a ser criança…! Levado por uma lembrança, revivi um momento especial. Enchi-me de uma imensa alegria…!

Imagem: Gatinho, hoje


publicado por V.A.D. às 03:00
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12 comentários:
De **** a 26 de Abril de 2008 às 12:24
"Fiquei assim, assombrado, quieto, mudo, atordoado…" - Essa capacidade de nos maravilharmos é fantástica e essa sensação deveras reconfortante. Nunca vi nenhum animal a parir, mas já vi um ou outro logo após e é algo que nos deixa fascinados principalmente quando não estamos habituados.
É pena que, principalmente nos meios urbanos, sejamos um pouco condicionados a sentir repulsa disso, de nos perdermos em eufemismos desnecessários e de encaramos isso quase como tabu.

"A natureza é de facto bela...", contudo cada vez temos mais tendência para sermos insensiveis a ela... espero que continues a guardar essa criança dentro de ti, é algo que não devemos perder nunca, um saudosismo saudável

Quanto aos gatinhos.. também quero um

beijos
e um dia cheio de maravilhas,

Sophia


De V.A.D. a 26 de Abril de 2008 às 23:36
Há coisas que realmente não se esquecem. As memórias ficam guardadas, adormecidas num cantinho da nossa mente, à espera que uma situação as desperte, para que as revivamos com uma extraordinária intensidade. Eu teria talvez uns quatro ou cinco anos de idade quando presenciei o parto, a gata malhada de preto e castanho dando à luz os gatinhos, um enorme fascínio apossando-se de mim. Ontem, no mesmo local, três jovens gatinhos fizeram-me regressar a esses dias já tão distantes no tempo... :-)

Que boa, é a vida no campo...! Acredita que não a trocaria por nada, até porque a capital está a menos de meia hora de distância... :-)

Tenho plena consciência da importância do passado e, embora não viva em função dele, apraz-me recordá-lo. Sinto-me um sortudo, por ter tido a infância que tive... :-)

Hummm... Se quiseres mesmo um gatinho, peço-o à minha avó...:-)

Obrigado, amiga. Espero que o teu dia tenha sido agradabilíssimo e que a tua noite se possa revelar magnífica!

Um beijo e um enormeeeeeeeeeeee sorriso... :-)


De Fisga a 26 de Abril de 2008 às 18:40
O actor Victor Espadinha, cantava uma musica que começava da seguinte forma (Recordar é viver novamente) Há de facto pequenas coisas com grandes significados para quem as vive. E este seu caso é com certeza um deles. Um abraço e um bom resto de fim de semana.


De V.A.D. a 26 de Abril de 2008 às 23:41
É verdade, amigo. Recordar também é viver, especialmente quando as recordações de uma infância feliz me enchem de alegria.
Se estivermos atentos, verificamos que o significado intrínseco das coisas não tem a ver com a grandeza, mas sim com aquilo que sentimos.

Agradecendo as suas amáveis palavras, desejo-lhe também a continuação de um magnífico fim-de-semana!

Um abraço.


De poetaporkedeusker a 27 de Abril de 2008 às 03:52
Pronto! Agora é que eu fiquei sem palavras! Também te orgulhas do menino que ainda te habita!
É espantoso o efeito que o despontar da vida tem em alguns de nós! Já vi nascer muitos gatinhos e de cada vez a imensa alegria foi igual. Acredita que até o ovinho que uma das minhas pombas pôs fez despertar em mim esse espantoso sentimento de... olha, eu diria solidariedade. Solidariedade e deslumbramento!
Até amanhã. Desejo-te um magnífico domingo!:-)))


De V.A.D. a 27 de Abril de 2008 às 22:13
Claro que me orgulho, amiga :-) Aliás, são recorrentes, as recordações de uma infância agradabilíssima, vivida no campo, os animais que a minha avó criava sendo tantas vezes os companheiros de brincadeiras infindáveis... :-)

E sim, são mesmo esses, os sentimentos despoletados perante as maravilhas da vida... :-)

Votos de uma magnífica noite!

Um beijo e um enormeeeeeeee sorriso... :-)


De Notasenroladas a 27 de Abril de 2008 às 14:47
Espectáculo , adorei ler este post . A lembrança do passado é sempre positiva quando a nossa infância foi marcada pela felicidade.

Cumprimentos


De V.A.D. a 27 de Abril de 2008 às 22:16
Obrigado, amigo. Felizmente, a minha infância foi repleta de momentos maravilhosos, e é sempre com enorme emoção que a revivo através das lembranças.

Votos de uma óptima noite e de uma excelente semana!

Um abraço.


De Pérola a 28 de Abril de 2008 às 19:48
:) Também me faz lembrar a minha infância, na terrinha, perto dos animais e da natureza.
E adoro gatos, tão lindinho!
Beijinho!


De V.A.D. a 29 de Abril de 2008 às 02:33
Embora às portas da grande cidade, tenho a sorte de viver no campo de que tanto gosto, todo o esplendor da natureza revelando-se nestas pequenas grandes coisas que ainda têm um tão forte impacto em mim, levando-me a recordar os dias felizes de uma infância tão distante mas ainda tão próxima... :-)

Gosto de gatos mas, durante alguns anos, não tive nenhum animal de estimação... Desta vez, não houve hipótese de resistir à candura de um gatinho assim... :-)

Desejo-te uma excelente noite, amiga!

Um beijo e um enormeeeeeeeeeee sorriso... :-)


De sofia 2 a 28 de Abril de 2008 às 23:44
Impossivel continuar a ter medo de gatos.........mas continuo a gostar mais de caes!iinvejo essa capacidade de transpores o que sentes atraves da escrita!e ...........obrigado! The way you are"
SOFIA 2,,claro! lol


De V.A.D. a 29 de Abril de 2008 às 02:39
Fico imensamente satisfeito por, de alguma forma, ter contribuído para o afastamento desse medo que me é estranho, mas que tenho de aceitar: há reacções, talvez instintivas, que fogem ao nosso controlo. Comigo, o quase pavor a cães deve-se a um episódio desagradável passado na minha infância, o cão da minha vizinha achando que a minha perna teria um pedaço de carne a mais... :-)
Agradeço as tuas gentis palavras e alegro-me por saber que a minha escrita tem, por vezes, essa capacidade.

Desejo-te uma magnífica noite!

Um beijo e um enormeeeeeeeeee sorriso... :-)


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