Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Tempo

O tempo é uma misteriosa entidade, da qual temos apenas uma rudimentar e vaga concepção. É infinitamente mais do que os incomplexos resultados do seu constante fluir, é decididamente algo muito mais profundo que a concepção que nos é proporcionada pelo senso comum ou pela natureza das leis biológicas. Integra o próprio tecido básico do Universo onde vivemos, é irmão gémeo do espaço e nasceu no instante primevo em que, de uma singularidade, dimanou tudo o que existe, matéria e energia libertando-se do confinamento quântico numa inflação desmesurada. Influencia a nossa vida sob todos os aspectos, desde os mais simples e moderadamente controláveis até aos que estão completamente fora da nossa autoridade, sendo a lenta mas contínua caminhada na direcção da velhice ou a inexorável passagem dos dias exemplos dessa nossa inabilidade para o manipular. É subjectivo e desigual, a velocidade agindo como causa de uma estranha variabilidade, aquilo que fazemos dando-nos a impressão de que ele se escoa de forma inversamente proporcional ao nosso apaziguamento. Talvez escorra pelos interstícios dos grânulos espaciais como areia numa ampulheta, mas não é eterno. A eternidade é mais estranha: é o lugar onde o tempo liminarmente cessou…

Imagem: Tempo (http://sprott.physics.wisc.edu/fractals/collect/2000/time%2520out.jpg)

música: Once Upon A Time (Air)

publicado por V.A.D. às 02:47
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6 comentários:
De mnike30 a 13 de Março de 2008 às 08:26
Olá V.A.D.

Embora não pareça, continuo a ler-te atentamente...

Adorei esta tua dissertação sobre o Tempo.
É sem dúvida um entendimento profundo e consciente acerca da existência/ pensamento, existência/ entendimento, existência/ vida.
É mais uma daquelas tuas fusões de átomos e moléculas espácio-temporais...
Gostei mesmo muito!

Tem um dia excelente
Beijinho




De V.A.D. a 14 de Março de 2008 às 02:20
Sei que me continuas a ler, amiga... :-) É bom sentir que as coisas que vou escrevendo suscitam interesse e agradeço a gentileza que revelas através da leitura das mesmas.

O tempo sempre foi uma entidade que me fascinou. Desde cedo tive a noção de que é muito mais que a simples sucessão de eventos; é algo de infinitamente profundo e intrínseco, a natureza precisando de uma medida que quantifique cada pedaço de eternidade... :-)

Desejo-te uma magnífica noite!

Um beijo e um enormeeeeeeee sorriso... :-)


De **** a 13 de Março de 2008 às 15:41
"É infinitamente mais do que os incomplexos resultados do seu constante fluir" - realmente o tempo transcende muito aquilo que nós podemos sentir, aquilo que o nosso senso comum nos leva a crer. Sobre esta "4ª dimensão" escreveram-se rios de palavras (mais do que as que alguma vez teria tempo de ler...) e inda resta um infinito de coisas por dizer deste conceito finito. É um tema muito interessante - sobre o qual adoro ler, especialmente Te ler - e o etxto está fantástico.
"É subjectivo e desigual, a velocidade agindo como causa de uma estranha variabilidade" - uma variabilidade contudo essencial. Se perdessemos a noção do tempo perderiamos a noção de nós mesmos. Podemos perguntar-nos porque podemos recordar o passado e nunca o futuro, porque a seta do tempo aponta nessa direcção que nos faz envelhecer... Devemos o que somos a isso mesmo.
O conceito de eternidade não se articula com o da passagem do tempo. Concordo: "é o lugar onde o tempo liminarmente cessou…", a ausência anterior e posterior a este império do tempo.

Físicas à parte, mesmo empiricamente tem um significado infinitamente importante, passando por nós a uma velocidade impressionante. Numa carta atribuída a Gabriel Garcia Marquez, ele disse que "por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. " - não o podemos travar, mas ao menos devemos aproveitá-lo.
(esta tarefa tem sido aparentemente mal elaborada por mim porque não tenho tido tempo de comentar... desculpa a ausência)

Beijos,

Sophia


De V.A.D. a 14 de Março de 2008 às 02:56
A velocidade de deslocação influencia a passagem do tempo para o objecto em movimento. Um exemplo que que a realidade pode ser muito menos tangível que aquilo que supomos é o chamado paradoxo dos gémeos, no qual é bem patente a flexibilidade dessa entidade ainda tão mal compreendida.

O tempo é mais que uma simples grandeza, é algo que está inscrito nas profundezas da natureza física que percepcionamos. É, quer para a física, quer para o senso comum, uma estranha mas quantificável dimensão; sem ela, como muito bem referes, perder-se-ia o referencial que nos dá a noção de que fomos e do que somos... E talvez daquilo que podemos vir a ser... :-)

Devemos, a todo o custo, aproveitar da melhor forma possível os momentos que se sucedem numa cadência ininterrupta. É que, mal damos por isso e o tempo foge-nos... :-)

Obrigado, amiga, pelas tuas amabilíssimas palavras. Recuso-me liminarmente a aceitar um pedido de desculpas que não tem razão de existir: embora aprecie imenso os teus comentários, sei que nem sempre nos é possível estar em todos os lugares nas alturas em que gostaríamos de o fazer... :-)
Também eu padeço desse mesmo mal. "Há tanto a fazer e tão pouco tempo...!"

Desejo-te uma magnífica noite!

Um beijo e um enormeeeeeeeeeeee sorriso... :-)



De Ana a 25 de Março de 2008 às 16:53
'Tempo' à parte... (salvo seja)

"A eternidade é mais estranha: é o lugar onde o tempo liminarmente cessou…"
A eternidade... outro tema que me fascina, me confunde imensamente e no qual mergulharia durante eternos momentos .

=)

*


De V.A.D. a 26 de Março de 2008 às 01:15
A eternidade é algo de ainda mais difícil apreensão do que o próprio tempo. É também um tema que me fascina, mas ao qual não consigo devotar muito tempo... ;-) Brincadeias à parte, creio mesmo que o conceito só faz sentido se o entendermos como cessação do tempo e não como infinitude do tempo...

Agradecendo as tuas palavras, desejo-te uma magnífica noite, amiga!

Um beijo... :-)


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